O que você vai ver através de um telescópio

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Sex, 13/04/2012 - 16:09
Telescópio construído pelo Grupo de Astronomia ECV

Por Marcos Mataratzis*

Todo iniciante em astronomia que nos procura, costuma questionar o porquê da ausência de cor na maioria das imagens que eles observam através do telescópio. Isso se deve à falta de sensibilidade do olho humano à cor, especialmente em condições de baixa iluminação.

Na maioria das vezes, a luz dos objetos que observamos através de um telescópio é muito tênue. Nosso olho possui uma sensibilidade maior para o “preto e branco” do que para o “colorido”. Dessa forma, a menos que a fonte de luz seja intensa, o que veremos será, infelizmente, em preto e branco. Todavia, é no preto e branco que os detalhes são mais visíveis. Assim, embora não tenhamos muitas vezes a sensação de cor, como nas fotos do telescópio espacial Hubble ou de outros grandes telescópios, percebemos as nuances dos contrastes com muita precisão, quando fazemos a observação visual.

Mas o que um iniciante em astronomia pode observar com um pequeno telescópio?

Vou descrever, de forma resumida, alguns desses objetos:

 

A Lua - MeLuasmo os menores telescópios irão revelar o relevo lunar. Ao longo do mês, a região entre a parte iluminada e a parte escura (também chamada terminador) mostra crateras em maior nitidez que em outras regiões. O relevo lunar pode ser apreciado com mais detalhes nessa região, onde até mesmo a sombra das montanhas podem ser percebidas.

 

 

 







Os Planetas - As fases de Vênus, a superfície alaranjada de Marte, os anéis de Saturno e as quatro principais luas de Júpiter podem ser percebidas até mesmo em pequenos telescópios. Para maior detalhe nessas observações o astrônomo amador irá precisar de um instrumento um pouco maior, quando então também perceberá a divisão de Cassini (divisão entre os anéis de Saturno), as bandas escuras na superfície de Júpiter, assim como sua grande mancha vermelha. Os discos planetários de Urano e Netuno também poderão ser vistos.

 

 

 


Estrelas Duplas - Talvez mais da metade das estrelas do céu se apresentam em pares, trios ou grupos ainda maiores. Da mesma forma que planetas giram ao redor das estrelas, há casos de estrelas girando ao redor de outras. Nosso sol parece ser uma exceção a essa quase regra de nossa galáxia. O astrônomo amador irá ficar fascinado com a variedade de cores e diferença de brilho e afastamento que essas estrelas podem apresentar.

 

 





Aglomerado de estrelas - Existem centenas desses objetos ao alcance dos pequenos telescópios dos astrônomos amadores. Alguns como algumas dezenas ou centenas de estrelas nos chamados aglomerados abertos (foto da esquerda), outros com milhares ou até mesmo alguns milhões, como nos aglomerados globulares (foto da direita).

 

 


 

 

Nebulosas - As nebulosas são nuvens de gás no espaço, podendo se estender até algumas dezenas de anos-luz. Algumas nebulosas são consideradas berçários estelares, pois é de seu gás que se formam novas estrelas (foto da esquerda).  Em outros casos, podem se formar quando estrelas se encontram na fase final de sua evolução e ejetam parte de suas camadas externas, como na foto da esquerda.

 

 

 

 




Galáxias - Tudo que foi falado até agora (lua, planetas, estrelas, aglomerados de estrelas e nebulosas) estão contidos em nossa própria galáxia, a Via Láctea. Até cerca de 80 anos atrás pensava-se que as galáxias eram nebulosas, como as anteriores. Os estudos de Edwin Hubble demonstraram que aquele tipo especial de “nebulosas” eram na verdade mundos à parte, contendo eles próprios seus aglomerados de estrelas, nebulosas, etc. Estes mundos ou ilhas, na vastidão do universo, estão muito distantes de nós.

 

 

  

 

* Sobre o autor

Marcos Mataratzis é astrônomo amador há mais de 30 anos, faz parte do Grupo de Astronomia do Espaço Ciência Viva e todas as fotos apresentadas ao longo do texto são de sua autoria.