Quase Poesia, Quase Química

Quase Poesia, Quase Química,

João Carlos de Matos Paiva,

Ilustrador: Afonso Paiva, Centenário Sociedade Portuguesa de Química, 2012.

Dose certa

Ilustrador: Afonso Paiva.


Procuro a
minha dose.
Quanto sou?
Que espaço ocupo?
Que tempo tomo?
Às vezes, sou demais,
quase veneno.
Encho com excessivas
palavras.
Melhor fora ser
silencioso solvente.
Outras vezes
devia ser mais presente.
Mais soluto.
Mais concentrado.
Sou micro-escala
quando deveria
gritar ao mundo
toda a injustiça.
Meu sonho?
Ser tónico, não tóxico.
Procuro a
minha dose,
a dose certa…

Eu e a química


Interessa-nos
a coisa própria,
a matéria
ou a transformação?
E se ser,
a ontogenia
fosse
só um estado
estacionário
do nosso
interesse
dinâmico?
O que importa
é o que se move,
o que transforma,
e se transforma.
Eu, como tu
sou mais
do que
propriedades.
Somos mudança!
Parados no tempo…
nada valemos.
Sem crescer
nem somos ser…
Portanto,
eu e a química
temos identidade
pelo que criamos:
no universo
no mundo
à nossa volta
em nós
…dentro de nós…

Carbono


Doze
no nome,
seis
no benzeno
anéis
grafite
cianeto
veneno.
Diamante
petróleo
carbonizante.
Alcano
alceno
alcino
carbono-carbono
vibrante
Etino.
aroma
vinho
etanol
Enebriante.
Carbono
em tudo,
fulereno
marcante.
com vida
ou sem vida
convida
a viver
delirante.
Elemento
essencial,
elemento
abundante
carbono
vital.
Quatro
patas:
quase
animal…

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