Explorar para conhecer

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Ter, 26/03/2013 - 13:13
Casal de Tapuios, 1922 Acervo JBRJ/MMA

Viajar, explorar e descobrir novos mundos são componentes há muito presentes no imaginário humano, porém, principalmente a partir da primeira  metade do século XX, a organização de expedições e seu estudo sistemático tem sido de grande valia para descobertas científicas relevantes.

Com o objetivo de fundamentar trabalhos a respeito da biodiversidade brasileira, com destaque a da região Amazônica, essas expedições contribuíram não só para o conhecimento da fauna e flora locais como também para o retrato do modo de vida das populações desses ambientes distantes do mundo científico tipicamente urbano.

Mercado de cestos de bambu na cidade do Rio de Janeiro, 1922 (Acervo JBRJ/MMA)

A pesquisadora Alda Heizer, historiadora, doutora em Ciências pela UNICAMP e componente da equipe do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, interessou-se especialmente por uma dessas incríveis viagens ocorrida em 1922.

Liderada pelo belga Jean Massart (1865-1925), o médico e professor de ciências dá nome ao importante Jardim Botânico em Bruxelas. Essa expedição faz parte de um ciclo de muitas outras organizadas na época pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, porém traz como peculiaridade a riqueza e qualidade das informações coletadas. Realizada em várias etapas e em lugares distintos do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Pará e Amazonas) a expedição deixou como legado além de diários detalhados das etapas da empreitada científica e coletas de espécies e espécimes vegetais, registros não só de o trabalho de campo, como fotos posadas de moradores locais, artesãos e artesanatos produzidos com matérias primas vegetais, em um trabalho de viés antropológico.

Imigrante belga na floresta de Caparaó, 1922 (Acervo JBRJ/MMA)

O trabalho de Alda visa, portanto, integrar os diversos tipos de informação disponíveis sobre essa expedição, valorizando não só seus resultados, mas o fazer científico em si, considerando a rotina científica, a organização dos laboratórios da época e coletando dados em vários espaços do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (entre eles Herbário e Biblioteca).

O que motiva um cientista a buscar em campo novos conhecimentos? Reconstituir essas experiências é uma das formas de entender a dimensão humana desses projetos e conhecê-lo assim, integral e profundamente, conscientizando também o público da necessidade desse olhar. Uma das iniciativas nesse sentido passa pelo tratamento e

disponibilização de imagens inéditas produzidas na expedição.

O público não perderá por esperar, mas, por enquanto, esse material que passou por limpeza, está disponível para pesquisadores da área. O Espaço Ciência Viva dá aqui uma mostra.

Por Daiane Cardoso – Estagiária de Jornalismo no Espaço Ciência Viva