Imagem de capa: Astronauta Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA) e especialista da missão Artemis II, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A Artemis II é a primeira missão tripulada no caminho da NASA para estabelecer uma presença lunar de longo prazo para ciência e exploração no âmbito do programa Artemis e é a primeira missão com astronautas à Lua. Crédito: NASA/Kim Shiflett. Acervo NASA IMAGES.
Narrativa ficcional baseada na biografia e fatos reais sobre o astronauta Jeremy Hansen.
Olá, meu nome é Jeremy Hansen, e eu quero começar dizendo algo importante: eu não nasci astronauta. Como vocês, eu comecei minha história com curiosidade, perguntas e muitos sonhos.
Nasci em London, na província de Ontário, no Canadá, em 1976, e cresci em uma família que sempre valorizou o esforço, a educação e o trabalho em equipe. Meus pais me ensinaram desde cedo que aprender é um processo contínuo e que errar faz parte do caminho. Eles nunca me disseram exatamente o que eu deveria ser, mas sempre me incentivaram a fazer o meu melhor naquilo que escolhesse.
Desde jovem, eu era fascinado por aviões, ciência e tecnologia. Gostava de entender como as coisas funcionavam — porque algo voa, como sistemas complexos se mantêm estáveis e como decisões bem tomadas podem fazer a diferença. Essa curiosidade me levou a investir seriamente nos estudos.

Me preparando para voar
Eu ingressei no Royal Canadian Air Cadets aos 12 anos.
Obtive licença de piloto de planador aos 16 anos e licença de piloto privado aos 17 anos. Sempre fui apaixonado pela aviação.
Segui uma formação sólida em engenharia, que me deu as bases para resolver problemas complexos, trabalhar com sistemas técnicos e pensar de forma estruturada. Cursei Bacharelado em Ciência Espacial na Royal Military College of Canada (RMC), em Kingston, Ontário que conclui em 1999, com a First Class Honours, sendo reconhecido como Top Air Force Graduate da minha turma.
Em 1994, ele foi aceito para o treinamento de oficiais das Forças Armadas Canadenses, iniciando minha carreira militar. A partir desse ingresso, passei pela formação no Royal Military College e, anos depois, me qualifiquei como piloto do caça CF‑18 Hornet, consolidando minha carreira na aviação militar canadense.
Foi um período extremamente exigente, que me ensinou disciplina, liderança, tomada de decisão sob pressão e, acima de tudo, confiança no trabalho coletivo. No ar, ninguém trabalha sozinho.
Em 2000, conclui o Mestrado em Física também pela Royal Military College of Canada, onde pesquisei o rastreamento de satélites com campo de visão amplo.

Na Agência Espacial Canadense (CSA)
Em 2008, a Agência Espacial Canadense anunciou o 3º processo nacional de recrutamento de astronautas com o objetivo de selecionar dois novos astronautas para integrar o corpo canadense e atuar em missões da NASA, ISS e futuras explorações além da órbita terrestre. E, em 2009, fui selecionado como astronauta pela Agência Espacial Canadense (CSA).
A partir dali minha vida passou a girar em torno de treinamento intensivo: engenharia de sistemas espaciais, robótica, operações em órbita, comunicações, sobrevivência em ambientes extremos e trabalho em equipes internacionais. Tornar-se astronauta não é apenas pilotar uma nave — é entender profundamente cada sistema, antecipar riscos e apoiar seus colegas em todos os momentos.
Após entrar na CSA, conclui o treinamento básico de astronauta em 2011.
Atuei como comunicador entre astronautas e o controle de missão em Houston(CAPCOM).
E participei de treinamentos extremos: o CAVES (da ESA) com simulação de missões em cavernas e o NEEMO (da NASA) com missões subaquáticas em habitat submarino.
Durante minha carreira como astronauta, atuei como especialista de missão, coordenando monitoramentos técnicos, comunicações e demonstrações operacionais.
Essas atividades são essenciais para testar tecnologias, validar procedimentos e preparar missões ainda mais ambiciosas. Cada simulação, cada treinamento e cada tomada de decisão servem a um propósito maior: levar a humanidade mais longe, com segurança e conhecimento científico.
Missão Artemis II
Hoje, tenho a honra de ser o primeiro canadense designado para uma missão ao redor da Lua, no âmbito do programa Artemis. Esse momento não é apenas um marco pessoal — ele simboliza algo muito maior: o caráter internacional da exploração espacial. O espaço não pertence a um país, mas à humanidade. Canadenses, americanos, europeus e muitos outros profissionais trabalham lado a lado, unidos por um objetivo comum.
Quando digo “juntos, formamos uma equipe construída sobre confiança, competência e um profundo compromisso com a exploração científica”, falo da essência do que é ser astronauta.

Como especialista de missão, desempenho funções críticas para o sucesso e a segurança do voo, especialmente por se tratar de uma missão de teste em espaço profundo. As minhas responsabilidades incluem:
- Monitoramento e validação de sistemas: Acompanhamento do desempenho de: sistemas de suporte à vida, comunicações, navegação, energia e computadores de bordo; Identificação de anomalias durante o voo ao redor da Lua; e Apoio à tomada de decisão em situações normais e de contingência.
- Execução de tarefas técnicas e procedimentos de teste: Participação direta nos testes operacionais da nave Orion, que é o principal objetivo da Artemis II; a coleta e registro de dados críticos para: validar a espaçonave, preparar as próximas missões (especialmente a Artemis III, com pouso lunar).
- Coordenação com o controle da missão: Atuação como elo técnico entre a tripulação e o Mission Control, em Houston; e a comunicação de dados, status de sistemas e execução de procedimentos previamente testados em simulações.

Cada membro da equipe confia plenamente nos demais.
Cada um traz suas habilidades, sua cultura e sua experiência.
É essa diversidade, aliada ao rigor científico e técnico, que nos permite avançar.
Além de minhas funções técnicas, tenho um papel de grande relevância institucional. Eu serei o primeiro astronauta canadense a viajar além da órbita baixa da Terra e contornar a Lua. Uma grande responsabilidade para meu país e as futuras gerações de astronautas.
A exploração começa com a curiosidade.
Não importa de onde você venha ou qual seja sua realidade hoje.
O que importa é o desejo de aprender, de colaborar e de nunca parar de fazer perguntas.
O futuro da ciência, da tecnologia e da exploração espacial pode muito bem começar com um de vocês.
Olhem para o céu — mas mantenham os pés firmes no estudo, no trabalho e na cooperação.
É assim que transformamos sonhos em missões reais.

