Universo em 60 segundos: O que a Missão Cassini nos ensinou?

Lauren Fuge, European Southern Observatory, Former Science Communication Intern, lfuge@partner.eso.org

Hannah Dalgleish, European Southern Observatory, Former Science Communication Intern, hannah.dalgleish@gmail.com

CAPjournal, No. 22, Setembro, 2017.

Em 1997, um foguete Titan IV-B/Centauro foi lançado carregando uma sonda orbital que mudaria nossa visão de Saturno para sempre: A Sonda Cassini. Esta foi a quarta vez que enviamos uma sonda espacial para Saturno, mas desta vez a sonda ficaria um bom tempo.

Após quase 7 anos de viagem, a  Cassini chegou em órbita ao redor do gigante gasoso Saturno em julho de 2004, descobrindo novos fenômenos e tirando fotos inspiradoras. Em sua longa viagem pelo Sistema Solar, a Cassini foi acompanhada pelo módulo de pouso Huygens. Ambos tinham missões diferentes de estudo em Saturno e suas luas.

Módulo de pouso Huygens.

Em janeiro de 2005, depois de viajarem 3,5 bilhões de quilômetros juntos, Huygens finalmente seguiu seu próprio caminho e caiu de paraquedas na fina atmosfera de metano da lua Titã de Saturno, à deriva em direção a um destino desconhecido. Nesse processo, Huygens revelou um mundo incrivelmente familiar sob a atmosfera nebulosa de Titã, tirando imagens sublimes de paisagens ásperas com vastas dunas de areia, planícies inundadas, canais fluviais e leitos marítimos.

Orbitando Saturno sozinha, a Cassini  também fez muitas observações espetaculares. Ela revelou novos segredos sobre as luas que potencialmente poderiam suportar vida no Sistema Saturno, incluindo a descoberta de plumas ativas e geladas e um oceano salgado subsuperficial na lua Encelado. A espaçonave viu todo o sistema de anéis de Saturno mudando bem a sua frente, revelando um sistema dinâmico e ativo semelhante a um pequeno Sistema Solar. Também estudou tempestades gigantescas, relâmpagos piscando, ventos colossais e furacões hexagonais incomuns em cada um dos polos de Saturno.

Encélado.

Nas fases finais de sua aventura pioneira, a Cassini fez vinte e duas órbitas finais ao redor de Saturno, incluindo uma série de mergulhos fatais através da atmosfera superior de Saturno, bem como seu anel mais interno, colhendo informações sobre como planetas gigantes se formam. À medida que orbitava, a Cassini  coletava dados ricos e valiosos sobre a gravidade de Saturno, campos magnéticos e sua estrutura interna, e também sobre os próprios anéis, o que pode revelar detalhes de sua origem misteriosa.

Titan’s changing seasons
Estações do Ano em Saturno.

Após completar essas tarefas, a espaçonave fez um sacrifício final mergulhando na atmosfera de Saturno em 15 de setembro de 2017. Em seu último minuto de comunicação, a embarcação enviou de volta um lote final de imagens – uma adição final a uma coleção de dados que abriram caminho para a exploração do Sistema Solar e nossa busca pelas origens da própria vida – e então perdemos contato com a Cassini  para sempre.

Figura 1. Nesta rara imagem tirada em 19 de julho de 2013, a câmera grande angular da Cassini captura a Terra e sua Lua no mesmo quadro. Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute.