II Curso Inter-Museus fortalece formação de mediadores para espaços de ciência

Iniciativa do Espaço Ciência Viva reuniu jovens, educadores e instituições parceiras em duas semanas de atividades voltadas à educação museal, divulgação científica e práticas de mediação.

Texto por ALine Souza | Fotos de divulgação da rede de instituições

Entre os dias 13 e 24 de julho, o Espaço Ciência Viva realizou a segunda edição do Curso Inter-Museus: Formação de Mediadores para Centros e Museus de Ciências, reunindo participantes de diferentes regiões do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana. O curso contou com estudantes do ensino médio, da graduação e da pós-graduação, professores da Educação Básica e mediadores das instituições parceiras, promovendo uma formação pautada na inclusão, na diversidade, na equidade de gênero e na abordagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).

Durante duas semanas, o Espaço Ciência Viva foi palco de uma intensa programação de palestras, oficinas e visitas técnicas, realizada em parceria com seis importantes instituições de divulgação científica: Casa da Ciência/UFRJ, Ciência sob Tendas, Museu da Física (LADIF/UFRJ), Espaço Ciência InterAtiva, Museu de Anatomia “Por Dentro do Corpo” (UFRJ) e Casa da Ciência Planetário de Maricá.

O objetivo do curso foi preparar novos mediadores para atuar em museus e centros de ciência de forma criativa, acessível e participativa, fortalecendo o papel da mediação científica como ferramenta de aproximação entre a produção do conhecimento e a sociedade.

Por Dentro do Corpo – Museu de Anatomia

Para a professora Tânia Goldbach, vice-presidente do Espaço Ciência Viva e integrante da equipe organizadora, “a educação museal promove a formação de profissionais da mediação e do diálogo, com o objetivo de trocar conhecimentos sobre ciência com o público”.

A professora Andrea Costa, da Unirio e do Museu Nacional, também destacou a importância da formação contínua desses profissionais. Segundo ela, “garantir a formação de educadores museais é função das organizações que atuam no campo da divulgação científica e dos órgãos governamentais científicos. Para um bom mediador museal é imprescindível a arte de improvisar, mas só consegue improvisar quem domina o conhecimento científico”.

A programação teve início com a palestra do professor Ildeu de Castro Moreira, um dos fundadores do Espaço Ciência Viva, que apresentou um panorama histórico da divulgação científica no Brasil. No mesmo dia, os participantes visitaram a exposição Floresta em Jogo: uma aventura pela biodiversidade, na Casa da Ciência da UFRJ, sob coordenação de Livia Mascarenhas.

Ao longo do curso, os participantes conheceram diferentes espaços de ciência e suas práticas de mediação. No Museu da Vida/Fiocruz, visitaram exposições interativas, assistiram ao espetáculo O Fim da Picada, do grupo Ciência em Cena, e participaram da palestra Gênero e Interseccionalidade na Divulgação Científica, ministrada por Gabriela Reznik e Mônica Damouche.

Museu da Vida / Fiocruz

As atividades também abordaram temas como infância nos museus, popularização da ciência, inteligência artificial aplicada à divulgação científica, itinerância dos museus e o legado de Maurice Bazin para os espaços não formais de educação científica.

No Espaço Ciência InterAtiva, o grupo aprofundou reflexões sobre divulgação científica em ambientes não formais. Já no Museu de Anatomia “Por Dentro do Corpo”, a coordenadora Ludmila Ribeiro apresentou experiências de mediação que demonstram como despertar o interesse pela ciência por meio de atividades interativas e acessíveis.

Casa da Ciência – Planetário de Maricá

O Planetário de Maricá também integrou o roteiro do curso. Além de conhecerem o funcionamento dos planetários digitais, os participantes assistiram à palestra sobre constelações de culturas ancestrais e indígenas, ministrada pelo professor Paulo Colonese, e discutiram conceitos de astronomia cultural com Jackson de Faria, físico e coordenador do espaço.

No encerramento, os cursistas apresentaram oficinas desenvolvidas em grupos sobre cinco temas contemporâneos: Inteligência Artificial; Vacinas e Fake News; A Sinfonia do Som; Energia Renovável e Futuro Sustentável; e Mudanças Climáticas no Meu Bairro. As propostas foram avaliadas por uma banca formada por professores e conselheiros do Espaço Ciência Viva, que ofereceram sugestões para o aprimoramento das atividades e das práticas de mediação.

Avaliação de Oficinas do grupo

Eleonora Kurtenbach, da Biofísica/UFRJ e integrante da coordenação do ECV, destacou a riqueza do trabalho coletivo. “Fico muito feliz de ver aqui reunidas pessoas diversas, de áreas diferentes, envolvidas na criação de algo tão rico para a divulgação científica. A parceria com outros espaços de ciência também foi muito positiva. Esse intercâmbio gera conexão.”

Durante a avaliação das oficinas, Gabriela Bevilacqua, coordenadora de projetos do Espaço Ciência Viva, ressaltou a importância de uma mediação baseada na escuta e na participação do público. Segundo ela, o mediador deve estimular o diálogo e partir dos conhecimentos prévios dos visitantes, evitando transformar a experiência em uma aula expositiva.

O presidente do Espaço Ciência Viva, Guilherme Lessa, chamou atenção para a necessidade de adaptar a linguagem às diferentes faixas etárias e reforçou que as oficinas estão em constante processo de aperfeiçoamento. Carolina Chamusca, da coordenação pedagógica do ECV, destacou o comprometimento do grupo durante todo o curso e a criatividade demonstrada na elaboração das oficinas em um curto espaço de tempo.

Entre as recomendações finais dos avaliadores estiveram aspectos essenciais para uma mediação de qualidade, como a promoção da inclusão e de práticas anticapacitistas, a valorização das linguagens artísticas nas equipes, a organização dos espaços das oficinas, o uso de estratégias mais interativas para apresentação de dados e mapas, além da importância da empatia, da escuta ativa e do diálogo com os visitantes.

Turma do II Curso Inter-Museus

A segunda edição do Curso Inter-Museus reafirmou a importância da formação de mediadores para fortalecer a divulgação científica e aproximar a sociedade do conhecimento produzido nas universidades e instituições de pesquisa. Mais do que transmitir conteúdos, o curso mostrou que a mediação científica é uma prática de construção coletiva do conhecimento, capaz de despertar o interesse pela ciência por meio do diálogo, da criatividade e da participação.

Veja mais no Instagram do ECV sobre o II Curso Inter-Museus 2026

Lançamento da programação

Início das atividades dia 13/07

LabDEC/Nutes dia 14/07

ABCMC/UniRio dia 14/07

Museu da Vida Fiocruz dia 15/07

Por dentro do Corpo / Ladif

Ladif

Por dentro do corpo – CCS UFRJ

Ciência sob Tendas – Itinerância dia 21/07


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