Vacina: expressões artísticas do medo

Tatiana Azevedo. Estagiária Espaço Ciência Viva, 2021. Orientação Paulo Henrique Colonese.

As vacinas sempre foram alvo de grandes discussões, debates e conflitos em toda a sociedade, desde a sua origem. Ela está sempre no centro do palco, iluminada com grandes holofotes e cercada por grandes personagens, como a Morte, as Doenças, as Pestes, a Medicina, os Políticos, os Pesquisadores, os Religiosos e os Cidadãos. Um espetáculo com muita emoção e muito drama.

E chegamos a 2021 ao olho de um grande furacão, tendo superado a primeira parte da tempestade que assola o planeta há mais de um ano, e vivendo um breve momento de calma graças às novas vacinas testadas e sendo aplicadas para a Covid-19. Mas o furacão ainda não se dissolveu…

Convidamos, você a mergulhar no furacão, voltando a uma época quando ainda nem existia o termo – vacina – e muito menos, o conhecimento do que é, de fato, uma vacina. Um tempo em que a saúde pública e a medicina eram bem diferentes.

Vamos visitar uma época de grandes epidemias, uma época em que as doenças , como a varíola, causavam morte e pavor em todo o mundo. E vamos usar a Arte, em especial a pintura e ilustrações, para entender o que se passava nas mentes da época.

Vamos visitar uma dezena de obras, todas com desafios de leitura visual das obras de arte.

E refletir o que a arte nos revela sobre o medo às vacinas.

O MÉDICO, A FAMÍLIA, A DOENÇA E A MORTE

O Médico. Joseph Tomanek, reprodução do original por Luke Fildes, cerca de 1933. Coleção TATE, Reino Unido. Licença CC-BY-NC-ND 3.0  BR. Disponível aqui.
Desafio CiênciArte 1: Observe e leia o quadro “O Médico”, com algumas questões em mente:
  • O que a postura da mulher (mãe) expressa?
  • E a do homem (pai) ao seu lado? Qual a expressão do seu olhar para a situação?
  • Para você, a criança encontra-se em que estado?
  • Qual sensação o médico transmite ao olhar para a criança?
  • Que ideias e emoções o quadro lhe inspira?

Descrição

Em 1890, o Barão de Park Hill, rico comerciante de açúcar e filantropo, Sir Henry Tate (1819-1898) encomendou uma pintura ao pintor Samuel Luke Fildes, e deixou o tema a seu critério. O artista escolheu relembrar uma tragédia pessoal, quando em 1877 seu primeiro filho, Philip, morreu de febre tifóide com um ano de idade em sua casa em Kensington.

O filho e biógrafo de Fildes escreveu: “O caráter e a postura de seu médico ao longo de todo o sofrimento, causaram uma profunda impressão em meus pais. O Dr. Murray tornou-se um símbolo de devoção profissional que inspiraria a pintura de O Médico (Fildes, p. 46). Fonte: Coleção Tate.

Pudemos observar essa dedicação de todos os profissionais da saúde em escala mundial na atual Pandemia da COVID-19. Em 2020, comemorou-se o Ano Internacional da Enfermagem e Parteiras, o que serviu de base para celebrar, comemorar e homenagear todos os profissionais de saúde, em todo o mundo. Para saber mais sobre o Ano Internacional da Enfermeiras e Parteiras, clique aqui.

A Medicina observa e investiga a imunidade

Pelo menos desde a grande Praga de Atenas, ocorrida em 430 a.C., durante a Guerra da Peloponesia pelo reinado da Antiga Grécia, os médicos já haviam observado que pessoas sobreviventes à doença, não pegavam mais a doença. Foram inúmeras as descrições e observações desse efeito, realizadas ao longo de toda a história das grandes pragas mundiais, no Antigo Egito, China, Índia, Império Árabe, Europa e Américas.

Mas, vamos viajar no tempo para quando a varíola chega à Europa:

Entre os séculos XI e XV, a varíola atinge praticamente toda a Europa (exceto a Rússia). Era possível observar dois padrões epidemiológicos distintos. Em grandes cidades, ou em regiões densamente povoadas, ela tinha caráter endêmico, atingindo quase que exclusivamente crianças, com grandes epidemias em intervalos variáveis. Já nas cidades menores e em regiões de baixa densidade populacional, apresentava caráter exclusivamente epidêmico, com surtos ocorrendo de tempos em tempos e atingindo todas as faixas etárias. As piores epidemias ocorreram nos séculos XVII e XVIII.

