Imagem de capa: Piloto e 2o. Comandante da Missão Artemis II, Victor Glover. Foto: Robert Markowitz/NASA.
Narrativa ficcional baseada na biografia do astronauta e fatos reais.
Olá, meu nome é Victor Gerome Glover Jr., e eu sou o piloto da missão Artemis II.
Isso significa que sou responsável por operar os sistemas críticos da Nave Orion nos momentos mais delicados da viagem: o lançamento, as manobras no espaço e a reentrada na Terra.

Um garoto curioso
Mas antes de chegar aqui, eu fui apenas um garoto curioso, cheio de sonhos e dúvidas — como muitos de vocês.
Eu nasci em Pomona, Califórnia, nos Estados Unidos, em 30 de abril de 1976. E cresci em uma família que acreditava muito em educação, esforço e responsabilidade. Meu avô serviu na Força Aérea dos Estados Unidos durante a Guerra da Coreia, o que influenciou o interesse da família pela aviação e serviço militar.
Quando criança, eu gostava de observar como as coisas funcionavam, desmontar objetos e imaginar como seriam máquinas maiores, mais rápidas… e mais altas.
O céu sempre me chamou a atenção.
Na escola, nem tudo era fácil. Houve momentos em que precisei me esforçar muito para acompanhar. Com o tempo, percebi que gostava de matemática, ciências e engenharia — matérias que ajudam a resolver problemas do mundo real. Estudei na Ontario High School, em Ontario, Califórnia, concluindo o Ensino Médio em 1994.
Depois, ingressei na California Polytechnic State University (Cal Poly), em San Luis Obispo. E conclui o Bacharelado em Ciências da Engenharia Geral em 1999.
Nada disso foi simples. Muitas noites de estudo, muitos erros, muitas correções. Mas cada dificuldade me preparava para desafios maiores.
Quando me tornei piloto de voo
Em 1999, logo após se formar em Engenharia Geral pela California Polytechnic State University, fui comissionado como oficial da Marinha dos Estados Unidos. E assim, ingressei na carreira de Aviação Naval dentro da Marinha americana. Foi lá que me tornei piloto militar, aprendendo a voar aeronaves complexas, em alta velocidade, sob grande pressão.
Mais tarde, me tornei piloto de teste, avaliando aeronaves novas e sistemas que ainda estavam sendo aperfeiçoados. Esse trabalho exige atenção absoluta aos detalhes — algo essencial para quem um dia operaria uma nave espacial. Ao longo de minha carreira, acumulei mais de 3.000 horas de voo em mais de 40 tipos de aeronaves militares.
Aprendi que voar um avião não é só segurar o controle.
Voar em um avião é:
confiar na equipe,
manter a calma em situações difíceis,
tomar decisões rápidas e corretas.
Astronauta da NASA
Entre 2006 e 2007, cursei a U.S. Air Force Test Pilot School, em Edwards Air Force Base na Califórnia, onde obtive um Mestrado em Engenharia de Testes de Vôo. Pilotos de teste são responsáveis por: avaliar novas aeronaves, validar sistemas de voo e trabalhar diretamente com engenheiros aeroespaciais. Essa etapa foi decisiva para minha futura seleção como astronauta da NASA.
Em junho de 2013, fui selecionado para me tornar astronauta da NASA, integrando o Grupo 21 de Astronautas da NASA. Esse grupo marcou a retomada de seleções de astronautas após o fim do Programa do Ônibus Espacial.
O treinamento foi um dos períodos mais exigentes da minha vida: simuladores, testes físicos, estudos avançados, trabalho em equipe e preparação para situações de emergência.
Na Estação Espacial Internacional
Em 2020, vivi um sonho extraordinário: passei mais de seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional. E me tornei o primeiro astronauta negro a integrar uma missão de longa duração a bordo da Estação Espacial Internacional na Missão Space X Crew‑1.
A Crew-1 foi a primeira missão operacional tripulada da cápsula Crew Dragon.
Eu permaneci na ISS por cerca de 168 dias, de novembro de 2020 a maio de 2021, integrando as Expedições 64 e 65.
Na estação espacial, realizei 4 caminhadas espaciais (EVAs), com um tempo total fora da estação de mais de26 horas. As principais tarefas que realizei nas EVAs foram: a instalação e atualização de painéis solares (iROSA – International Space Station Roll‑Out Solar Arrays); a manutenção da estrutura externa da estação; a preparação da ISS para futuras expansões e maior demanda energética. Essas atividades são críticas para garantir energia suficiente à ISS e a novos módulos e experimentos.

Lá, vi a Terra de um jeito que poucas pessoas veem — pequena, frágil e sem fronteiras.
Aquela experiência mudou a forma como vejo o mundo e meu papel nele.
O maior desafio não foi apenas técnico, foi humano: ficar longe da família, manter o foco sob pressão, e confiar na equipe mesmo quando tudo parece difícil.
Aprendi que ninguém chega longe sozinho.
Na Missão Artemis II
A Missão Artemis II é uma missão de teste em espaço profundo que exige um perfil muito específico:
- Piloto de testes formado pela U.S. Air Force Test Pilot School;
- Aviador naval com mais de 3.000 horas de voo; mais de 400 pousos em porta‑aviões; e experiência em aeronaves F/A‑18 e EA‑18G;
- Múltiplos mestrados em engenharia e sistemas complexos.
Eu tinha todas essas experiências necessárias para voos inaugurais e missões de alto risco. E assim, fui selecionado para a missão. Hoje, sou o piloto da Artemis II, uma missão histórica que levará seres humanos novamente à Lua depois de mais de 50 anos.

Meu trabalho é garantir que a Nave Orion responda com precisão máxima nos momentos mais críticos da missão. Cada botão que eu aciono foi treinado centenas de vezes. Cada decisão é fruto de anos de preparação.
Como piloto da missão, sou o segundo em comando da nave Orion, logo abaixo do comandante Reid Wiseman. E tenho as seguintes responsabilidades:
- Operação e navegação da nave Orion durante a saída da órbita da Terra, o voo em direção à Lua, a manobra de contorno lunar e o retorno à Terra.
- Monitoramento e teste de sistemas críticos, como o controle de voo, a propulsão, a navegação e guiagem e os sistemas de energia e suporte à vida.
- Resposta a anomalias e emergências, trabalhando em conjunto com o comandante e o controle de missão em Houston.
- Coleta de dados técnicos fundamentais para validar a nave Orion e preparar as futuras missões Artemis III (pouso lunar) e seguintes
Com essa Missão vou me tornar a primeira pessoa negra a viajar para o espaço profundo, além da órbita baixa da Terra. E o primeiro astronauta negro a circundar a Lua. É uma grande responsabilidade!
Um dia, quando olhei para o céu ainda criança,
eu não sabia exatamente como chegaria até lá.
Eu só sabia que queria tentar.
E tentar foi o primeiro passo para chegar à Lua.
Quem sabe o próximo piloto… não é você?

