Science Film Festival: Dr. Juliano Moreira

Capa: Acervo Biblioteca Nacional.

A série Ciência em Gotas apresenta o curta sobre o Dr. Juliano Moreira, pai da Psiquiatria Brasileira ao público infanto-juvenil do país. O documentário foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025 !

SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.

Negro e de origem humilde, o Dr. Juliano Moreira formou-se médico aos 18 anos e tornou-se um dos maiores nomes da psiquiatria brasileira.

O documentário destaca sua trajetória como cientista de renome internacional, sua luta contra o racismo científico e sua atuação pioneira na construção de políticas públicas de saúde mental no Brasil.

Uma homenagem à ciência, à resistência e à transformação social.

Duração: 4min.
Direção: Heverton Oliveira, Luisa Massarani, Rodrigo Ferrari. Realização: COC/Fiocruz
Gênero: Documentário. Tema: História da Saúde. Ano: 2025

Em maio de 1925, durante sua visita ao Hospital Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro, o físico alemão Albert Einstein ficou impressionado ao conhecer um outro cientista, a quem mais tarde descreveu em seu diário como “pessoa especialmente virtuosa“. O cientista era o então diretor do hospital, o brasileiro Juliano Moreira.

Juliano nasceu em Salvador, em 1872, dois anos após a promulgação da Lei do Ventre Livre. Filho de uma cozinheira negra e de um trabalhador português, foi apadrinhado pelo patrão de sua mãe, um médico renomado que lhe possibilitou condições de estudo.

Juliano ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia com apenas 14 anos e aos 18 anos já era médico formado.

Em sua monografia de graduação, Juliano contestava que o fator racial fosse uma das causas da sífilis maligna precoce. No dia da defesa, seus colegas invadiram a sala para impedir que a banca o reprovasse pelo simples fato de ser negro.

Cinco anos depois de formado, se tornou professor substituto da cadeira de doenças mentais da mesma escola.

O jovem professor se opôs veementemente à tese defendida por Nina Rodrigues, seu antigo mestre, que atribuía a degeneração do homem brasileiro à mestiçagem, especialmente a uma suposta contribuição negativa dos negros nessa miscigenação.

Em uma viagem à Europa, Juliano frequentou cursos sobre doenças mentais e visitou vários asilos e clínicas.

Graças ao domínio do idioma alemão, conheceu as obras de Freud. Se interessou pela psicanálise e foi um dos primeiros a difundir suas obras no Brasil.

Mudou-se para o Rio de Janeiro e assumiu a direção do Hospital Nacional dos Alienados em 1903, permanecendo nessa função por 30 anos.

Juliano alinhou-se às correntes que defendiam a modernização da psiquiatria e do cuidado com os idosos.

Como parte das práticas médicas,

aboliu o uso de camisas de força,

retirou grades de ferro das janelas,

deu especial atenção à formação profissional dos enfermeiros,

e ao cuidado com os registros administrativos e clínicos.

Isso se refletiu nas mudanças que introduziu no hospital, no qual instalou laboratórios e reuniu ao seu redor médicos que participaram ativamente do processo de especialização da medicina brasileira.

Sempre combatendo o preconceito enraizado até entre cientistas, Juliano Moreira também refutou a ideia, comum à época, de que existiriam doenças mentais próprias dos climas tropicais, ou ainda, uma hierarquia entre os povos baseado em diferenças ambientais ou raciais.

Negro e de origem pobre, Juliano Moreira se tornou um cientista de renome internacional.

Ele foi muito importante para a psiquiatria e para a ciência brasileira, ao refutar o racismo científico e lutar por políticas públicas de saúde mental.

Ciência tem que ser para todo mundo.

O SABER DE JULIANO MOREIRA
(Cordel em homenagem ao mestre da psiquiatria brasileira,
criado por IA, revisado por Paulo Henrique Colonese)

Nasceu lá na Bahia, em tempos de transição,
Filho de mãe cozinheira, negra de coração.
Do ventre livre surgiu, com destino a brilhar,
Juliano Moreira, exemplo pra se lembrar.

Com apenas catorze anos, já era estudante,
Na medicina ingressou, com saber fascinante.
Aos dezoito, já doutor, com coragem e razão,
Desafiou preconceitos, com firmeza e paixão.

Na sua monografia, com mente iluminada,
Negou que a raça fosse causa de doença agravada.
Na defesa, enfrentou o racismo sem temor,
Com racismo, tentaram barrá-lo, mas venceu com seu valor.

Cinco anos se passaram, e o mestre retornou,
Professor substituto, com saber que encantou.
Contra Nina Rodrigues, com firmeza se opôs,
Mostrou que a miscigenação não era algo atroz.

Na Europa viajou, buscou mais conhecimento,
Conheceu Freud e a psique, com profundo entendimento.
Trouxe ao Brasil a psicanálise, com fervor,
E no Hospital dos Alienados, mostrou seu esplendor.

Trinta anos de trabalho, com ética e com ciência,
Mudou a psiquiatria, com amor e consciência.
Camisa de força aboliu, grades tirou do lugar,
Tratou com dignidade quem ali foi se tratar.

Formou bons enfermeiros, cuidou da documentação,
Fez do hospital um modelo, com dedicação.
Refutou teorias racistas, com saber e com razão,
Mostrou que o clima e a cor não definem a condição.

Einstein, ao conhecê-lo, ficou impressionado,
Chamou-o de virtuoso, homem iluminado.
Negro, pobre, cientista, de renome mundial,
Juliano Moreira, um legado sem igual.

Seu nome é resistência, é ciência pra valer,
Mostrou que o saber é pra todos, é pra crescer.
Na história brasileira, seu brilho é sem igual,
Juliano é farol, é exemplo imortal.

LAVOR, Adriano de. Juliano Moreira: um homem à frente de seu tempo. Revista RADIS, 2021, em https://radis.ensp.fiocruz.br/reportagem/sanitaristas-reportagem/juliano-moreira-um-homem-a-frente-de-seu-tempo/.

SANTOS, Ynaê Lopes dos. Juliano Moreira: o médico negro na fundação da psiquiatria brasileira. Coleção Personagens da Pós-Abolição. Editora Eduff, Niterói, 2015, em https://www.eduff.com.br/produto/juliano-moreira-o-medico-negro-na-fundacao-da-psiquiatria-brasileira-e-book-pdf-472.

Deixe um comentário