Estampas CiênciArte: Moléculas

Capa: estampa científica Moléculas. Acervo pessoal Alicia Ivanissevich.

A Coleção Estampas CiênciArte é uma coletânea mensal de estampas com temáticas científicas, expressando a arte da ciência ou a ciência da arte.

A artista plástica Alicia Ivanissevich nos brindou com sua bela coleção de estampas científicas.

Vamos inaugurar a coleção com o tema Moléculas, nos inspirando também no cientista-artista Roald Hoffmann com trechos de seu belo artigo “A Poesia das Moléculas”.

A Poesia das Moléculas

Moléculas, de Alicia Ivanissevich. Alicita estampas. Licença CC-BY-NC-ND-SA-4.0.
Você pode baixar e usar a estampa para fins pessoais e não comerciais e divulgá-la citando créditos e as condições de uso da licença

Desafio Leitura CiênciArte

– Que moléculas você consegue identificar na estampa?

– As moléculas na estampa são modelos de moléculas reais ou ficcionais?

Poetas encantados por Moléculas

As moléculas são poetizadas em suas diversas conexões com:

A FORMAÇÃO DO UNIVERSO E DA VIDA

“Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei o que o universo jamais começou.” Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro, 1998 (fragmento).

A MATÉRIA EM TODOS NÓS

“Não há ideia mais consoladora do que esta – que eu, e tu, e aquele monte, e o Sol que, agora, se esconde são moléculas do mesmo. Todo, governadas pela mesma Lei, rolando para o mesmo Fim.” Eça de Queiroz. Contos, 1902, (fragmentos).

O AMOR NA ESCALA NANOSCÓPICA

“Uma das leis da termodinâmica, ele pensou. A troca de calor. Moléculas passando entre nós, as delas e as minhas misturando-se em… entropia? Ainda não, ele pensou”. Philip K. Dick. Os três estigmas de Palmer Eldritch, 2015, (fragmento).

O Cientista poetiza a beleza das Moléculas

Roald Hoffmann nos conta em forma de memória de entrevista como ele percebe a beleza das moléculas. O texto faz parte do capítulo The Poetry of Molecules, do livro We are all stardust, Scientists who shaped our world talk about their work, their lives, and what they still want to know, organizado por Ross Benjamin e Stefan Klein. Editora The Experiment, 2015.

Disponibilizado no site de Roald Hoffmann: http://www.roaldhoffmann.com/sites/all/files/documents/970/roald-interview.pdf

“Não deixe o Químico parecer muito rígido”, advertiu o editor de fotos. “Não se preocupe”, respondeu a jovem fotógrafa designada para me acompanhar na conversa com Roald Hoffmann. Ele é um poeta.

Ela estava certa. No escritório de Hoffmann na Universidade Cornell no norte rural de Nova York, não há muita coisa que nos faça lembrar que um cientista mundial famoso trabalha aqui. Máscaras indianas e uma estátua do deus hindu Krishna tocando flauta enfeitam a sala. Há pinhas e edições do Talmud penduradas. Do teto cai uma rede feita de penas. “Um artista indiano da área fez isto”, explica Hoffmann. É um apanhador de sonhos.

Hoffmann nasceu em 1937 em uma família judia em uma cidade perto da então polonesa, agora ucraniana cidade de Lviv. Ele sobreviveu à ocupação alemã escondido em um sótão. Depois da guerra, ele estudou química em Harvard. Ele não tinha nem 27 anos quando fez sua primeira descoberta inovadora. Com seu colega Robert Burns (R.B.) Woodward, ele encontrou regras com as quais reações químicas poderiam ser previstas. Isso lhe rendeu o Prêmio Nobel de Química em 1981.

Os cientistas gostam de apontar a quantidade de suas publicações. A lista de Hoffmann tem quinhentos títulos e continua crescendo. Mas, ela inclui não apenas artigos científicos, mas também ensaios sobre beleza, arte, história intelectual judaica e quatro coleções de poesias aclamadas pela crítica. No momento em que me encontro com ele, Hoffmann está trabalhando em sua terceira peça teatral.

Professor Hoffmann, você tem uma molécula favorita?

A Hemoglobina – o pigmento vermelho no sangue. Cerca de dez mil átomos de hidrogênio e carbono, estão ligados em quatro cadeias que se enrolam uma em torno da outra. A coisa toda funciona como quatro tênias entrelaçadas, fazendo amor. Muito enroscadas, e complicado…

– Sim, mas só à primeira vista. Quatro “discos” conhecidos como hemes, estão encravados entre as torções das cadeias.

O Protein Data Bank Archive está comemorando 50 anos de atividades. Acompanhe as comemorações aqui.

E bem no centro está um átomo de ferro solitário. Isso é de onde vem a cor vermelha.

O oxigênio que nós respiramos se liga ao ferro.

Cada heme toma um ou dois átomos de oxigênio.

Dez mil átomos para embalar todos os oito átomos de oxigênio?

Que desperdício. Mas linda.

Você não acha?

Mulheres podem ser belas;

Cristais de gelo são lindos.

E podemos vê-los.

A Hemoglobina, no entanto,

não é sequer visível sob um microscópio.

Você também não pode ver música,

mas ainda é linda. Podemos ouvi-la.

Desde a antiguidade, os filósofos têm considerado a percepção dos sentidos como central para nossa experiência de beleza.

Um fator muito mais decisivo do que percepção sensorial é o quanto de interesse um objeto desperta em você.

A experiência da beleza vem de uma tensão entre a sua mente e o objeto.

Mas você está certo. O interesse tem que vir de algum lugar. Ele começa com alguma atração sensual. Para um corpo atraente, talvez. Mas Química? Eu embebi sua Ciência direto do leite de minha mãe, por assim dizer. Meu pai (padrasto) Paul Hoffmann era químico, minha mãe (Clara Safran/Hoffmann) e minha avó eram químicas e até meu bisavô foi diretor de um instituto de pesquisas químicas perto de Viena. E ainda assim, entre todas as ciências, a Química era a que menos me cativa.

Esperamos que a beleza do texto cativante de Hoffmann e a beleza da estampa Moléculas cativem sua mente para o tema de moléculas.

Até a próxima Estampa CiênciArte

Lagartas Brasileiras!

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