Antonio Carlos de Castro Toledo Jr. História da Varíola. Revista Médica de Minas Gerais. Vol.15.1.

O termo varíola (do latim varius = mancha ou  varus = pústula), foi utilizado pela primeira vez, em 452 d.C., pelo bispo Marius de Avenches, Laussanne (Suíça). O termo (pústula pequena, smallpox) só passou a ser utilizado no século XV, quando a sífilis foi descrita como uma nova doença e denominada greatpox (pústula grande). A versão da doença em bovinos, é chamada de pústula de vaca (cowpox). Essas denominações não se referem apenas ao tamanho da lesão, mas também à população acometida, uma vez que, no século XV, as crianças eram as principais vítimas da varíola.

Antonio Carlos de Castro Toledo Jr. História da Varíola. Revista Médica de Minas Gerais. Vol.15.1.

Vendo todo esse cenário, o médico Edward Jenner começou a questionar se algo poderia ser feito para combater a situação. E fez! 

Os cientistas da época já sabiam que o contato com outras doenças em animais podia provocar uma doença leve em humanos e criar um tipo de resistência. Eles estavam atentos, Jenner estava mais atento ainda…

O médico inglês Edward Jenner trabalhava no interior da Inglaterra como inoculador da varíola, quando observou, em 1775, que as pessoas que haviam apresentado a varíola da vaca não tinham sintomas quando inoculadas pela varíola. Em suas próprias palavras: “… quem parece ter tido a Pústula de Vaca (Varíola de Vaca), entretanto, ao serem inoculadas com a Pequena Pústula, sentia sua influência…“. Este fenômeno parecia ser recente, possivelmente apresentando relação temporal com a interiorização da varíola e da variolização. Ao continuar suas observações, notou que as mulheres que trabalhavam com a ordenha de vacas raramente apresentavam as cicatrizes da varíola. Formulou, então, a hipótese do efeito protetor da varíola da vaca em humanos.

A ORDENHADORA DE VACAS

Observe a ilustração abaixo que apresenta a visão do artista sobre a hipótese de Jenner.

A Origem da Vacina. Ordenhadora mostra sua mão com varíola bovina a um médico, enquanto um cirurgião oferece uma inoculação com varíola bovina retirada de uma vaca. Gravura colorida, cerca de 1800. Wellcome Collection . 
Licença CC BY 4.0.
A Origem da Vacina. Detalhe do quadro.
Desafio CiênciArte 2: O que é possível observar a partir desse recorte?
  • Por que o médico está analisando a mão da mulher? Quem possivelmente ela é?
  • O médico utiliza um objeto para a análise. Que objeto é esse?

A Origem da Vacina. Cirurgião ou fazendeiro oferece algo ao “Cidadão Dândi” (homens comuns, mas bem vestidos) .
Desafio CiênciArte 3: E nesse recorte…
  • O que o homem está oferecendo para o outro?
  • Qual instrumento está em suas mãos?

Descrição:

A cena representa a observação que levou à invenção da vacinação pelos detalhes conhecidos na França da época (cerca de 1800). O médico de avental azul e o “dândi” à esquerda, ambos representativos da moda inglesa, são motivos recorrentes nas gravuras de vacinação do editor e humorista François Jules Gabriel Depeuille. 

O médico pode ter a intenção de representar Edward Jenner, que talvez não fosse tão conhecido para ser pintado com precisão neste momento. 

Sarah Nelmes é conhecida por ser a ordenhadora que forneceu a varíola bovina original. 

O homem abaixado segurando uma lanceta, com roupas mais antiquadas, pode ser fazendeiro ou cirurgião.

No fundo esquerdo, um navio afunda no mar. “O Navio está afundando” é uma expressão popular ainda hoje.

O INÍCIO DA VACINAÇÃO: A PREVENÇÃO E O MEDO

Vejamos, agora, diferentes expressões artísticas sobre as primeiras vacinações.


