Science Film Festival: Águas Quentes

Capa: Manta (Mobula birostris). © Adelma Hills, 2019. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.

SCIENCE FILM FESTIVAL 2025

O documentário “Águas Quentes”, dirigido pela Beware Collective e com trilha sonora original de Willian Paiva, que foi lançado em 2024, foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025!

SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.

O filme pode ser solicitado para exibição (dublado em português) ao SCIENCE FILM FESTIVAL pelo Formulário de inscrição, ou ser visto diretamente no site da Beware Collective:

Nesse episódio, vamos acompanhar Marina Leite (do Viva Instituto Verde Azul), Giovanna Leite (narradora), Rafael Mesquita (do Mantas de Ilhabela / Megafauna Marinha Brasil), Thais Rodrigues (do ICMBio Alcatrazes) e Marcio Franco (da Reserva Ilhabela) nos conduzirem pelas encantadas ondas de Ilhabela e arquipélago de Alcatrazes, no litoral paulista.

ÁGUAS QUENTES

GIOVANNA LEITE

Ilhabela, um paraíso com biodiversidade única, essencial para a proteção de inúmeros animais.

Uma área de preservação ambiental que serve de abrigo para pelo menos 12 espécies de baleias e golfinhos, um número significativo. já que no mundo temos um total de 92.

Realizamos essa expedição entre fotógrafas, mergulhadoras e biólogas para mostrar a importância da conservação deste habitat.

Incentivando a redução do impacto do turismo e de outras atividades humanas, é possível proteger nosso planeta e gerar empregos, potencializando a economia local.

Estamos aqui para mostrar o que acontece de mágico nas águas quentes do litoral paulista.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

Ilhabela se tornou um Hotspot.

A gente tem uma concentração, uma biodiversidade marinha muito grande.

Algumas espécies que são residentes, ou seja, a gente pode encontrá-la o ano inteiro aqui.

E tem algumas espécies que são migratórias, como por exemplo a baleia-franca e a baleia-jubarte.

Hotspots de biodiversidade são locais que possuem uma biodiversidade extremamente rica e uma alta taxa de endemismo (espécies que só existem naquela região).

GIOVANNA LEITE

As baleias-jubarte foram caçadas por décadas, fazendo com que a população chegasse à beira da extinção.

Esse cenário mudou em 1986, com a proibição da caça.

E as notícias são animadoras. Em 2014, a Jubarte saiu da lista de espécies ameaçadas e o número de indivíduos vem subindo a cada ano.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

Muitas pessoas perguntam:

“Mas nossa, de onde estão vindo essas baleias?
Por que agora elas estão vindo aqui?”

Então, na verdade, elas já vinham aqui e agora elas estão reocupando.

Só que agora elas estão encontrando um novo cenário, um cenário onde tem porto, onde tem o fluxo gigantesco de navios.

Uma poluição sonora absurda, poluição química, poluição de resíduos sólidos, como o plástico.

GIOVANNA LEITE

Foram meses de pesquisa, mergulhos e avistamentos para entender melhor o comportamento desses animais e como nós, seres humanos, influenciamos essa cadeia.

Nosso maior objetivo foi acompanhar animais migratórios que passam por aqui, um refúgio fundamental em sua longa jornada.

A cerca de 45 quilômetros de Ilhabela, temos outro paraíso: o Arquipélago de Alcatrazes. Um conjunto de ilhas, lajes e parcéis que se tornaram o local ideal para a preservação de diversas espécies.

Ilhas: São pedaços de terra cercados por água por todos os lados, que ficam acima do nível do mar mesmo quando a maré está alta. Geralmente são grandes o suficiente para ter vegetação e até vida animal.
Lajes: São formações rochosas que ficam no mar, mas aparecem na superfície ou bem próximas dela. Normalmente não têm areia nem vegetação, só pedra.
Parcéis: São áreas rasas no mar, formadas por rochas ou recifes, que não chegam a emergir totalmente. Ficam submersas ou muito próximas da superfície, mas não são visíveis como uma ilha.

