Mulheres STEM: Corrine Almeida

Imagem de capa: Coral-Sol-de-Cabo-Verde (Atlantia caboverdiana). © Marleen Schouten, Cabo Verde, 2022. iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.

Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.

Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.

Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.

O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.

Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.

Poster Ingenium original (em inglês): https://diversityinstem.ingenium.ca/portfolio-item/corrine-almeida/

Meu nome é Corrine Almeida e sou bióloga-oceanógrafa de Cabo Verde.

Localização de Cabo Verde em verde em um Globo. ©Gringer, 2010. Wikipedia. Licença de Domínio Público.

Dispersas, emersas, sozinhas sôbre o Oceano…
nossas ilhas, navegam tristemente…

(…) São dez as caravelas
em busca do Infinito …
São dez as caravelas,
sem velas,
em busca do Infinito …
A tempestade e ao vento,
caminham …
navegam mansamente
as ilhas,
as filhas
do negro continente …

Amílcar Cabral, Naus sem rumo.

Agrônomo, escritor, poeta, pensador político e líder revolucionário africano, considerado uma das figuras mais importantes da luta anticolonial do século XX.

Cabo Verde é um país insular localizado no meio do Oceano Atlântico, na costa oeste da África. O país é formado por um arquipélago de dez ilhas principais e vários ilhéus, situados a cerca de 500 km da costa do Senegal. A capital é a cidade da Praia, na Ilha de Santiago.

O país tornou-se independente do colonialismo português em 1974, graças ao movimento revolucionário de independência de Cabo Verde e Guiné Bissau, liderado por Amílcar Cabral.

Sou oriunda da Ilha vulcânica de São Vicente, uma das ilhas do arquipélago.

Cresci em um país rodeado pelo Atlântico, onde o mar não é apenas uma paisagem, mas parte da nossa identidade, cultura e sobrevivência.

Desde cedo aprendi a observar o oceano e a compreender a sua importância para as comunidades insulares que dependem dele diariamente. O fascínio pelo mar transformou-se gradualmente numa vocação científica.

Praia Baía das Gatas, Calhau, Cabo Verde, ao fundo, o Monte Verde. © Rainer Strehl, 2013. Wikipedia. Licença CC-BY-SA-3.0.

Percebi que queria compreender os processos que sustentam a vida marinha, a biodiversidade dos ecossistemas oceânicos e os desafios ambientais que afetam as pequenas nações insulares como Cabo Verde. Foi essa curiosidade que me conduziu à biologia e, posteriormente, à oceanografia.

Coral-Sol-de-Cabo-Verde (Atlantia caboverdiana). © Marleen Schouten, Cabo Verde, 2022. iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.

Ao longo da minha carreira, dediquei-me ao estudo do oceano, da biodiversidade marinha e dos impactos das alterações climáticas sobre os ecossistemas costeiros.

Viver num arquipélago torna impossível ignorar questões como a subida do nível do mar, a sobrepesca, a degradação dos habitats marinhos e a necessidade de uma gestão sustentável dos recursos oceânicos.

Grande parte da minha trajetória profissional foi desenvolvida no ensino superior. Trabalhei como docente de Ciências Biológicas na Universidade Técnica do Atlântico (UTA) e investigadora ligada à universidade pública cabo-verdiana e, mais recentemente, ao Instituto de Engenharia e Ciências Marinhas da Universidade Técnica do Atlântico.

A educação tornou-se uma das minhas maiores missões, porque acredito que formar jovens cientistas é tão importante quanto realizar investigação.

Um dos desafios da minha carreira foi justamente desenvolver ciência numa região onde as oportunidades de investigação em oceanografia são mais limitadas do que em grandes centros científicos internacionais. Apesar dessas dificuldades, procurei contribuir para a formação de recursos humanos e para o fortalecimento das ciências marinhas em Cabo Verde.

Siderastrea radians, coral pétreo que forma extensos campos em áreas rasas do arquipélago, como na praia de Moia Moia, na Ilha de Santiago. © Marleen Schouten, Cabo Verde, 2022. iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.

Desde 2019, tenho atuado na coordenação de Programa do Centro de Ciência da África Ocidental sobre Mudanças Climáticas e Uso da Terra Adaptado (WASCAL), colaborando na formação de estudantes de diversos países da África Ocidental.

Conheça o WASCAL em:

Também participo ativamente de debates sobre conservação marinha e políticas oceânicas.

Tenho defendido a necessidade de proteger a biodiversidade marinha, fortalecer a investigação científica e melhorar a gestão dos recursos pesqueiros. Em diferentes ocasiões, chamei atenção para a diminuição dos peixes em algumas zonas costeiras de Cabo Verde e para a importância de uma exploração sustentável do oceano.

O Oceano continua a ser a minha maior inspiração.

Cada mergulho, cada aula e cada projeto científico reforçam a convicção de que o futuro de Cabo Verde está profundamente ligado ao futuro do mar. Por isso, dedico a minha carreira a compreender, proteger e ensinar sobre os ecossistemas marinhos, para que as próximas gerações possam herdar oceanos mais saudáveis e resilientes.

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