Bertha Lutz: Faça da Educação um Prazer.

Em seu relatório “O Papel Educativo dos Museus Americanos“, no subcapítulo III, O Museu e a Criança, Bertha Lutz adverte:

Make Education Fun (Faça da Educação um Prazer).

“Há duas formas pelas quais os museus servem para a infância,

  • uma formalizada que consiste em fornecer subsídios ao ensino e a instituição pública,
  • a outra, mais recreativa, que ensina enquanto diverte.

É desse segundo método que trato aqui. Inventam os museus mil e um métodos de se dirigirem à população infantil. Entre os métodos mais recreativos que maiores êxito alcançam acham-se as horas e tardes para as crianças. Às vezes dão programas especiais para os filhos dos sócios, outras vezes programas recreativos aos sábados para qualquer criança.

Em geral incluem pequenas palestras, projeções, cinemas, jogos ou então as confecções de modelos, desenhos e mesmo pequenas representações dramáticas e festas com programas musicais.

Gradualmente vão se formando grupos de crianças que se agenciam em clubes, com fins determinados, segundo o que mais interessa seus membros. Alguns se dedicam a estudar os índios americanos, outros fazem modelos de aeroplanos, organizam coleções de selos ou procuram conhecer todos os pássaros que aparecem naquela região.
Grande número de museus possui salas especiais para as crianças com docentes que as orientem deixando-lhes bastante autonomia para que não tenham impressão de disciplina escolar. (…)

Quando esse tipo de atividade é levado até seu desenvolvimento lógico transformam-se em museus infantis.


As palestras com projeções, cinemas, agradam extraordinariamente, principalmente o último. Existem várias séries de fitas, entre as quais sobressaem as Chronicles of America, série organizada pela Universidade de Yale, com grande aperfeiçoamento técnico que tem grande aceitação, apresentando, contudo, o inconveniente de muito dispendiosa sua aquisição. (…) Um dos métodos mais apreciados é constituído pela organização de jogos, cujo valor reside no prazer que desperta nas crianças a participação nos mesmos. Há vários tipos:

  • Game card”, no Museu de Buffalo.
  • Os puzzles, no Museu Infantil do Brooklin,
  • Os modelos animados, como “A pedra que explode”, do Museu Comercial de Philadelphia
  • O Museu de Reading , onde as crianças moem trigo e fazem outros experimentos semelhantes.
  • (…) O nature-room do Museu de Treton, dedicado às crianças, está cheio de pequenos que achatam os narizinhos contra as paredes viveiros de cobras, rãs e pescam nozes dos bolsos para dar aos esquilos.
  • (…) O Museu Americano de História Natural organiza anualmente exposições denominadas “Feiras para crianças” às quais elas concorrem individualmente ou em grupos e classes. São dados prêmios em consideração aos seguintes fatores: orientação científica, material empregado, rótulos, número de idade dos colaboradores e organizadores. Os assuntos são variados, exemplo:
    • 1 – as pererecas e sua proteção pela cor (projeto de biologia animal);
    • 2 – o rato das florestas;
    • 3 – as adaptações das sementes para facilitar sua disseminação.

(…) O primeiro passo na sistematização do trabalho com as crianças consiste em dar-lhe uma sala própria. É o que fazem os museus na Philadelphia. O Museu de Newark, sendo pequeno, separou uma das suas diferentes sob esse nome, “Junior Museum”, nele colocando mostruários permanentes, a outros de material transitório. Depois dinamizam esses elementos estáticos, tornando-os sugestivos pelos seguintes caracteres: seleção de material permanente, de modo a chamar atenção (Lutz, 1933, inédito).

Fonte:

Conheça mais a Educadora Bertha Lutz.

Cartas de Arquivo”, uma parceria do Arquivo Nacional com a Definitiva Cia de Teatro e a Via 78, mostramos a carta de Amazile Floripes para Bertha Lutz, presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Na carta, escrita em 1932, após a inclusão do voto feminino no Código Eleitoral, Amazile sugere à feminista inclusão do divórcio no texto constitucional: sem ele, a liberdade da mulher continuaria “debaixo dos pés dos homens”.

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