Dia Mundial da Fotografia Pinhole (furo de alfinete).

por Aline Santos e Paulo Henrique Colonese, 24 de abril de 2020.

Capa: Yuki Nagashima, “Puu Tourujoella”. Western Finland, Finland (membro do grupo  Gallery Ratamo ). Só por diversão”. Ao lado, câmera pinhole utilizada.

Todo ano, no último domingo do mês de abril, comemora-se o Dia Mundial da Fotografia Pinhole e, para celebrar esse dia, contaremos um pouco sobre:

  • o que é uma câmera pinhole,
  • o que a torna especial.
  • como ela funciona,
  • e como o dia mundial foi criado?

O que é uma Câmera Pinhole?

Pinhole, em sua tradução literal, significa “furo de alfinete”.

Câmera Pinhole” é o nome dado a uma câmera de observação ou fotográfica artesanal que utiliza a formação de imagens pela luz que atravessa furos muito pequenos e alguns materiais básicos.

  • As de observação são bem mais antigas e permitem formar imagens dentro de diferentes ambientes desde pequenas caixas até salas ou quartos (câmaras).

Saiana no Fuji, 1834 (Monte Fuji projetado através de um furo na parede).

Esta foto está no livro ilustrado intitulado “Fugaku-Hyakkei (100 cenas do Monte Fuji)”, do xilogravista Hokusai Katsushika.

Observe o Monte Fuji invertido na tela.

“Kage to Hinata no Chinmon Zui (Coleção de figuras únicas em locais escuros e claros, 1803), do romancista popular Bakin Takizawa (Bakin Kyokutei) (1767 1848). São descritos três exemplos do fenômeno pinhole realizado por um furo em uma parede de madeira de uma casa. A câmera forma a imagem do jardim invertida em uma tela.
  • As fotográficas utilizam filmes fotográficos para criar fotografias sensacionais. E se desenvolveram a partir da apropriação das técnicas fotográficas por artistas-fotógrafos.

Ela se distingue, principalmente, por não possuir lentes. E ela ser capaz de produzir imagens coloridas e divertidas surpreende a todos que a constroem, observam ou criam fotografias pelo furo de um alfinete.

Quem criou o termo câmera “pinhole” foi o físico David Brewster, mas ela também é conhecida como Câmera Estenopeica (estenopo = furo).

Sua estrutura tem de ser feita com um recipiente que evite a entrada de qualquer outra luz – que não seja a do furo de alfinete – como, por exemplo: uma lata de alumínio; caixa de papelão, de fósforo ou de madeira, entre outros. E a abertura para a passagem de luz é um pequeno furo feito com a ponta de um alfinete!

Sugerimos a visualização do episódio Câmera na Lata neste vídeo do Manual do Mundo para entender o processo de montagem e de como usar a Câmera Pinhole:

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=Xt3Cdq0qOns
Diferentes caixas e latas podem ser usadas. As mais comuns são latas cilíndricas que geram diferentes efeitos sobre o filme fotográfico curvo.

Utilizando os conceitos físicos das câmaras escuras, sua origem nos leva aos primórdios da fotografia, no século XIX.

A difusão da fotografia tornou obsoleta a produção de retratos por meio da pintura a óleo e, consequentemente, deixou diversos pintores sem fonte de renda. E, ao mesmo tempo, começaram a surgir movimentos que iam contra a fotografia popularmente praticada, buscando alternativas e novas formas de expressar-se artisticamente por meio da fotografia.

Entre esses movimentos, encontramos a fotografia Pinhole. Seu uso acabou se tornando muito popular e as câmeras Pinhole passaram a ser vendidas comercialmente em fins do século XIX.

Para os participantes desses movimentos, a fotografia não era apenas uma técnica rápida de se captar o momento e, com isso, procuravam aproximar as fotografias das técnicas utilizadas em pinturas artísticas.

Um exemplo de fotografia pinhole desse movimento é a capturada pelo fotógrafo George Davison (1854-1930) em 1890.

George Davison – The Onion Field (O Campo de Cebolas, 1890) . FONTE: https://www.artgallery.nsw.gov.au/collection/works/111.1979/

Em tempos de redes sociais e câmeras de tecnologias avançadas ao alcance de nossas mãos, o que torna a câmera pinhole tão especial para alguns?

Podemos dizer que uma possível resposta a essa pergunta é todo o processo que a envolve, desde a sua montagem até a compreensão de como a imagem final é obtida, ou seja, toda a experiência pessoal por trás do uso dessa câmera é que a torna especial.

O fotógrafo-artista e educador Bira Carvalho expressa essa relação com a fotografia pinhole de modo crítico e encantador no vídeo de apresentação de seu curso de fotografia pinhole.

E, como recordação dessa experiência pessoal, obtemos imagens únicas e diferenciadas!

O fotógrafo-artista Luiz Alberto Guimarães também discute a fotografia pinhole do ponto de vista da fotografia-arte.

Mas como ela funciona?

As câmeras pinhole utilizam as propriedades físicas de formação de imagens por um orifício e as propriedades químicas de diferentes materiais fotossensíveis, desde o papel fotográfico até papéis e materiais alternativos.