Edward Jenner tentando convencer a um fazendeiro a vacinar sua família. Wellcome Library, London. Wellcome Images. Licença Creative Commons, CC BY 4.0.
Desafio CiênciArte 4: A Primeira Campanha.

Observe a obra Edward Jenner alertando um fazendeiro para vacinar sua família. uma pintura a óleo de cerca de 1910.

  • Descreva o olhar do fazendeiro ao ouvir a proposta do médico.
  • O menino que se encontra apoiado parece estar interessado pelo assunto?

A pesquisa por novos medicamentos, tratamentos e vacinas precisa estar atenta ao modo como divulga e populariza suas descobertas, processos, fracassos e sucessos. Atualmente, na Era das FakeNews é preciso não apenas divulgar e popularizar, mas combater os movimentos oportunistas, desinformados e mentirosos que invadiram a discussão democrática, política e científica em nossa sociedade.

É necessário que Pesquisa, Educação em Ciências e Divulgação Científica conheçam os temores honestos, as desinformações e concepções errôneas genuínas da população para poder comunicar, informar e encantar o cidadão para a Ciência à Favor da Vida!

UM OLHAR CURIOSO: DA HIPÓTESE À PRÁTICA

Edward Jenner vacinando um menino. Pintura a óleo de Eugene Ernest Hillemacher, 1884. Wellcome Library, Londres. Wellcome Images. Licença CC BY 4.0.
Detalhe do quadro “Edward Jenner vaccinating a boy”. E.-E. Hillemacher, 1884. CC BY 4.0
Desafio CiênciArte 5: A vacinação se inicia.

Faça a sua leitura da obra e seu recorte.

  • Observe a expressão do pai. Como ele se encontra ao ver o médico vacinando seu filho?
  • Como a mãe se apresenta?
  • O menino demonstra estar assustado ao ver o instrumento utilizado para vacinação.
  • Que instrumento Dr. Jenner está usando? É uma seringa moderna?

Após criar sua hipótese, Jenner decidiu realizar experimentos, considerados ousados na época. Em 1796, ele extraiu o pus da ferida de uma pessoa infectada com a varíola de vaca e transferiu com uma lanceta pontiaguda para a pele de uma criança saudável.

O menino teve sintomas brandos e logo se recuperou. Tempos depois, Jenner expôs o menino à material contaminado com a varíola humana.

O médico obteve resultados surpreendentes: a criança não desenvolveu a varíola humana!

DOIS MOMENTOS IMPORTANTES EM UM MESMO QUADRO

A arte consegue reunir momentos e espaços diferentes, criando novas dimensões expressivas.

Jenner inoculando a vacina em James Phipps, um menino de oito anos, em 14 de maio de 1796. Gaston Mélingue, 1879. Fotografia. BIU Santé (Paris). Em Wikipedia Commons. CC0 License.
Desafio CiênciArte 6: Dois momentos em um mesmo instante.

Observe a parte esquerda e direita do quadro acima:

  • No canto direito, quem é a mulher de chapéu marrom? Como você chegou a essa conclusão?
  • Ainda na parte direita do quadro, ao fundo, veja as expressões faciais das pessoas. Como elas aparentam estar?
  • Quem é o homem de vestimenta preta? O que ele está fazendo?
  • No canto esquerdo, analisando sua postura corporal, o que o homem está fazendo?

Este quadro sintetiza todo um longo processo que pode durar anos. A descoberta da doença, a descrição de seus sintomas, a descoberta de seu agente causador, a busca por medicamentos e tratamentos, o desenvolvimento de uma vacina preventiva.

Atualmente o processo de desenvolvimento e aprovação de uma vacina demora, em média, cerca de 10 anos, especialmente quando novas tecnologias e metodologias são necessárias. Até 2020, a vacina que se desenvolveu mais rapidamente foi a da caxumba, demorando quatro anos para ser desenvolvida e testada. Um recorde das Industrias Médica e Farmacêutica MERCK. E esse tempo recorde foi possível pois as tecnologias necessárias haviam acabado de ser inventadas.

As vacinas preventivas da COVID foram desenvolvidas em novo tempo recorde, sendo aprovadas em várias fases de testes. E serão aprimoradas com a aplicação em massa, atualmente em desenvolvimento.

Mas calma, e antes de Jenner? 

A procura pela cura da varíola já era investigada bem antes, e é importante ressaltar que a imunização vinda da varíola bovina já havia sido observada por outros especialistas, médicos e fazendeiros. Apesar disso, muitas tentativas de prevenir a doença foram usadas antes do experimento de Jenner, como a ingestão de bebida alcoólica, a utilização de medicamentos feitos a partir de ervas, o uso de roupas especiais e o tratamento em baixas temperaturas. 

Nenhuma dessas tentativas, porém, foi tão bem sucedida quanto a inoculação, também conhecida como variolização.

Esse método já era reproduzido muito antes do século XVIII, antes mesmo de Janner nascer. Há indícios de que a variolização começou a ser realizada na Ásia já no século XVI, porém foi modificada ao longo dos séculos, e também conforme ia chegando em outros continentes, como a África e a Europa.

Na Inglaterra, a aristocrata Lady Mary Wortley Montagu foi quem implantou a variolização. Após ser contaminada e sofrer com as consequências da varíola, em  1718 Lady Montagu pediu que seu filho fosse variolizado, e em 1721 foi a vez da sua filha.

A partir de então, a prática de variolização se espalhou e posteriormente foi substituída pela vacinação com as inovações de Jenner.

Apesar de Jenner ter sido um profissional renomado na Inglaterra, naquele momento ele não encontrou conclusões científicas ao ver que a criança não contraiu a varíola humana. Mesmo assim, o médico sabia que seu experimento poderia ser fundamental para salvar muitas vidas, e deu continuidade, mesmo sendo duramente criticado pela forma como ele realizava seus experimentos. 

Com isso, além do receio de contrair a varíola, agora havia também o medo de ser imunizado. De fato, na época era normal ter essa desconfiança e medo. A ciência não era avançada como é atualmente, as medidas de higiene não eram como as de hoje e não existiam tecnologias inovadoras capazes de proporcionar uma certa segurança. 

Sabendo que as vacas estavam envolvidas nesse processo, as pessoas temiam adquirir características desse animal. Haviam muitos boatos de que quem tomasse a vacina contra varíola iria ganhar características bovinas, e essa desinformação aterrorizava todos fazendo com que repudiassem a vacinação, chegando até a provocar revoltas na povo.

Alguns pelos da vaca chamada “Blossom” (Florescer) de quem Jenner removeu pela primeira vez a linfa da varíola bovina. O pelo da vaca foi inicialmente protegido em pequenos envelopes, pois era trocado como um presente entre vários médicos.

Fonte: https://hopkinshistoryofmedicine.org/hair-of-the-cow/

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A SOCIEDADE, O MEDO E PAVOR DA VACINA

A Tragédia da Varíola Bovina – – a última cena. Escultura de George Cruikshank (1792-1878). Um ataque à vacinação e à defesa feita pelo Royal College of Physicians. Gravura colorida por G. Cruikshank, 1812.  Wellcome Collection . Licença (CC BY 4.0).
Desafio CiênciArte 7: O Conflito está armado.

Observe e considere o significado da mensagem na parte central superior:

Dedicado aos Associados Jennerianos de Varíola de Vaca de Gloster

Em memória da VACCINA que morreu a primeiro de abril.

Aquela consciência que faz de todos nós, rebanhos de vacas!

E logo abaixo, identifique as várias dimensões do medo e do conflito. O que cada uma representa?

o Senso Comum

a Investigação Sincera (Honesta)

a Razão

a Religião

a Verdade

Que outras dimensões você acrescentaria à polêmica?

Observe:

  • Do lado esquerdo, flores, do lado direito, ossos. O que significam?

A VARÍOLA, O MÉDICO OU BRUXO?

As visões da Medicina, representada nas expressões artísticas ajudam a revelar como a Medicina e o Médico sempre foram associados à magia ou bruxaria.

Desafio CiênciArte 8: Medicina, Ciência ou Bruxaria?

A compreensão da Medicina como Ciência Moderna, do Médico como Pesquisador e de Medicamentos desenvolvidos por metodologias científicas éticas ainda precisa de ser desenvolvida e fortalecida.

Vamos analisar essas visões distorcidas da Ciência por meio de cartões e sátiras francesas à doença e à medicina.

A Vacina morre abortando seu último monstro. Um grupo de médicos está ao lado de uma vaca que morreu enquanto “abortava” um homem; talvez representando o efeito potencial da vacinação. Gravura colorida. Wellcome Collection . Licença (CC BY 4.0)
  • Um médico-bruxo examina a vaca com que instrumento?
  • O frasco no chão, à esquerda, tem o rótulo Elixir da Vida.
  • O homem nascido da vaca veste azul (cor associada à médicos) e segura um livro.
  • O médico ao lado do homem segura um frasco com rótulo Oxigênio.
  • E o homem à direita, com destaque em seu chapéu, segura uma barra, com o rótulo Varinha de Adivinhação.

Como você interpretaria essa imagem?

Desafio CiênciArte 9: Vida, Morte, Doença, Medicina, Carnaval. Tudo junto e misturado.
Tome a Vacina. O Triunfo da Pequena Varíola.  Gravura colorida. Wellcome Collection . Licença (CC BY 4.0)

A imagem apresenta uma passagem, como em uma procissão ou em um carnaval.

  • À esquerda, temos um carro que transporta uma mulher doente, com o corpo cheio de feridas, nua, e se transformando em uma sereia. Que ideia sobre a vacina, ainda presente atualmente nas mentes dos pais, essa imagem expressa?
  • No centro, um médico com chapéu de bruxo montando uma vaca, empunha uma lanceta nas mãos.
  • E, à frente da procissão, um farmacêutico empunhando uma agulha gigante abre a procissão.
  • A procissão grotesca assusta e afasta algumas crianças que correm, saindo do quadro à direita.

O quadro expressa as possíveis ideias da população leiga sobre a vacinação.

A leitura do quadro faz você refletir sobre que questões?

A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO, DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM SAÚDE

Vejamos, abaixo, um caso muito interessante de “MEME” sobre a vacina.

Na época, a arte crítica era expressa em muitas revistas e jornais, fazendo críticas, paródias, metáforas em torno da ideia de vacina.

Cientistas asseguram que todas as doenças podem ser prevenidas por inoculação. Joseph Ferdinand Keppler. New York : Publicado por Keppler & Schwarzmann, 24 de junho de 1885. Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, DC. 20540 EUA. Licença Creative Commons CC0.

Descrição:

  • Ao centro, Puck (um duende travesso do folclore europeu) de pé sobre uma pilha de volumes “PUCK” encadernados e segurando uma enorme lanceta ponteaguda, muito parecida com uma caneta de tinta. A “tinta” (pote de vidro abaixo) tem escrito: linfa de fraude de presidente de banco.
  • Puck, o duende travesso, está de cartola, terno pinguim, mas sem calças e descalço.
  • À esquerda, temos uma fileira de pessoas identificadas como “Presidente de Banco, Caixa, Caixa, Escriturário e Zelador”, bem como uma Faxineira e um Office-boy.
  • E à direita, uma fileira de criminosos conhecidos identificados como “Scott, OL Baldwin, F. Ward, JD Fish, HW Howgate, [e] Eno” e Fredericka Mandelbaum identificada como “M” (e seu nome na maleta no canto inferior direito).
  • Os vidros possuem os seguintes rótulos: Vacina de Caixa de Banco Especulador, Vírus de Zeladora Corrupta, Vírus de Receptora de Bens Roubados, Linfa de Caixeiro de Banco Fraudulento, Vírus de Caixa de Banco Inadimplente, Vírus de Office-Boy Ladrão, Vacina de Faxineira Dedos-Leves.
  • O. L. Baldwin era caixa no Banco Nacional dos Mecânicos em Newark, Henry W. Howgate (1834-1901) era Agente de Desembolsos no Serviço de Sinais dos Estados Unidos e Fredericka Mandelbaum era uma conhecida empresária que dominava uma rede de ladrões de propriedades.
Desafio CiênciArte 10: Um Meme Clássico sobre Vacinas.

Para refletirmos:

  • Em que medida esse quadro retrata questões raciais, sociais, econômicas e de segurança pública?
  • E sobre a concepção de criminosos, sangue e pureza?
  • Como você interpreta este precursor dos MEMES modernos?