Por algum tempo, foi utilizado como base militar brasileira, o que impactou diretamente a fauna terrestre e marinha. Hoje em dia, é administrado e fiscalizado pelo ICMBio, com apoio da Marinha;

E uma Unidade de Conservação denominada de Refúgio de Vida Silvestre.

Possui o maior ninhal de fragatas do Atlântico Sul e a segunda maior colônia de atobás.

Abriga uma grande biomassa de peixes, que funciona como um berçário na região.

O acesso terrestre ao arquipélago é permitido somente para pesquisa e atividade de gestão. Poder assistir e participar do trabalho do Instituto foi um privilégio. Documentar cenas que, nos dias de hoje, se tornaram tão raras foi mais do que especial.

O oceano é responsável por incontáveis funções ecológicas, também é uma estrada imensa e profunda que interliga diversos caminhos. Em sua longa jornada, animais migratórios transportam nutrientes importantes para a saúde do ecossistema, entre eles, a graciosa baleia jubarte.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

Ela se alimenta, ali na Antártica, então ela sai dessa região muito fria, quando começa o inverno e migra para a nossa região tropical, procurando águas mais rasas, águas mais quentes, para uma segurança, porque aqui é onde ela vai ter os filhotes.

Nessa região é que elas têm os filhotes, que elas amamentam esses filhotes, lembrando que as baleias jubartes são mamíferos muito parecidos com a gente.

A gestação dura um ano. Então, a baleia que copulou no ano passado, ela voltou para cá já pronta para ter o filhotinho.

GIOVANNA LEITE

Durante a passagem dessas gigantes, conseguimos presenciar diversos comportamentos, sendo o salto um dos mais incríveis.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

Então, é muito comum a gente ver a mãe fazendo o movimento e o filhotinho fazendo o movimento repetido em seguida.

Então, ela salta, o filhotinho salta.

Aí, ela expõe a nadadeira peitoral, o filhotinho vai lá e expõe a nadadeira peitoral.

Então, é muito gostoso de ver esse movimento.

GIOVANNA LEITE

Ainda não se sabe ao certo o motivo desse espetáculo.

As principais hipóteses estão relacionadas à comunicação, devido ao som produzido pelo impacto na água. Também é possível que utilizem o salto para tirar parasitas e cracas do corpo.

As acrobacias são analisadas como brincadeiras e importantes interações sociais, que geram diversos momentos emocionantes para quem está assistindo.

Uma semelhança conosco é que as baleias também possuem uma digital. A cauda de cada indivíduo é diferente, com manchas e formatos únicos. Assim, é possível identificar a mesma baleia em diferentes lugares do mundo.

A comunicação é um elemento primordial dentro da cultura e dos sistemas sociais. Os mamíferos desenvolveram diferentes ecolocalizações. Cada espécie emite um tipo de som. Na água, esses sons se propagam muito bem, sendo ouvidos a quilômetros de distância.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

Não se sabe ao certo para que ele serve, mas, claramente, ele é feito na região de reprodução, então ou é para atrair a fêmea ou é para dizer para o outro mato “Já estou aqui, essa área é minha“.

Os machos eles cantam nessa área e tem registro de canto aqui também e tem a formação de grupo competitivo.

GIOVANNA LEITE

Um grupo competitivo é quando vemos diversas baleias juntos, sendo como uma fêmea na frente e vários machos atrás, a perseguindo na tentativa de copular.

Visto de cima parece uma dança, mas na verdade é uma grande disputa, com golpes de peitoral e batidas de caudal.

O macho que demonstrar mais força ou aquele que conseguir chegar mais perto, conquista a fêmea.

Apesar das jubartes conquistarem a atenção pelo seu comportamento brincalhão e exuberante, temos outra espécie que também passa por aqui.

Discreta, porém tão gentil quanto, a raia manta.

RAFAEL MESQUITA (Mantas de Ilhabela / Megafauna Marinha Brasil)

Manta (Mobula birostris). © Neil DeMaster, 2023. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.

Essa manta (Mobula birostris) é uma espécie migratória.

