Missão Artemis II: Reid Wiseman

Imagem de capa: Tripulação oficial da Artemis II, da esquerda: Astronautas NASA Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman (sentado) e Astronauta Agência Espacial Canadense Jeremy Hansen. Fotógrafo Josh Valcarcel. Acervo Flickr NASA.

Narrativa ficcional baseada na biografia e fatos reais.

Olá, meu nome é Reid Wiseman, comandante da missão Artemis II, e hoje tenho a honra de apresentar ao mundo esta missão histórica — a primeira missão tripulada a levar seres humanos de volta à vizinhança da Lua em mais de 50 anos.

A Artemis II é mais do que um voo espacial.

Ela representa um reencontro da humanidade com o espaço profundo e um passo decisivo rumo a um futuro em que viver, trabalhar e explorar além da Terra será parte da nossa realidade.

Um garoto curioso

Mas antes de vestir um traje espacial e comandar uma nave chamada Orion, eu fui apenas um garoto curioso, tentando entender o mundo ao meu redor.

Eu nasci em Baltimore, no estado de Maryland, nos Estados Unidos, e cresci em uma família que valorizava muito educação, disciplina e esforço.

Meu pai, Bill Wisemanm é advogado e incentivava minha curiosidade e sempre me acompanhava em atividades que despertaram meu interesse por máquinas, trens e aviação. Meus pais sempre me ensinaram que aprender é uma aventura que dura a vida inteira.

Quando criança, eu gostava de explorar, desmontar coisas e fazer perguntas. Queria saber como os objetos funcionavam, por que as coisas se moviam, como as máquinas obedeciam a comandos. Eu ainda não sabia, mas aquele interesse por entender sistemas complexos estava desenhando meu futuro.

Com o tempo, percebi que aprender sobre ciência e tecnologia me deixava cada vez mais motivado. Eu estudei engenharia no Instituto Politécnico Rensselaer (RPI) em Troy, no estado de Nova IorqueYork e conclui minha graduação como Bacharek em Engenharia de Sistemas e Computaçãoem 1997. Em seguida, fiz Mestrado em Engenharia de Sistemas na Universidade Johns Hopkins, concluído em 2006.

Toda a minha formação acadêmica em engenharia é fortemente voltada para sistemas complexos, uma área que une lógica, matemática e resolução de problemas — habilidades essenciais para quem, um dia, quer trabalhar no espaço.

Aprendendo a Voar

Mas eu também sonhava em voar.

Em 1999, fui comissionado como oficial por meio do programa do Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva Naval (NROTC) logo após se formar no Instituto Politécnico Rensselaer. E iniciei o meu treinamento de voo para me tornar aviador naval na Naval Air Station Pensacola, na Flórida.

Desse modo, me tornei piloto de aviões de alta performance. Voar não é apenas controlar uma aeronave — é aprender a tomar decisões rápidas, confiar na equipe e manter a calma em situações extremas.

Mais tarde, tive a oportunidade de estudar na Escola de Pilotos de Teste da Marinha (U.S. Naval Test Pilot School) onde aprendi a voar aeronaves experimentais e a testar sistemas novos. Ali, cada voo era uma lição sobre responsabilidade e precisão.

Em 2009, fui selecionado para ingressar no corpo de astronautas da NASA. O treinamento foi desafiador: simuladores, estudo de engenharia espacial, sobrevivência, liderança e muito trabalho em equipe.

Reid Wiseman, engenheiro de voo da Expedição 40, realiza manutenção de rotina em voo no Aparelho de Combustão de Gotas Multiusuário dentro do Rack Integrado de Combustão no laboratório Destiny da Estação Espacial Internacional. 11 de agosto de 2014. Acervo Flickr NASA NASA#2008337.

A Estação Espacial Internacional

Em 2014, vivi uma das experiências mais transformadoras da minha vida: passei quase seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Viajamos para a estação espacial com a Soyuz TMA‑13M em 28 de maio e retornamos em 10 de novembro.

Como engenheiro de voo, eu fui responsável por:

  • Monitorar sistemas vitais da ISS (energia, suporte à vida, controle térmico).
  • Realizar manutenções preventivas e corretivas.
  • Operar braços robóticos e sistemas de acoplamento.
  • Apoiar a chegada e partida de naves cargueiras e tripuladas.

Esse trabalho é essencial para manter a ISS funcionando como um laboratório orbital permanente.

Nossa equipe realizou mais de 300 experimentos científicos, cobrindo diversas áreas:

  • Fisiologia humana (efeitos da microgravidade em músculos, ossos e sistema cardiovascular).
  • Medicina e biologia (resposta imunológica, perda óssea, visão).
  • Ciência dos materiais (solidificação de ligas metálicas e fluidos em microgravidade).
  • Ciências da Terra (fotografia da Terra para estudos climáticos).
  • Astrofísica (observações de partículas e fenômenos espaciais).

