Em terra firme: Restinga

Restinga em Alagoas. Foto cedida por Fernanda Azevedo

Restinga

A foto que escolhemos para representar esta região mostra bem a faixa de areia que possui uma vegetação rasteira, de cor verde vibrante e que abriga uma fauna bem característica!  É justamente este verde que marca a transição da praia para a restinga –  um cordão de areia, com solo e temperatura próprias que a diferencia de outras paisagens costeiras semelhantes.

Que lugar é esse?

Quando pensamos em restinga, bem no início da praia, a primeira coisa que vem à nossa mente é a areia, aquela bem soltinha onde afundamos os pés; a segunda, o calor de queimar os dedos, visto que a vegetação é baixa e nada de sombra; e, por fim, aquele cheiro e gosto de sal que permeia o ar costeiro, carregado por ventos de embaraçar os cabelos e perder o chapéu.

Bem, todos esses elementos que tornam a restinga tão memorável para nós, são também fatores com os quais animais e plantas que vivem nesses espaços precisam lidar todos os dias para viver.

Quem habita?

Plantas que vivem nesse ambiente têm adaptações que permitem que elas consigam se fixar na areia para poderem viver ali, tem folhas e caules espessos e encerados, que impedem a perda de água no calor, e que são resistentes contra os ventos vindos do mar.

Temos um gradiente de tipos de plantas. Podemos falar que a restinga se inicia com uma vegetação herbácea, plantas essas que nunca encontra as águas salgadas no mar.

Se avançarmos um pouco mais para dentro do continente, a vegetação é do tipo “mata seca”, uma paisagem de transição para outros tipos de vegetação, a depender do local. Por exemplo, a Mata Atlântica do Sudeste ou a Caatinga do Nordeste, tendo um solo menos arenoso – com mais cara de “terra” – e que está menos sujeito às influências do vento e do sal do mar.

Vegetação de restinga herbácea, litoral de Santa Catarina. Detalhe da vegetação, com raízes avermelhadas que se fixam no solo. Foto cedida por Julia Takuno Hespanhol.
Vegetação de restinga herbácea, litoral de Santa Catarina. As plantas rasteiras se estendem pela areia, sem alcançar a linha d’água. Foto cedida por Julia Takuno Hespanhol.


Vários tipos de animais vivem nesses ambientes costeiros, perambulando entre a vegetação da restinga, a faixa de areia e as águas do mar.
Um tipo de criatura muito encontrada nas praias são os crustáceo – siris e caranguejos – que às vezes nos dão aquele susto quando passam correndo entre nossos pés!

Também é possível encontrar aves transitando entres esses ambientes, fazendo sua morada mais no interior do continente, e caçando alimentos na região da restinga e da faixa de areia; além disso, também encontramos pequenos mamíferos, lagartos e insetos, que compõem a cadeia alimentar desse ecossistema.

Caranguejo em praia do Espírito Santo. Foto de Ubirajara Oliveira.

Por que conservar?

A restinga é uma vegetação protegida pela lei brasileira desde 2012, tamanha a sua importância ecológica para a manutenção da vida de espécies que tendem tanto para o continente, quanto para o oceano; além disso, também é fundamental para suportar a vida de animais que vivem no manguezal, outro ambiente costeiro abordado a seguir.

Essa proteção legal não existe à toa. Várias espécies já estão ameaçadas de extinção devido à destruição deste habitat. Uma das espécies afetadas é o Formigueiro-do-Litoral, uma pequena e simpática ave que habita o sudeste brasileiro, e é endêmica da região do Rio de Janeiro, ou seja, só é encontrada naquele lugar. A destruição do habitat ocorre, entre outros motivos, para a construção de prédios e condomínios para humanos, que não levam em conta que aquele lugar já era a casa de alguém antes de nós chegarmos.

Formigueiro-do-Litoral, macho à esquerda, e fêmea à direita (Formicivora littoralis).
Fonte: Wikiaves (CC BY-SA 2.5 BR). Fotos de Sávio Freire Bruno.

Referências do texto

Manual de Ecossistemas Marinhos e Costeiros para Educadores. Org: Cynthia Gerling et al. – Santos, SP: Editoras Comunicar, 2016.

Panorama da conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos no Brasil / Ana Paula Leite Prates, Marco Antonio Gonçalves e Marcos Reis Rosa. 2. ed. rev. ampliada. – Brasília:MMA, 2012.

Wikiaves – site brasileiro de observadores de aves

Dicas de projetos/links ligados ao ambiente Restinga

Projeto de estudo e conservação do formigueiro-do-litoral
O Laboratório de Ecologia de Aves vem desenvolvendo pesquisa básica,incluindo distribuição atual, dieta, uso do espaço (territórios), biologia reprodutiva e variabilidade genética sobre o formigueiro-do-litoral. Os objetivos do projeto são ampliar o conhecimento sobre a distribuição geográfica e o uso do hábitat desta ave; determinar o tamanho de territórios e a ecologia alimentar; mapear os locais de nidificação e investigar a biologia/ecologia reprodutiva; avaliar a variabilidade genética das populações.

Plano Nacional de Conservação do Formigeiro-do-litoral
O Plano de Ação Nacional para a Conservação do Formigueiro-do-litoral (PAN Formigueiro-do-litoral), foi publicado através da Portaria 93/2010 e tem como objetivo “manter a viabilidade populacional (genética e demográfica) de Formicivora littoralis”.

Projeto Restinga Viva
Um dos projetos do BRBIO, tem como missão a conservação da Restinga de Massambaba, Região dos Lagos, RJ. O objetivo geral da primeira etapa do Projeto Restinga Viva é a conservação dos remanescentes de restinga do município de Arraial do Cabo através do envolvimento de diferentes setores da comunidade local.

Você conhece algum outro projeto ligado a restinga?  Escreva para nós sua dica na caixa Comentários!

Dica de jogo/material didático sobre a temática

Calangos
O jogo Calangos é baseado na modelagem de um caso ecológico real relativo às Dunas do Médio São Francisco, no Estado da Bahia, investigado por pesquisadores brasileiros. O objetivo final do jogo é possibilitar ao estudante um ambiente com suficiente realismo, permitindo uma compreensão adequada dos processos ecológicos e evolutivos.

Calangos é um jogo de simulação e ação com visualização 3D em primeira ou terceira pessoa, ambientado na região das dunas do rio São Francisco, no qual o jogador controla um lagarto de uma entre três das espécies endêmicas da região: Tropidurus psammonastes, Cnemidophorus sp. nov., e Eurolophosaurus divaricatus.

Imagens do jogo

Trata-se de um jogo eletrônico educativo que deve funcionar como ferramenta de apoio ao ensino e aprendizagem de ecologia e evolução no nível médio de escolaridade. Assim, não se trata de um jogo de exposição direta de conteúdos a serem aprendidos pelo estudante-jogador, mas de aprendizagem decorrente da experiência na tentativa de resolver situações-problema.

Para saber mais e baixar o jogo, clique AQUI

Veja também

Vamos brincar com origami do passarinho residente na restinga?
Clique AQUI

Baixe a publicação para conhecer mais e mais sobre o passarinho formigueiro-do-litoral, na publicação do ICMBIO, 2010.
Clique AQUI


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