Elas fazem grandes travessias, justamente para alimentação e reprodução.

Inclusive, está para sair uma publicação de um artigo científico nosso comprovando Ilhabela como um grande hotspot, um grande ponto de agregação dessas raias mantas oceânicas.

GIOVANNA LEITE

É admirável saber que temos heróis e heroínas atuando na linha de frente das pesquisas científicas e na proteção ambiental.

Existem várias formas de estudar o comportamento desses animais.

Fomos conhecer e entender o trabalho do Ponto Fixo, feito pelo Viva Instituto Verde Azul.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

O interessante do Ponto Fixo é porque a gente está num ponto alto, e a gente tem uma visão muito ampla. Então, a gente consegue ver todos os animais que estão nessa área e as atividades antrópicas.

A gente consegue ver quando entra um animal, quando ele sai daquela área, quando entra um barco, se esse barco vai se aproximar ou não.

Só a presença do barco pode fazer com que ela mude o comportamento, mude a direção.

Muitas fêmeas com filhotes param de amamentar e, então, o trabalho de Ponto Fixo é o único que a gente pode dizer que a gente não interfere de forma alguma com o comportamento desses animais.

Ele também tem algumas limitações, que é a distância. Por exemplo, fazer uma foto da caudal de uma jubarte, que é quando a gente consegue ter a identificação do indivíduo, já é uma limitação para o ponto fixo.

A gente consegue observar a presença desses animais e a gente consegue, via rádio ou outras comunicações, avisar outros pesquisadores que estão na água para eles se aproximarem desse animal e, sim, fazer um registro, por exemplo.

GIOVANNA LEITE

Outra parte importante da pesquisa e conservação acontece nos barcos.

São horas em alto mar buscando esses animais. com diversos profissionais envolvidos em terra e água.

RAFAEL MESQUITA (Mantas de Ilhabela / Megafauna Marinha Brasil)

A gente encontra as mantas aqui em Ilhabela, principalmente com base em relatos das comunidades locais, dos pescadores e do pessoal de turismo.

E a gente tenta encontrar esses animais para poder registrá-los, saber que eles estão por aqui, medir o tamanho deles também e o principal, que é a fotoidentificação.

E a gente encontra esses animais tanto no visual com a embarcação, quanto por uso de drones, que ajuda bastante a nossa pesquisa hoje em dia.

Assim que a gente a encontra, a gente tenta chegar perto do animal e as mantas são uma espécie muito tolerante e muito tranquila em relação à presença de embarcações, mergulhadores.

Enfim, a gente chega perto, tenta não assustar o animal, e o mergulhador, que geralmente sou eu, entro na água e tento fazer uma foto do ventre dela, que é por onde a gente identifica esses animais.

Manta (Mobula birostris). © Adelma Hills, 2019. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.

GIOVANNA LEITE

Para garantir a segurança desses animais e dos turistas, existem regras para o avistamento de cetáceos no Brasil.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

Especialmente na época das jubartes, porque a jubarte é uma espécie de cetáceo muito acrobática. Então ela salta, ela expõe a nadadeira peitoral, e as pessoas gostam de observá-la e a gente acha que a sensibilização está aí. Porém, tem um lado que a gente tem que tomar muito cuidado.

Esse turismo de observação precisa ser muito bem ordenado para que ele aconteça de forma saudável tanto para o operador, tanto para os turistas e quanto para esses animais.

Então, isso precisa ter um regramento.

Existem uma série de leis, de normas que precisam ser seguidas em relação ao distanciamento, ao motor está em neutro, o tempo que você pode permanecer naquele grupo de baleias, quantas embarcações podem estar próximas daquele grupo ao mesmo tempo. Então, tem uma série de regras que precisam ser seguidas para que a observação do cetáceo seja positiva para todo mundo.

GIOVANNA LEITE

Como seres humanos, temos o costume de afastar o que acontece no oceano de nós.

Tudo parece muito distante, porém, as ameaças ao ecossistema da nossa costa interferem diretamente em nossas vidas.

