Quando Arte e Ciência tem uma boa química: Tabela Periódica

A ordenada tabela periódica – sempre impressa com apenas o símbolo químico e o peso atômico de seus 118 elementos — não consegue apresentar a não cientistas a riqueza dessas substâncias que formam nosso mundo. Por isso, Julie Hu desenvolveu um projeto para transformar a tabela periódica em uma obra de arte colorida que sugerisse a variedade de benefícios, e as muitas histórias por trás desses números e letras. Os elementos “são os blocos construtores de nosso mundo material”, Hu escreveu em seu site. “[Eles englobam] tudo ao nosso redor — dos livros que lemos, dos fones que usamos aos carros que dirigimos.”

Julie Hu, criou uma nova roupagem para a clássica Tabela Periódica, com uma ilustração artística especialmente desenhada para cada elemento químico. Mas fique alerta, após ver a Tabela Periódica ilustrada por Hu, a antiga versão da tabela ficará para sempre ultrapassada.

Criada em Photoshop com uma Caneta Wacom stylus e tablet formato grande Cintiq, cada um dos elementos químicos na Ilustração Gráfica Periódica dos Elementos de Hu, possui um design único e palheta de cores que comunica algo da história ou do uso do elemento químico. Ela compartilhou sua tabela online, descrevendo-a como um “sub-projeto da Alchemy Science Visualisation,” que é como ela divulga sua arte e design.

A snapshot of Hu's periodic table elements

Hu foi inspirada a fazer uma nova tabela periódica aos dezesseis anos e começou a se interessar em design gráfico. (Ela disse que sabia que queria ser uma artista desde os oito anos.) Ela rapidamente orientou sua sensibilidade para o design para tópicos que a fascinavam em química, astronomia e física. Para Hu, a Química e a Física já possuíam uma bela linguagem própria; ela estaria adicionando uma “linguagem visual” a essa mistura. Para criar sua tabela periódica, ela “interpretou a linguagem química com uma linguagem visual, para mostrar como os elementos químicos se relacionam ao nosso dia-a-dia.”

Mike Danahy, um pesquisador da química em Bowdoin, disse que talentos artísticos como o de Hu podem ajudar a promover a literácia científica no público geral. “Muitas pessoas, independente delas lembrarem ou não, já viram uma tabela periódica. Mas nem todos lembram para que ela serve, ou como todos os seus elementos são relevantes às suas vidas,” Mike afirmou. “Obras como a tabela de Julie podem dar ignição a uma faísca nas pessoas e disparar um mergulho mais profundo no mundo da ciência.

Para chegar a designes acessíveis para todos os elementos químicos, Hu pesquisou suas aplicações e origens. Para o elemento Francium, um de seus favoritos, ela destaca que “Francium é um metal alcalino muito instável que possui aproximadamente apenas 20 minutos de vida. Ele foi descoberto pela estudante de Marie Curie, Marguerite Derey, em Paris, 1939.”

O quadro do Francium em tom pêssego destaca a Torre Eiffel e outros ícones franceses dentro de um alarme com tema da Terra marcando 00:20 — um alerta sobre o seu tempo de existência.

Sua professora de desenho, Mary Hart, disse que “Julie traz muita habilidade e motivação ao seu trabalho em arte. É fascinante ver isto aplicado à Tabela Periódica, normalmente um tema bem árido! Ela fez a tabela periódica ganhar vida.”

Apesar de Hu afirmar que é rápido completar uma imagem quando ela sabe o que quer fazer, é demorado desenvolver a ideia por trás da imagem. Rindo, ela disse que ruminou um semestre inteiro pensando no Sódio, até finalmente chegar a graciosa imagem de um saleiro caído na mesa. Dentro da garrafa, um pequeno barco navega sobre uma onda no oceano. E fora da garrafa, pilhas de sal formam pequenas montanhas.

Após dois anos de trabalho, Hu finalizou os últimos sete elementos no inicio do ano, em janeiro. “Ao acordar naquele dia, eu estava eufórica, ‘Uau, eu vou terminar a tabela toda hoje! Será um dia inesquecível em minha vida,” ela comenta.

Hu cresceu em Beijing, e fez o Ensino Médio lá. Ela escolheu estudar em Bowdoin porque ela queria uma educação em artes interdisciplinar. “E eu também escutei que a comida em Bowdoin era muito boa” acrescentou. “Comer uma alimentação boa e saudável é um modo de lidar com o estresse dos estudos!”

Ela pretende integrar seu estudo em artes com estudos em química ou meio ambiente. Ela está interessada em estudar o ambiente “porque arte, design e estudos ambientais podem se integrar em um design sustentável ou design politicamente ambiental.” Além disso, a química ilumina seu intelecto e imaginação. “Eu acho que a química como ciência pode mudar o futuro com novas sínteses.” “Ela realmente torna o futuro possível, tornar-se realidade. Por exemplo, podemos ter novos medicamentos, novos materiais, e todo tipo de coisa que pode mudar o futuro de nossas vidas.”

(Trechos de entrevista com a artista, publicados na revista online acadêmica de Bowdoin).

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