Mulheres STEM: Anna Metaxas

Imagem de capa: Registros que captam o contato entre terra e mar. Ilhas e Oceano. Representa o maior banco de recifes de corais do oceano Atlântico Sul. Gustavo Abrahim, 2013. Wikipedia. Licença CC-BY-SA-4.0.

Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.

Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.

Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.

O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.

Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.

Anna Metaxas: Saúde das Profundezas à Superfície do Oceano

Metaxas trabalhou em oceanos ao redor do mundo, estudando corais, algas e outros organismos que vivem no fundo do oceano tanto próximo à costa quanto nas profundezas do oceano. Por meio de experimentos, levantamentos e modelagem, ela ajuda governos a desenvolver políticas para proteger o meio ambiente do Oceano.

Poster Ingenium original (inglês) em https://diversityinstem.ingenium.ca/wp-content/uploads/2023/08/A-Metaxas-Print-EN.pdf

Olá, jovens curiosos! Meu nome é Anna Mataxas.

Eu nasci em uma pequena cidade costeira no Canadá. O som das ondas sempre fez parte da minha vida — era como uma canção de ninar que me acompanhava desde o berço.

Meu pai se chamava Nikos Mataxas. Ele era pescador, muito conectado ao mar e respeitava cada ser vivo que dele dependia. Era filho de imigrantes gregos e tinha uma relação profunda com o mar. Foi com ele que aprendi a observar a natureza com respeito e atenção. De meu pai, herdei o contato direto com o Oceano.

Lembro-me de caminhar com meu pai pela praia ao amanhecer. Ele me mostrava conchas, algas e até pequenos organismos marinhos. Era como descobrir um novo universo.

Minha mãe se chamava Claire Dubois Mataxas de origem franco-canadense. Ela era professora de ciências, apaixonada por ensinar como o mundo funciona. Ela despertou meu amor pelo conhecimento, pelos livros e pelas perguntas. De minha mãe, herdei a curiosidade científica para compreender o mundo.

Foi com eles que aprendi duas lições fundamentais:

  • O respeito pela natureza é essencial para preservá-lo.
  • A ciência nos ajuda a entender o mundo.

Minha infância e escola

Passei minha infância entre o Canadá e momentos marcantes próximos ao mar Mediterrâneo, na Grécia, onde minha família tinha raízes. Foi ali, ainda muito jovem, que desenvolvi uma conexão profunda com o oceano.

No ensino fundamental, eu estudava em escolas públicas locais, como muitas crianças. Eu era uma aluna curiosa — sempre fazia perguntas além do que estava nos livros.

  • Por que o oceano é salgado?
  • Como os peixes respiram?
  • Por que algumas espécies estavam desaparecendo?

Gostava especialmente de aulas de ciências e geografia. Sempre que o assunto era natureza, meu interesse aumentava.

Foi durante esses anos que uma professora percebeu meu entusiasmo e começou a me incentivar, oferecendo livros e desafios extras. Esse apoio fez toda a diferença na minha formação.

Além da escola, minha verdadeira sala de aprendizado era o oceano:

  • observando a vida marinha
  • nadando em águas frias e quentes
  • fazendo perguntas sobre tudo que via

Sem perceber, eu já estava começando a trilhar o caminho da ciência. Mas também comecei a entender algo preocupante: o oceano estava em perigo.

Durante o ensino médio, decidi que queria ser cientista marinha. Eu participava de feiras de ciências, fazia pequenos experimentos e até organizei um clube ambiental na escola.

Quando chegou a hora da universidade, escolhi estudar Biologia Marinha. Conclui meu bacharelado em Biologia com foco em Ecologia em 1986, na McGill University. Foi um período desafiador, mas fascinante. Aprendi sobre: Ecossistemas marinhos, Mudanças climáticas, Poluição oceânica e Conservação da biodiversidade. Foi também na universidade que fiz minha primeira pesquisa de campo — mergulhando em águas frias para estudar recifes e populações de peixes. Eu nunca vou esquecer a emoção daquele momento!