São mais de 11 milhões de toneladas de plástico que chegam ao oceano todos os anos. Isso equivale a um caminhão de lixo jogando seu conteúdo no mar por minuto.

A cada ano, mais de um milhão de animais marinhos sofrem por conta do plástico, inclusive, espécies filtradoras como as mantas, que se alimentam próximos da superfície.

RAFAEL MESQUITA (Mantas de Ilhabela / Megafauna Marinha Brasil)

É fácil você imaginar que num lugar onde tem muitos animais marinhos e também muita atividade humana, acidentes e vários tipos de mortes de animais podem acontecer por causa disso.

Elas são muito suscetíveis aos atropelamentos. E esse é um dos pontos que a gente tem também aqui em Ilhabela, justamente pelo grande fluxo de embarcações, e seria um ponto para ser abordado a diminuição da velocidade das embarcações por aplicação de leis. Mas, além dessas ameaças, no Brasil elas são protegidas por leis e não é permitido pescar raia manta, mas acontece, obviamente, não é proposital, mas não interessa para a vida do animal. Tanto faz se é proposital ou não. E é por isso também que no Brasil a gente deve proteger cada vez mais, já que em outros lugares, elas não estão com a proteção necessária, o Brasil pode ser um grande protetor desses animais.

GIOVANNA LEITE

Outro exemplo são as toninhas. O menor cetáceo que encontramos por aqui está gravemente ameaçado. Nos últimos anos, houve uma redução de 30% dessa população, com uma estimativa de que 1500 indivíduos sejam mortos por ano. A captura acidental é o maior vilão contra essa espécie que corre o risco de desaparecer.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

Uma das principais razões hoje que mata baleias e os golfinhos é a captura acidental. Quando esses animais ficam presos em redes de pesca, o pescador tem intenção nenhuma em matar baleia e ele nem perder o equipamento dele pesqueiro, mas a gente precisa juntos encontrar alternativas para que todo mundo ocupe a região de forma harmônica.

GIOVANNA LEITE

O “BYCATCH” ocorre quando animais que não são alvo da pesca são capturados acidentalmente. Muitas vezes são descartados machucados no mar, causando morte e sofrimento.

Isso é causado por diversas modalidades, como a pesca de arrasto.

Estima-se que 4 milhões de toneladas de animais são descartados anualmente.

Bycatch é um termo usado na pesca para se referir a captura acidental de espécies que não são o alvo da pesca. Por exemplo: um barco sai para pescar camarão, mas junto com os camarões acaba pegando peixes, tartarugas, golfinhos ou outras espécies que não eram o objetivo. O conceito ganhou destaque nos anos 1960, quando houve grande preocupação com a mortalidade de golfinhos em redes de pesca de atum.

Animais emaranhados por redes e outros detritos humanos podem sofrer amputação de membros ou morrer por asfixia e afogamento. Mais de 300 mil baleias e golfinhos são mortos mundialmente por ano pelas práticas exploratórias da pesca industrial. E foi na tentativa de conter ameaças como essa, que hoje a Alcatraz é uma região protegida.

THAIS RODRIGUES (ICMBio Alcatrazes)

O arquipélago funciona como um grande repositório de estoques para outros locais do litoral. Para quem pesca nesses outros pontos do litoral, onde a pesca é permitida, é fundamental que você tenha um ponto de concentração, de reprodução desses estoques. Se Alcatrazes for mais um ponto em que a gente possa pescar, certamente outros pontos do litoral em que a pesca é permitida vão sofrer as consequências.

GIOVANNA LEITE

Um cenário que nos chamou a atenção foi o do Coral Sol. Um animal, que habita originalmente o Oceano Índico e Pacífico, é uma espécie invasora no Brasil. Foi introduzido no país por meio de plataformas de petróleo e teve seu primeiro registro aqui em 1980.

THAIS RODRIGUES (ICMBio Alcatrazes)

A gente tem um trabalho desde 2014 de manejo desse coral.

Então, como é que é o trabalho?

A gente mergulha com talhadeira e com uma marreta e vai tirando um por um.