A PUREZA E IMPUREZA DO SANGUE E DA VACINA

É melhor não vacinar do que vacinar com vírus impuros. Litografia. 1880. Em “Puck,” vol. 7, no 171 (16 de junho de 1880), p 276. Joseph Keppler, 1838 – 1894. The William H. Helfand Collection, 1988. Licença CC BY NC ND SA.
Desafio CiênciArte 11:

Observando a obra, reflita:

  • Como a questão da impureza retratada na obra acima afeta à compreensão e aceitação da vacina?
Educar não se trata apenas de informar, mas de combater preconceitos, mentiras e visões distorcidas da Ciência e da Medicina.

O Medo das Vacinas ainda hoje

Hoje sabemos que os boatos sobre as vacas não se concretizaram e que as vacinas em geral possuem benefícios para a população por reduzir a propagação de doenças, prevenir e proteger muitas vidas.

Os trabalhos de Edward Jenner foram reconhecidos pelos benefícios que geraram para a sociedade e hoje são exaltados por seu legado. Ele foi nomeado um Fellow of the Royal Society – FRS – pela importância de sua hipótese, de sua aplicação e pelo sucesso de seus resultados para a Defesa da Vida.

Em 1980, a varíola foi erradicada devido às grandes campanhas de vacinação no mundo todo.

E foi assim que surgiu a primeira vacina bem sucedida que se tem registro!

E, ao mesmo tempo, a desinformação, o medo e pavor em torno das vacinas.

Tudo isso mostra que a vacinação que conhecemos hoje foi moldada durante muito tempo e continua sendo moldada a cada geração! A contribuição de cada descoberta, teste, fracasso ou sucesso foi necessária para que hoje pudéssemos ter vacinas capazes de salvar muitas vidas.

Se você se interessa pelo assunto e quer saber mais sobre vacinas, mas perdeu nossa live “Uma picadinha não dói: a importância das vacinas!” no dia 5/2/2021, vem aqui conferir

É preciso vacinar-se para prevenir doenças,
mas também para prevenir-se de desinformação e mentiras criminosas.

REFERÊNCIAS

  1. ALL Timelines Overview. The History of Vaccines. Disponível em: https://www.historyofvaccines.org/timeline/all. Acesso em: 30 jan. 2021.
  2. COMO surgiram as vacinas? Fiocruz, 2019. Disponível em: https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/perguntas-frequentes/69-perguntas-frequentes/perguntas-frequentes-vacinas/213-como-surgiram-as-vacinas#:~:text=No%20s%C3%A9culo%20XVIII%2C%20Edward%20Jenner,de%20que%20se%20tem%20registro. Acesso em: 27 jan. 2021.
  3. FLEMMING, A. The origins of vaccination. Nature, 2020. Disponível em: https://www.nature.com/articles/d42859-020-00006-7. Acesso em: 30 jan. 2021.
  4. HISTORY of Smallpox. Centers for Disease Control and Prevention, 2016. Disponível em: https://www.cdc.gov/smallpox/history/history.html. Acesso em: 25 jan. 2021.
  5. PONTE, G. Conheça a história das vacinas. Fiocruz, 2020. Disponível em: https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/noticias/1738-conheca-a-historia-das-vacinas. Acesso em: 27 jan. 2021.
  6. REZENDE, J. M. Varíola: uma doença extinta. In: À sombra do plátano: crônicas da história da medicina. Editora Unifesp, 2009. p. 227-230. Disponível em: http://books.scielo.org/id/8kf92/pdf/rezende-9788561673635-24.pdf. Acesso em: 30 jan. 2021.
  7. RIEDEL, S. Edward Jenner and the history of smallpox and vaccination. Baylor University Medical Center Proceedings, 2005. v. 18, n.1, p. 21-25. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1200696/. Acesso em: 25 jan. 2021.
  8. VACCINES and immunization. World Health Organization. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/vaccines-and-immunization#tab=tab_1. Acesso em: 29 jan. 2021.

2 Comments on “Vacina: expressões artísticas do medo”

  1. Obrigado. Também adoramos iniciar essas viagens pela ciência e sociedade por meio da arte.

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