Observatórios de Jai Singh: necessidade de “Jantar Mantar”

Jantar Mantar, uma nome que parece evocar uma certa magia, mas, na verdade, deriva do sânscrito, Yantra-Mantra. Localmente é falado Jantar-Mantar, que significa:

  • Yantra,  Instrumento.
  • Mantra, Cálculo.

Um nome meio mágico para um Parque com Instrumentos de Medidas Astronômicas.

Para compreender a necessidade de construir vários Observatórios Celestes, como Parques do Universo, deste tipo e aprofundar o conhecimento de sua natureza, precisamos conhecer um pouco da Cosmologia e Cosmogonia Hindus – suas visões e concepções de Universo, Espaço, Tempo e Vida.

O CONCEITO DE UNIDADE: SOMOS TODOS UM

No início havia um Brahma Supremo. Ele sentiu um desejo e, em união com sua consorte, o Um tornou-se Muitos.

Tudo no universo, seres humanos, animais, plantas, a terra, o sol, a lua e os outros planetas, são essencialmente encarnações de Brahma. E todos são constantemente instados por dentro, a transcender e unir-se com ele, a realidade imutável e definitiva.

O CONCEITO CÍCLICO DE TEMPO

Tendo em vista essa filosofia tradicional do UM-MUITOS (UNIDADE DO TODO), os hindus viviam nas dobras e tramas da Eternidade, reconciliados com as variações de dias e noites, as diferentes estações nas grandes eras “Yugas” ou Kalpas (aeons), para as quais eram enviados através de seu Karma — suas boas ou más ações, aceitando o destino ordenado por Brahma.

Durante a locação na Terra, a humanidade viveu durante quatro eras Yugas principais:

  • Satya Yuga, com duração de 1.728.000 anos.
  • Treta Yuga,com 1.296.000 anos.
  • Dwapara Yuga, com 864.000 anos.
  • Kali Yuga, atual Yuga, com duração de 432.000 anos.

que se aproximam das Idades do ouro, da prata, do cobre e do ferro em outras culturas.

No período medieval, os brâmanes dividiram as eras “Yugas” em três sub-eras,

  • Era da Devoção.
  • Era da Razão.
  • Era dos Rituais, Ritos e Ação.

Mais tarde, quando as invasões e infiltrações estrangeiras mergulharam “Bharat-Varsha” (Índia) na anarquia, um mito foi inventado de que a “Satya Yuga” ou a antiga era da Verdade haviam terminado, e a Kali Yuga, a era da destruição tinha começado. Vishnu, a encarnação do Deus supremo, tinha ido dormir no colo da cobra gigante, Shesha-Naga, no oceano primitivo, e só acordaria quando a era “Kali Yuga” terminasse e uma nova era “Satya Yuga” começasse. No coração da Eternidade, não havia tempo.

Mas, a fim de medir os dias e noites, os anos e as eras aeons, certas divisões do tempo eram comuns.

A definição mais popular de um sistema de medidas de tempo está no clássico Surya Siddhanta , um tratado em sânscrito da Astronomia indiana (final do século IV, início do século V), com a seguinte divisão:

  • 6 respirações (Prana) = 1 vicala
  • 60 vicalas = 1 danda
  • 60 dandas = 1 dia sideral Nakṣhatra Ahorātram.

O “Vishnu Purana” baseou a divisão do tempo em certas observações de bioritmos e subritmos formando um diferente modo de subdivisão.

As sílabas longas são proferidas em uma respiração (Prana)

  • 6 respirações (Prana) = 1 vinadika
  • 60 vinadikas = 60 dhatas
  • 1 dhata = 1 dia e noite

Outra tabela era contada da seguinte forma:

  • 6 respirações = 1 pala
  • 60 palas = 1 ghatika
  • 60 ghatikas = 1 dia e noite
  • 30 dias e noites = 1 mês
  • 12 meses = 1 ano

Raghunandana (século XVI) comenta:

“Os ghatikas decorridos desde o início do dia sendo dobrados e divididos por (cinco) setas, mostram as cordas do tempo chamados ‘Horas’. (60 / 5 = 12). Durante o dia, essas cordas são reguladas por intervalos de (seis) estações, contadas a partir do regente particular do dia proposto, ou à noite por intervalos de (cinco) setas. O início do dia, antes ou depois do nascer do sol, no primeiro meridiano é conhecido a partir do intervalo dos países, ou distância em longitude medida por Yojanas e reduzida em Ghatis depois de deduzir um quarto do número de anos.”

  • Yojanas é uma medida de distância usada na antiga Índia.
  • Uma yojana é cerca de 12 a 15 km. (1 Yojana = 60 Kosh; 1 Kosh = 200 metros).

A VIDA

É nessa complexa trama de espaço e tempo que as vidas criam seus ciclos, tentando transcender e se integrar à Unidade Cósmica, Brahma.

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