A figura abaixo, de forma esquemática, mostra o funcionamento de uma câmera pinhole.

  • O objeto a ser fotografado precisa estar bem iluminado.
  • Ele reflete os raios de luz que chegam até ele em várias direções.
  • Esses raios refletidos seguem em linha reta e uma parte deles chegam ao furo de alfinete e o atravessa.
  • O feixe de luz que atravessa o furo, vindo de um ponto do objeto (por exemplo, seu dedão do pé) atinge – pela trajetória retilinea – o alto da tela colocada dentro da câmera.
  • Se tivermos na tela um papel fotossensível, ele poderá registrar a imagem formada do objeto.
Ilustração de uma câmera obscura portátil em Ars Magna Lucis Et Umbra (1646) de Athanasius Kircher.

Ilustração do funcionamento de uma câmera escura. Século XVIII, autor desconhecido.

Pelo fato dos raios seguirem esse caminho retilíneo, a imagem formada aparece de ‘cabeça para baixo’ e com a esquerda e direita trocados. Esta dupla reflexão (horizontal e vertical) é chamada de inversão.

Analisando a ilustração, observamos que o raio refletido pela ponta do chapéu (A) do homem passa pelo furo e atinge a parte de baixo do painel. Do mesmo modo, o raio refletido pelo pé do homem, passa pelo buraco e atinge a parte de cima do painel. O mesmo ocorre com os raios refletidos do lado direito e esquerdo. Os raios refletidos pelo lado direito atingem o lado esquerdo do painel e vice-versa. Daí, as imagens serem totalmente invertidas! Um efeito que torna a sua observação bem divertida!

O tamanho do furo: algo a investigar!

O furo feito com o alfinete é de extrema importância para o bom funcionamento de uma câmera pinhole e acaba sendo a principal característica dessa câmera. E por que tem de ser um alfinete?

Porque o diâmetro do furo (“largura”) é o responsável pela passagem dos raios de luz, determinando a quantidade de luz (energia) que vai atingir o papel fotossensível.

Além disso, o diâmetro do furo também determina uma importante característica das imagens: a nitidez da imagem. Quanto maior for o furo, pior a nitidez da imagem. Quanto menor, melhor a nitidez da imagem formada próximo ao furo da câmera.

Para entender a primeira propriedade (a intensidade da imagem), vamos imaginar a seguinte situação: em um dia ensolarado você está em uma sala que possui duas janelas de tamanhos diferentes. Quando a janela maior está aberta e a menor completamente tampada, a sala é bem iluminada pois a janela maior permite a passagem de uma grande quantidade de raios de luz. Se a janela maior for completamente tampada e a menor for aberta, você perceberá que a sala ficará bem menos iluminada, pois o tamanho da janela funciona como uma filtro para esses raios de luz.

De forma similar, quanto maior for o furo feito na câmera pinhole, mais raios de luz conseguirão passar por ele, fazendo com que mais luz atinja o painel. Porém, se usarmos um papel fotossensível, ele deve ser exposto a uma quantidade de luz adequada para que ele não reaja de forma a queimá-lo ou que não gere uma imagem intensa. Por isso, o furo de alfinete é o ideal para esse tipo de câmera, pois seu pequeno diâmetro permite a passagem de pouca quantidade de luz.

Controlamos isso com tempo de exposição para que a quantidade de luz que atinge o papel fotossensível seja a quantidade adequada. Com isso, quanto mais ensolarado estiver o dia, menos tempo temos de deixar papel exposto.

Você poderá investigar isso com mais detalhes por meio de pesquisas, onde é possível encontrar relatos sobre aproximações de tempo de exposição em dias ensolarados, nublados entre outros, mas a parte divertida é você mesmo(a) testar os intervalos de tempo. Em breve, voltaremos a essa questão no nosso site!

E quem criou o Dia Mundial da Fotografia Pinhole?

Os estudos e curiosidades sobre as câmeras e fotografias pinholes são muitos e não se limitam ao que foi exposto aqui. Inúmeros artistas, fotógrafos e apaixonados pelas câmeras pinhole apresentam olhares inusitados, criam efeitos mirabolantes, constroem câmeras com formas inesperadas e nos surpreendem com fotos incríveis.

Em meados do século XX, vários fotógrafos da Europa e dos Estados Unidos começaram a experimentar de forma independente as técnicas de pinhole. Na década de 1970, a fotografia pinhole tornou-se popular novamente, com o desenvolvimento de uma variedade e estilos de câmeras. Na década de 1980, algumas exposições nacionais e internacionais mostravam a fotografia pinhole, e as câmeras pinhole comerciais foram fabricadas novamente.

Com o estabelecimento da Internet, os fotógrafos e artistas de pinhole começaram a publicar seus trabalhos on-line nos anos 90. 

Então, em 2001,  foi realizado o primeiro Dia Mundial da Fotografia Pinhole , incentivando fotógrafos de diferentes países a contribuir e divulgar imagens incríveis obtidas por câmeras pinhole.

Convidamos vocês a deixarem suas opiniões sobre o universo das câmeras pinholes nos comentários e desejamos a todos um

FELIZ DIA DA FOTOGRAFIA PINHOLE!

REFERÊNCIAS

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