Em 1989, conclui o Mestrado na University of British Columbia na área de Oceanografia, onde estudei como o ambiente oceânico afeta a distribuição e sobrevivência dos organismos. Minha dissertação foi sobre o “Efeito da interação entre duas espécies de diatomáceas marinhas em sua tolerância individual ao cobre” sobre como o cobre afeta diatomáceas.

Em 1994, conclui o Doutorado na Dalhousie University na área de Ecologia Marinha / Oceanografia, quando aprofundei minha pesquisa para entender como espécies se conectam e sobrevivem em ambientes tão vastos quanto o fundo do mar. Minha tese foi sobre a “Dinâmica espacial e temporal de conjuntos de fitoplâncton em poças de maré: efeitos do ambiente físico, do regime nutritivo e do campo de pastagem” investigando fitoplâncton.

Minhas pesquisas e descobertas

Ao longo dos anos, minhas pesquisas se concentraram principalmente em microplásticos e seus impactos na cadeia alimentar marinha.

Descobrimos que:

  • Pequenas partículas de plástico estão presentes até nos organismos mais profundos do oceano.
  • Esses materiais acabam entrando na alimentação humana.
  • A poluição marinha é muito mais complexa do que imaginávamos.

Também trabalhei em projetos para:

  • Restaurar ecossistemas degradados
  • Monitorar espécies ameaçadas
  • Desenvolver soluções sustentáveis para reduzir o lixo marinho

Uma das minhas maiores conquistas foi liderar uma equipe internacional que mapeou áreas críticas de poluição e ajudou a influenciar políticas ambientais.

Alguns de meus artigos científicos importantes são:

Como os animais marinhos se espalham pelo oceano (2009): A viagem invisível das larvas

Lembro-me do dia em que percebi algo que mudaria minha forma de ver o oceano para sempre. Eu estava no laboratório, observando organismos microscópicos em pequenas amostras de água. Pareciam frágeis, quase invisíveis. Mas então me veio uma pergunta: “Como criaturas tão pequenas conseguem sobreviver em um oceano tão imenso?”

Foi assim que comecei a estudar como larvas de animais marinhos viajam carregadas pelas correntes. Descobri que elas não estão perdidas — elas fazem parte de um sistema incrível de transporte natural.

Eu costumava explicar isso assim para meus alunos: “Imaginem que o oceano é uma grande estrada, e essas larvas são viajantes sendo levados pelas correntes até encontrarem um novo lar.”

Essa descoberta ajudou cientistas a entender como espécies se espalham e se mantêm vivas.

Nesse estudo, investiguei como os “filhotes” de animais do mar (larvas) se movem com as correntes oceânicas. Quando muitos animais marinhos nascem, eles são tão pequenos que parecem poeira na água! Eles são levados pelas correntes, como folhas em um rio. Isso é importante pois ajuda a entender como espécies sobrevivem, mostra como áreas diferentes do oceano estão conectadas e ajuda a proteger habitats marinhos.

Impacto das atividades humanas no fundo do mar (2016): Os caminhos secretos do oceano

Em outra fase da minha carreira, percebi algo ainda mais fascinante: Os animais marinhos não vivem isolados. Eles estão conectados por rotas invisíveis pelo oceano.

Ao estudar isso, participei de pesquisas que mostram como devemos planejar áreas protegidas levando em conta essas conexões ecológicas. Um dia, durante uma palestra para jovens, eu disse: “Proteger só um lugar do oceano é como proteger uma única casa e esquecer das estradas que levam até ela.”

Foi assim que ajudei a contribuir com ideias para a criação de áreas marinhas protegidas mais eficientes, algo essencial para preservar a vida marinha.

