Imagem de capa: Astronauta da NASA Christina Hammock Koch posa para uma foto. Koch foi designada como Especialista de Missão da missão Artemis II. 03/04/2023. Crédito: NASA.
Narrativa ficcional baseada na biografia e fatos reais da astronauta.
Meu nome é Christina Hammock Koch, e eu sou especialista da Missão Artemis II.
Eu gosto muito do nome da missão, pois carrega uma poderosa força feminina, a deusa grega Artemis.
Na mitologia grega mais antiga, Ártemis não era uma deusa lunar.
Ela era deusa da caça, da natureza selvagem, dos animais, da proteção das jovens, dos rituais de passagem e do do parto.
Ártemis caçava à noite, quando a Lua ilumina florestas e montanhas, os animais estão mais ativos e o mundo humano dorme. Assim, aos poucos, a Lua se torna a luz da deusa nos espaços selvagens.
Mas a Lua não é um atributo estético de Ártemis, ela simboliza: seu domínio sobre o tempo natural, sua ligação com a noite e o desconhecido, sua independência do mundo masculino e seu papel como deusa dos ciclos.
Uma história poderosa, não!?
Na Missão Artemis II, meu trabalho é liderar operações relacionadas aos sistemas da Nave Orion e aos experimentos a bordo, garantindo que tudo funcione corretamente durante cada etapa da missão.
Uma menina muito curiosa
Mas essa história não começou em uma nave espacial.
Ela começou quando eu ainda era uma menina, cheia de curiosidade e perguntas sobre o mundo.
Eu nasci em29 de janeiro de 1979, na cidade de Grand Rapids, Michigan, nos Estados Unidos.
E cresci em Jacksonville, Carolina do Norte, onde passei a maior parte da minha infância e adolescência. Eu cresci em uma família que acreditava profundamente no valor da educação. Meus pais sempre me incentivaram a fazer perguntas, a ler, a explorar e, principalmente, a não desistir quando algo parecia difícil.
Quando criança, eu adorava observar a natureza, entender como as coisas funcionavam e imaginar como o mundo poderia ser mais bem estudado e cuidado. A ciência, mesmo sem eu perceber, já fazia parte da minha vida todos os dias.
Na escola, descobri que tinha afinidade com matemática, física e engenharia. Essas matérias nem sempre eram fáceis, e houve momentos em que pensei em desistir. Mas aprendi algo muito importante:
sentir dificuldade não significa não ser capaz,
significa que você está aprendendo.
Me tornei Engenheira
Estudei na North Carolina School of Science and Mathematics (NCSSM), uma escola pública altamente seletiva voltada para ciências e tecnologia, e me graduei em 1997.
E segui meus estudos na universidade North Carolina State University (NCSU), em Raleigh, e me formei em Engenharia Elétrica e Física (2001), áreas desafiadoras, mas cheias de possibilidades. Mais tarde, fiz pós-graduação em Engenharia Elétrica, (2002) aprofundando meus conhecimentos em sistemas complexos — algo essencial para trabalhar no espaço.
Participei do NASA Academy Program no Goddard Space Flight Center ainda no início da carreira, o que foi importante para minha formação técnica em instrumentos científicos espaciais.
Nos extremos polares da Terra
Antes de me tornar astronauta, trabalhei em locais extremos da Terra, inclusive na Antártida. Entre 2004 e 2007, trabalhei como pesquisadora associada no United States Antarctic Program (USAP), um programa científico do governo dos EUA que mantém bases de pesquisa permanentes na Antártida.
Nesse período, passei mais de três anos alternando entre a Antártida e o Ártico, incluindo um inverno completo no Polo Sul, algo que pouquíssimas pessoas no mundo já fizeram.
Eu trabalhei em duas estações científicas:
- A Estação Amundsen‑Scott no Polo Sul geográfico, onde permaneci isolada durante o inverno antártico. Durante esse período: Não há voos, as temperaturas podem chegar a –60 °C e a estação fica meses em completa escuridão.
- A Estação Palmer, situada na costa da Antártida. Lá, trabalhei em pesquisas oceânicas, climáticas e glaciológicas. Fiquei nessa estação durante a temporada de verão, quando há mais atividades científicas.
Lá, enfrentei frio intenso, isolamento e desafios físicos e emocionais. Sem saber, aquele ambiente estava me preparando para algo ainda maior.
Astronauta da NASA: Estação Espacial Internacional
Em 2013, fui selecionada para me tornar astronauta da NASA. O treinamento foi longo e exigente: estudos técnicos, exercícios físicos, simulações e trabalho em equipe em situações de alta pressão.
Em 2019, vivi uma experiência extraordinária: fui enviada à Estação Espacial Internacional.
Eu voei para a ISS em 14 de março de 2019, a bordo da nave russa Soyuz MS‑12. E atuei como engenheira de voo nas Expedições 59, 60 e 61. Retornei à Terra em 6 de fevereiro de 2020. Assim, permaneci 328 dias consecutivos no espaço, estabelecendo o recorde mundial feminino de voo espacial contínuo.
Como engenheira de voo, fui responsável por tarefas essenciais para a sobrevivência da tripulação e o funcionamento da ISS, incluindo:
- Monitoramento e manutenção de: sistemas elétricos, sistemas de suporte à vida (oxigênio, água e remoção de CO₂) e os computadores e sistemas de controle da estação.
- Operação do braço robótico Canadarm2, usado para: Movimentar cargas, apoiar caminhadas espaciais e capturar veículos de abastecimento.
Essas funções são críticas: falhas podem colocar toda a tripulação em risco.
Durante a missão, eu trabalhei em centenas de experimentos científicos, em parceria com pesquisadores da Terra, nas áreas de: Biologia e saúde humana, Ciências físicas e tecnologia e Observação da Terra.
Eu realizei seis caminhadas espaciais (EVAs), somando 42h15min fora da estação. Em 18 de outubro de 2019, eu e Jessica Meir realizamos a primeira caminhada espacial composta exclusivamente por mulheres, substituindo uma unidade de controle de energia defeituosa na ISS.

A minha permanência de 328 dias na estação espacial foi estratégica para a NASA, pois serviu como teste real para missões futuras, como: as missões lunares do programa Artemis e futuras missões tripuladas a Marte. Nesse período, estudamos sobre os efeitos do isolamento prolongado, o ritmo biológico sem ciclos normais de dia/noite e o desempenho humano sob stress contínuo.

Aprendi, na prática, o que significa resistência: resistir ao cansaço, à saudade de casa, aos desafios físicos e mentais, e ainda assim continuar focada, aprendendo e contribuindo para a ciência.
Lá em cima, percebi que somos mais fortes do que imaginamos.
Missão Artemis II
Hoje, faço parte da missão Artemis II como especialista de missão.
Minha responsabilidade é garantir que os sistemas da nave funcionem corretamente e que os experimentos científicos sejam executados com precisão.
Cada tarefa, cada procedimento, cada detalhe foi treinado exaustivamente.
No espaço, não existe “mais ou menos certo” — tudo precisa funcionar perfeitamente.
Eu não sou especial porque fiquei mais tempo no espaço.
Eu sou especial porque não desisti quando o caminho ficou difícil.
Talvez, no futuro, quando olharmos para a Lua ou ainda mais longe, seja você quem estará fazendo os experimentos, liderando sistemas e abrindo novos caminhos.
O espaço precisa de mentes curiosas.
E de pessoas que sabem resistir.



