Fisioterapia Uroginecológica: da arte milenar à saúde sexual

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Qua, 26/12/2007 - 15:28
Fonte: http://www.guiame.com.br

Dizem por aí que as peripécias sexuais das tailandesas são tão impactantes que o cinema não quis deixá-las passar em branco. Em Priscilla, A Rainha do Deserto, uma sátira às traquinagens que algumas dessas orientais realizam com suas genitálias chega a levar o público ao estupor. Tudo isso, porque muitas tailandesas esbanjam um extraordinário controle da musculatura genital, habilidade esta conquistada pela prática assídua do Pompoarismo. Esta arte milenar que surgiu com o Tantra,na Índia, baseia-se fundamentalmente na contração e no relaxamento da musculatura pélvica, promovendo o fortalecimento dos músculos ao redor da vagina. Para as tailandesas e adeptos ao Tantra, esta prática justifica-se pela busca do prazer sexual;  já nos consultórios de fisioterapia da atualidade, a arte de controlar os músculos vaginais é hoje praticada em prol da saúde sexual, por meio da reeducação funcional do assoalho pélvico.Esse desdobramento da função do Pompoarismo aconteceu há pouco mais de meio século. Nos anos de 1950, o ginecologista americano Arnold Kegel desenvolveu uma série de exercícios calcados, em grande parte, nesta atividade milenar. Os Exercícios de Kegel fundamentam hoje a base da Fisioterapia Uroginecológica, a qual tem sido considerada pela Organização Mundial de Saúde a primeira opção de tratamento para problemas como distopias, dores relacionadas às cicatrizes cirúrgicas no períneo, anorgasmia, vaginismo, dispareunia, além das terríveis incontinências urinária, fecal e de flatos. É importante ressaltar que os distúrbios sexuais (anorgasmia, vaginismo e dispareunia) às vezes têm origens biológicas como, por exemplo, podem ser decorrentes de DSTs ou de espasmos  da musculatura do assoalho pélvico acarretados pela queda sobre os quadris. No entanto, geralmente estes transtornos estão associados a problemas psico-sociais e, por isso, o ideal é associar a fisioterapia com o tratamento psicológico.


Hoje, a fisioterapia utiliza técnicas bastante sofisticadas para a reabilitação dos músculos do assoalho pélvico, como a eletroestimulação e o “biofeedback”, mas alguns acessórios também foram trazidos dos circuitos eróticos, como os famosos cones vaginais, os quais conquistaram rapidamente a aceitação dos profissionais de saúde. Todas essas técnicas são indolores e têm por finalidade essencial despertar a consciência corporal e equilibrar o tônus da musculatura do períneo. Equilibrar o tônus é fortalecer a parte que está fraca e relaxar a parte que está tensa. Pois é, até a musculatura do períneo pode ficar tensa! E é exatamente por este motivo que tais exercícios não devem ser feitos sem acompanhamento profissional, pois sua prática indevida pode desencadear efeitos negativos, especialmente se houver tensão prévia da musculatura.


No Brasil, esta aplicação da fisioterapia é praticamente restrita às grandes capitais, uma vez que a maior parte da população ainda desconhece este tratamento, e os poucos que o conhecem ainda apresentam tabus em relação a ele. Além disso, apesar de ser um tratamento destinado a ambos os sexos, é muito comum ser relacionado apenas à saúde das mulheres, já que são elas mais freqüentemente acometidas por patologias urogenitais. E por falar em mulheres, agora a fisioterapia já apresenta ramos relacionados especificamente aos cuidados femininos, tais como a fisioterapia obstétrica, destinada a mulheres tanto na gravidez, quanto no parto e no período pós-gestacional, e também a fisioterapia desenvolvida para a reabilitação de mulheres que tiveram remoção parcial ou total da mama.


Para a fisioterapeuta Mauren Carvalho, muitas desordens urogenitais envolvem não apenas o desconforto físico, mas também o desencadeamento de problemas sociais e psicológicos que podem transformar a vida do paciente em um verdadeiro tormento. Neste sentido, a expansão da Fisioterapia Uroginecológica vai garantir mais que benefícios físicos; ela vai ajudar a promover melhora da auto-estima e confiança àqueles que padecem de distúrbios constrangedores, tais como a incontinência urinária e o vaginismo. O tratamento conduzido de forma adequada proporciona ganhos emocionais e afetivos e maior qualidade de vida, melhorando assim a sociabilidade de um modo geral e, em especial, a vida sexual e sentimental do indivíduo.