GIOVANNA LEITE

Espécies invasoras causam um enorme impacto ambiental, principalmente pela ausência de predadores naturais, gerando um desequilíbrio ao ecossistema onde chegam.

Apesar dos desafios, é possível seguir caminhos mais conscientes e até mesmo mais econômicos. Podemos transformar a coexistência e a sustentabilidade em uma realidade.

MARCIO FRANCO (Reserva Ilhabela)

Eu acho que o turismo é o é o primeiro a ser impactado pelas mudanças climáticas ou pela má utilização do homem, quando ele faz a poluição que ele está acostumado a fazer.

Se a gente não tiver um cuidado com o saneamento básico, com o lixo, rapidamente as praias vão ficar impróprias, as cachoeiras vão ficar sujas e o turista vai parar de vir para Ilhabela.

Não faz sentido não prestar 100% de atenção nisso.

Isso é business, basicamente assim. Eu tenho uma economia onde as minhas placas solares que em 4 anos, elas pararam de ser custo e viraram lucro.

Tem a parte de consciência, mas tem a parte de negócio.

Como um empresário, eu não tenho vergonha de dizer isso. Eu acho que quem é dessa área e não está pensando nisso está perdendo a viagem.

THAIS RODRIGUES (ICMBio Alcatrazes)

Em termos de conservação do ambiente marinho, o Brasil ainda tem muito a avançar.

A gente tem hoje uma porcentagem ainda pequena de preservação, frente a imensidão desse ambiente que a gente tem. Mas a gente está avançando aos poucos. O que falta mesmo é a gente expandir o quantitativo de área a ser preservada, ou seja, a criação de novas unidades de conservação, a criação de novas áreas protegidas e uma melhoria aí nas instituições públicas para fazer dar conta dessas ferramentas legais que a gente tem hoje no Brasil.

RAFAEL MESQUITA (Mantas de Ilhabela / Megafauna Marinha Brasil)

Para que a gente consiga proteger esses animais, o que é preciso ser feito?

Políticas públicas, mudança de legislação, novas normas e regras, tanto de tráfego quanto de pesca e para isso, para você conseguir isso não é só simplesmente você chegar a governo numa instituição e pedir.

Você precisa de substância para que isso aconteça.

A gente precisa de dados.

GIOVANNA LEITE

A ação conjunta entre sociedade e o governo é fundamental para as mudanças no meio ambiente que são capazes de transformar em Ilhabela.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

Os benefícios de ter esse animal aqui é tão grande, tanto para a população dos turistas como para a população que mora aqui, que pode começar a depender disso como renda.

Então, hoje já é um mercado que Ilhabela está vendendo.

A temporada baixa da ilha agora está se tornando uma temporada mais alta, justamente porque está trazendo esses turistas que estão com olhar para a conservação marinha, para poder observar uma baleia.

Então, hoje, você já vê nas lojinhas, você já vê as pessoas vendendo camisetas com baleia, chaveirinhos, então isso faz um fluxo na rede hoteleira, nos restaurantes. Então, é muito importante para o turismo a gente ter esses animais, só que a gente tem que saber fazer isso muito bem, tem que saber balancear.

RAFAEL MESQUITA (Mantas de Ilhabela / Megafauna Marinha Brasil)

É um turismo muito possível de ser feito. Quando a gente leva pessoas convidadas que são cidadãos, assim como eu, que vão numa embarcação e veem aquele animal pela primeira vez, elas ficam maravilhadas, todo mundo quer ver aquilo, quer de novo, pagaria por aquilo de novo e então é sem dúvida é um meio muito possível de ser explorado.

Isso é fácil comprovar que uma raia manta viva vale muito mais do que uma manta morta, porque a manta morta você vende uma vez só a carne dela. Agora, você explorar o turismo, essa manta ela pode ser várias vezes explorada de uma forma responsável, obviamente, então é muito mais sustentável, muito mais economicamente viável até o turismo do que a exploração pesqueira.