Esse estudo analisa como a exploração de petróleo no oceano profundo afeta a vida marinha. Mesmo lá no fundo do oceano — aonde quase ninguém vai — as ações humanas podem causar danos, como poluição e destruição de habitats. Isso é importante, pois mostra riscos invisíveis para a maioria das pessoas, ajuda a criar regras para proteger o oceano e defende uso mais responsável dos tesouros naturais.

Vida em ambientes extremos: fontes hidrotermais (2016): Vida em um mundo extremo

Talvez uma das experiências mais impressionantes da minha carreira tenha sido estudar lugares que parecem de outro planeta. Em regiões profundas do oceano existem fontes hidrotermais — áreas onde água extremamente quente sai do interior da Terra. E, mesmo assim… há vida ali.

Participei de estudos que mostraram como organismos conseguem sobreviver nesses ambientes extremos. Eu costumava dizer: “Se conseguimos encontrar vida nesses lugares, isso mostra o quão incrível e resistente ela pode ser.”

Esses ambientes são únicos — e também precisam ser protegidos.

Esse trabalho explora ecossistemas incríveis que existem em lugares muito profundos e extremos do oceano. Existem lugares no fundo do mar onde sai água quente da Terra — e mesmo assim, animais conseguem viver lá! É como um mundo alienígena na Terra.

Isso é importante pois mostra que a vida é resistente e adaptável, ajuda cientistas a entender a origem da vida e reforça a necessidade de preservar ambientes únicos.

Como planejar áreas protegidas no oceano (2019): O que está acontecendo no fundo do mar

Nem sempre minhas descobertas foram felizes. Ao estudar o impacto humano no oceano profundo, especialmente da indústria de petróleo e gás, percebi algo preocupante: Mesmo nos lugares mais distantes e escuros da Terra, a ação humana deixa marcas.

Eu participei de pesquisas que analisaram esses impactos e ajudaram a alertar governos e organizações.

Lembro-me de pensar: “Se até o fundo do mar está sendo afetado, precisamos agir agora.” Esse trabalho reforçou meu compromisso não apenas com a ciência, mas com a defesa ativa do oceano.

Neste trabalho, mostramos que não basta proteger um único lugar do oceano — precisamos proteger áreas conectadas entre si. Imagine que os peixes usam ‘caminhos invisíveis’ no oceano. Se protegermos só um pedaço, eles podem desaparecer. Precisamos proteger todo o caminho!

Isso é importante pois ajuda governos a criar leis melhores, protege espécies em várias fases da vida e garante equilíbrio nos ecossistemas.

Minha luta em defesa do oceano

Ao longo da minha carreira, estudei como pequenas larvas viajam pelo oceano, como os animais dependem de caminhos invisíveis para sobreviver, e como nossas ações podem afetar até os lugares mais profundos do planeta. Descobri que o oceano é muito mais conectado do que imaginamos — e que proteger apenas uma parte não é suficiente.

Com minhas pesquisas aprendi que ser cientista não é só fazer descobertas — é também agir.

Com o tempo, percebi que precisava levar o conhecimento além dos laboratórios. Passei a:

  • Dar palestras em escolas.
  • Trabalhar com comunidades costeiras.
  • Colaborar com organizações ambientais.
  • Ajudar na criação de políticas de proteção marinha.

Eu acredito profundamente que a ciência só faz sentido quando transforma o mundo para melhor.

Visite o site do meu grupo de pesquisas sobre a Ecologia Bentônica Marinha e Conservação em https://annametaxas.com/.

Uma mensagem para vocês

Se eu pudesse deixar uma mensagem para cada um de vocês, seria esta:

“Não importa de onde você venha — sua curiosidade pode mudar o mundo.”

O Oceano ainda precisa de muitos guardiões.

Cientistas, professores, pescadores conscientes, cidadãos atentos — todos têm um papel importante.

Talvez, sentado aí, ouvindo esta história… esteja um futuro pesquisador, uma futura defensora da natureza, ou alguém que fará uma descoberta incrível.

E quando isso acontecer, lembre-se: tudo começa com uma pergunta e um desejo de melhorar o mundo.

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