Science Film Festival: Dr. Luiz Hildebrando

Capa: Luiz Hildebrando com o então presidente francês François Mitterrand na inauguração do prédio da Imunologia do Instituto Pasteur, em 1981. Arquivo familiar. Publicado em Revista Faperj, 2013.

A série Ciência em Gotas apresenta o curta sobre a Dr. Luiz Hildebrando, pesquisador de doenças tropicais e defensor da saúde pública brasileira ao público infanto-juvenil do país. O documentário foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025 !

SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.

Science Film Festival: Dr. Luiz Hildebrando

Transcrição

Até onde deve ir a ciência?

Para Luiz Hildebrando, a ciência deve ir a todo lugar, principalmente onde mais se precisa dela.

Luiz Hildebrando Pereira da Silva nasceu em Santos, em 1928.

Formou-se em Medicina na Universidade de São Paulo em 1953. Nesse mesmo ano, foi para a Paraíba lecionar na recém-criada Faculdade de Medicina de João Pessoa. Ali, participou da criação de um laboratório de pesquisa sobre doenças parasitárias.

Sua carreira desde então será marcada pela busca de melhores condições de vida para as populações mais carentes – as maiores vítimas dessas doenças.

Retornou para a USP em 1956, como docente de Parasitologia e lá, desenvolveu pesquisas sobre o Trypanosoma cruzi.

Em 1961, Hildebrando seguiu para Bruxelas para fazer pós-doutorado.

De lá, foi para Paris trabalhar no Instituto Pasteur, uma das mais prestigiadas instituições científicas do mundo.

Regressou à Faculdade de Medicina da USP em 1963, onde participou da organização de um Laboratório de Genética de Microorganismos.

Sua atividade de pesquisa foi bruscamente interrompida após o golpe civil-militar de 1964. Mesmo nos anos de chumbo, Hildebrando seguiu com o seu trabalho, mas por duas vezes, foi expulso pela ditadura, e teve que voltar para o Instituto Pasteur.

Lá, organizou uma nova estrutura de pesquisa em Parasitologia, onde passou a desenvolver estudos sobre biologia molecular de parasitas da malária, um mal que atingia mais de 650 mil brasileiros.

Aposentando-se no Instituto Pasteur em 1996, reingressou na USP como professor titular de Parasitologia e assumiu a direção dos programas de pesquisa sobre a malária em Rondônia.

Hildebrando e sua equipe conseguiram provar a existência do portador assintomático da malária. Essa descoberta mudou as estratégias de controle e de eliminação da doença. Em Rondônia, o trabalho de Hildebrando foi além das atividades de cientista. Humanista e militante político, ele sempre se preocupou com as condições de vida das populações ribeirinhas.

A bordo de um pequeno barco, costumava percorrer o Rio Madeira à procura do mosquito da malária e do contato com comunidades isoladas. Enquanto pesquisava a malária, também organizava cooperativas agrícolas que visavam à sustentabilidade das comunidades da região.

Intelectual engajado, Luiz Hildebrando alinhou conhecimento científico e sabedoria popular e formou centenas de pesquisadores que hoje atuam no combate às doenças tropicais.

Ciência com compromisso social.

Mensagem aos que virão

Minhas queridas e meus queridos,

Achei que apesar de ainda ter muito que fazer,

tinha chegado o momento de partir.

Sei que a estrada é árdua, que há muita coisa inacabada.

Tentei com todas as minhas forças e energia

e dei a minha contribuição para melhorar o nosso país,

fazer avançar um pouquinho o conhecimento

e para somar-me sempre as boas causas.

Fiz tudo isso sempre amparado em todos vocês que amo profundamente.

A nossa amizade é o que carrego de mais precioso,

nas nossas conversas às vezes polêmicas,

nas discussões acaloradas,

mas com toda a ternura e o amor

que atrás desse meu jeito desajeitado e mal-humorado,

eu tenho por cada um de vocês,

pelo Mundo e pela nossa querida espécie humana.

Au revoir! Luiz Hildebrando (1928-2014)

Luiz Hildebrando em Poesia

LUIZ HILDEBRANDO: LUZ NA ESCURIDÃO
(Criado por IA, editado por Paulo Henrique Colonese)

Nasceu lá em Santos, no ano vinte e oito,
Com alma de cientista e olhar sempre afoito.
Formou-se em medicina, com saber e vocação,
E foi pra Paraíba, levar saúde ao sertão.

Na terra de João Pessoa, fez laboratório,
Estudando os parasitas, com saber notório.
Não buscava só a cura, mas justiça e dignidade,
Pra quem sofre em silêncio, sem voz na sociedade.

Voltou pra USP, firme, com garra e com paixão,
Pesquisou o Trypanossoma cruzi, com dedicação.
Mas veio o golpe duro, a ditadura cruel,
E Hildebrando seguiu, com coragem e papel.

Foi pra Bruxelas, depois Paris o chamou,
No Instituto Pasteur, seu saber se firmou.
Mesmo longe da terra, não perdeu o rumo,
Seguiu estudando a malária, enfrentando a morte.

Expulso duas vezes do país amado, mas nunca se calou,
Com ciência e coragem, sempre batalhou.
Descobriu o portador que não sente a doença,
Mudando o combate com saber e sem crença.

Em Rondônia aportou, com barco e coração,
Pelas águas do Madeira, levou sua missão.
Pesquisava o mosquito, mas via muito mais,
Gente que sofria, sem direitos iguais.

Criou cooperativas, levou sustentabilidade,
Aliou o microscópio à força da comunidade.
Formou muitos cientistas, com saber e afeto,
Mostrando que a ciência tem que ter um projeto.

Não basta só estudar, é preciso transformar,
A dor dos esquecidos, é preciso escutar.
Luiz Hildebrando, exemplo de cidadão,
Que fez da ciência um ato de revolução.

Para Saber Mais

RAMOS, Léo. Combate sem trégua: Luiz Hildebrando Pereira da Silva REVISTA PESQUISA FAPESP. jan 2013. Licença CC-BY-NC-ND, em https://revistapesquisa.fapesp.br/combate-sem-tregua/.

REVISTA DE PATOLOGIA TROPICAL. Luiz Hildebrando Pereira da Silva. Obituário., Vol. 43 (4): 518-520. out.-dez. 2014, em https://revistas.ufg.br/iptsp/article/download/33621/17780/141327.

ZORZETTO, R.; IZIQUE, C. Pesquisa FAPESP. 142, dez 2007. Luiz Hildebrando Pereira da Silva às margens do Rio Madeira, em https://revistapesquisa.fapesp.br/as-margens-do-rio-madeira/.

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