E vários pescadores se tornaram guias de turismo, como a gente vê isso aqui no Brasil também, em várias regiões, várias cidades, onde antigamente o cara era lá um pescador ou era um caçador, ele vivia daquilo que ele aprendeu daquele jeito, e com o passar do tempo ele viu que o turismo, levar uma pessoa para ver aquele animal, é muito mais valioso para ele, ele consegue fazer várias vezes e aquilo não acaba.

É um bem inesgotável se usado com responsabilidade.

GIOVANNA LEITE

Unindo o turismo sustentável, as nossas atitudes individuais, podemos contribuir com a conservação ambiental.

MARCIO FRANCO (Reserva Ilhabela)

A consciência é o primeiro passo e o segundo passo é a mudança de hábito.

São atitudes que precisam ser feitas individualmente para que o coletivo se beneficie disso.

E a gente tem sim como interferir com isso, que é fazendo melhores escolhas, não só do nosso lixo que a gente faz com o lixo, mas antes disso, são as escolhas de compra, são as empresas que a gente compra, são as coisas que a gente decide colocar dentro da nossa casa.

Cada pouco conta, sim. Tudo que você faz conta.

Especificamente falando de Ilhabela, mais ainda. Então, se você é da região de Ilhabela, você mora aqui, você pode, mais do que as outras pessoas inclusive, consumir menos plástico. É usar menos. A gente pode e é muito possível.

MARINA LEITE (Viva Instituto Verde Azul)

A gente acredita fielmente que as pessoas vão proteger e cuidar daquilo que elas conhecem. Atualmente, a gente desenvolve um trabalho junto com a prefeitura aqui de Ilhabela, onde a gente atinge todos os anos 400 professores, diretores e coordenadores. E aí depois, a gente vai para as salas de aula conversar com as crianças. A gente tem a certeza de que quando a pessoa vai para o mar e vê pela primeira vez um golfinho ou uma baleia, é tão emocionante que ela vai se tornar uma outra pessoa, ela vai ter um outro olhar, vai ter um cuidado especial.

RAFAEL MESQUITA (Mantas de Ilhabela / Megafauna Marinha Brasil)

Quando você vê uma manta pela primeira vez, é um negócio que, se você não acredita, uma manta, ela chega a ter 8 metros de comprimento, de envergadura, de ponta a ponta.

Maravilhoso, é amor à primeira vista. Eu fiquei encantado e até hoje eu continuo encantado. Toda vez que eu encontro uma manta, é como se fosse a primeira vez.

GIOVANNA LEITE

Proteger essas criaturas mágicas que temos o privilégio de abrigar durante sua grande jornada é nossa responsabilidade.

A coexistência é a única maneira de conhecermos um futuro.

Esperamos que a luta pela preservação dessas e de todas as outras espécies ganhe cada vez mais força para garantir que elas não só existam, mas que prosperem.

ÁGUAS QUENTES EM POESIA

Guardião dos Mares Paulistas

Entre ondas azuis, o silêncio canta,
Ilhabela sonha, Alcatrazes encanta.
No Parque Estadual, vida floresce,
Na Estação Ecológica, o azul enriquece.

Golfinhos riscam o espelho do mar,
Tartarugas verdes vêm nos saudar.
O mero gigante, guardião profundo,
Protege segredos do azul sem fundo.

Baleia-jubarte ergue sua canção,
Ecoa nas águas, pura emoção.
Tubarão-martelo, sombra elegante,
Caça nas correntes, sempre vigilante.

Fragatas dominam o céu salgado,
Coral-cérebro guarda o recado:
“Somos frágeis, somos vida, somos luz,
Preservar é dever que nos conduz.”

Mas sombras se erguem: óleo, plástico,
Redes que prendem o voo fantástico.
Pesca ilegal, turismo sem cuidado,
Ameaçam o reino tão abençoado.

Que fazer, então, diante do perigo?
Educar, cuidar, ser do oceano amigo.
Reduzir o lixo, respeitar a lei,
Proteger a vida que nos sustenta e é rei.

Pois cada espécie é verso da canção,
Que ecoa no peito da imensidão.
Preservar é amar, é ser guardião,
Do mar que pulsa em nosso coração.

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