Na época, nossa equipe bateu um recorde de 82 horas de pesquisa em uma única semana.

E também realizei duas Atividades Extraveiculares (Extra-Vehicular Activity, EVA), totalizando cerca de 12h47min fora da estação.

  • A primeira (EVA 1) em 7 de outubro de 2014, com meu colega Alexander Gerst da Agência Espacial Europeia (ESA). Nossa tarefa era realocar uma bomba de refrigeração e instalar um dispositivo de backup elétrico.
  • A segunda (EVA 2) em 15 de outubro de 2014, com meu colega Barry Wilmore. Nossa tarefa era substituir um regulador de energia (Sequential Shunt Unit) e preparar a ISS para novos adaptadores de acoplamento.

Essas EVAs foram críticas para a continuidade operacional da estação.

Lá de cima, vi a Terra como um todo — sem fronteiras, frágil e incrivelmente bela. Aquela visão muda a forma como você entende seu papel no mundo.

E compartilhei essas emoções tirando fotos icônicas da Terra, relatando o cotidiano na ISS via Twitter e vídeos para humanizar a experiência espacial para o público, ajudando a divulgar o trabalho da Estação Espacial Internacional.

Observação da Terra feita durante uma passagem noturna da tripulação da Expedição 40 a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Aproximando-se de São Francisco à noite. 10 de agosto de 2014. Reid Weisman. Acervo Images NASA.

Você pode ver as fotos que nossa tripulação tirou no site da Imagens NASA.

Comandante da Artemis II

Hoje, como comandante da Artemis II, minha responsabilidade é liderar a tripulação, garantir a segurança da missão e tomar decisões nos momentos mais críticos.

Não é um cargo de poder — é um cargo de confiança.

A Artemis II é um passo essencial para que a humanidade volte à Lua e aprenda a viver e trabalhar em espaço profundo, preparando o caminho para missões ainda mais distantes, como Marte.

Tenho o privilégio de dividir esta missão com três astronautas extraordinários, cuja experiência, dedicação e espírito de equipe tornaram este momento possível.

Tripulação oficial da Artemis II, da esquerda: Astronautas NASA Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman, Astronauta Agência Espacial Canadense Jeremy Hansen. Fotógrafo Josh Valcarcel. Acervo Flickr NASA.

Christina Koch, NASA, especialista de missão, lidera operações relacionadas aos sistemas da nave e aos experimentos a bordo. Christina sabe melhor do que ninguém o que significa resistência no espaço — ela participou da missão espacial contínua mais longa já realizada por uma mulher.

Victor Glover, NASA, nosso piloto, é responsável por operar os sistemas críticos da Nave Orion durante as fases mais delicadas da missão, incluindo lançamento, manobras orbitais e reentrada. Ele traz consigo a experiência de longas missões a bordo da Estação Espacial Internacional.

Jeremy Hansen, astronauta da Agência Espacial Canadense e especialista de missão, coordena monitoramentos técnicos, comunicações e demonstrações que ajudarão a preparar futuras missões tripuladas à superfície lunar. Ele é o primeiro canadense designado para uma missão ao redor da Lua, o que simboliza o caráter internacional do programa Artemis. Juntos, formamos uma equipe construída sobre confiança, competência e um profundo compromisso com a exploração científica.

Nenhum de nós chegou até aqui por acaso. Treinamos intensamente por mais de cinco anos, em simuladores avançados, ambientes extremos na Terra, centros de controle de missão e instalações de testes da nave Orion e do foguete Space Launch System.

Estudamos procedimentos de emergência, navegação em espaço profundo, sistemas de sobrevivência e trabalho em equipe sob pressão absoluta.

Cada cenário foi repetido inúmeras vezes — até que cada decisão se tornasse instintiva.

A missão Artemis II terá duração aproximada de 10 dias. Nossa nave realizará um sobrevoo da Lua, sem pouso, alcançando milhares de quilômetros além da sua face visível e retornando em segurança à Terra.

Os principais objetivos são:

  • Testar completamente os sistemas da nave Orion com tripulação a bordo;
  • Avaliar o desempenho humano em missões além da órbita terrestre baixa;
  • Validar procedimentos que permitirão futuras missões pousarem novamente na Lua;
  • Preparar o caminho para a presença humana sustentada no espaço profundo — e, um dia, em Marte.

Cada dado coletado, cada decisão tomada e cada quilômetro percorrido servirá como base para as próximas gerações de exploradores.”

A Artemis II não pertence apenas à nossa tripulação, nem à NASA, nem a um único país.

Ela pertence a todos que olham para o céu e se perguntam o que existe além.

Levamos conosco a curiosidade, a coragem e a esperança da humanidade.

Nos vemos no caminho de volta da Lua!

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