Science Film Festival: Dra. Maria Deane

Capa: Maria Deane em excursão médica pelo Nordeste.

A série Ciência em Gotas apresenta o curta sobre a Dra. Maria Deane, pesquisadora de doenças tropicais ao público infanto-juvenil do país. O documentário foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025 !

SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.

Science Film Festival: Dra. Maria Deane

Transcrição

A ciência pode transformar a vida das pessoas?

Maria Deane provou que sim, especialmente dos mais pobres e vulneráveis.

A situação financeira de sua família não era estável.

O pai, autônomo, tinha empregos temporários.

Era a mãe de Maria quem fazia as roupas dos filhos.

Com as duas irmãs, Maria compartilhava sapatos e brinquedos feitos em casa. Quando uma das irmãs morreu de difteria, a pequena Maria prometeu estudar as doenças que matavam os mais pobres.

Com 15 anos, Maria entrou para a Faculdade de Medicina do Pará, em uma época em que não era comum ver moças no ensino superior.

Suas boas notas chamaram a atenção de seu colega Leônidas de Melo Deane, e eles começaram a namorar.

Maria se aventurou em missões científicas pelo interior do norte e nordeste, percorreu áreas pobres e afastadas dos centros urbanos para investigar doenças como a Leishmaniose, a Doença de Chagas, a Leptospirose e a Malária.

Ela queria entender:

como essas doenças se disseminavam,

como era o contágio,

quais animais serviam de hospedeiros,

e como afetavam as pessoas.

Maria e Leônidas nem sempre faziam trabalho de campo juntos e ficavam algum tempo distantes um do outro. Mas isso não impediu que se casassem.

Em 1975, o casal foi para Portugal, onde sua filha, perseguida pela ditadura civil-militar brasileira, estava exilada.

Mais tarde, o casal mudou-se para a Venezuela, onde Maria reestruturou o Departamento de Parasitologia da Universidade de Carabobo.

Após retornarem ao Brasil, Maria Deane realizou um feito importante com relação à Doença de Chagas. Até então, acreditava-se que parasitos como o Tripanossoma cruzi precisavam de dois hospedeiros para completar seu ciclo de vida:

um invertebrado, o barbeiro,

e outro vertebrado, animais, como o gambá, o macaco e o homem.

Em 1984, Maria Deane e a equipe descobriram que o Tripanossoma cruzi consegue fazer os dois ciclos no gambá. Esta descoberta mostrou como o cruzi completa seu ciclo de vida sem precisar da presença do inseto.

Isso colaborou substancialmente para a compreensão da biologia evolutiva do parasito e das relações entre parasitos e seus hospedeiros.

Atualmente, a doença está controlada.

Da infância pobre, Maria Deane se tornou uma das mais destacadas cientistas brasileiras.

A Ciência pode ser um instrumento transformador para uma vida mais saudável e justa para todos.

Arte Maria Deane

Arte, feita pelo artista Márcio Button (Afrocollage), traz referências à trajetória da cientista Maria Deane para o calendário 2021 do Instituto Aggeu Magalhães, Fiocruz Pernambuco.

  1. Flebótomo – mosquito transmissor da leishmaniose, doença à qual Maria Deane dedicou muitos dos seus estudos.
  2. Gambá de orelha-branca (Didelphis marsupialis) – animal reservatório do Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, cujo ciclo de transmissão oral foi esclarecido por Deane.
  3. Trypanosoma cruziparasito bastante estudado pela cientista.
  4.  Plantas amazônicas (vitória-régia, palmeira de açaí, buriti etc) – alusão à região do país onde o casal Deane desenvolveu grande parte dos seus estudos.

Maria Deane em Poesia

MARIA DEANE, A CIÊNCIA QUE CURA
(poesia criada com IA, editada por Paulo Henrique Colonese).

Na infância de chão simples e sonhos guardados,
Maria cresceu entre tecidos costurados.
Sapatos divididos, brinquedos de pano,
Mas no peito, um desejo soberano.

A dor da irmã, levada pela difteria,
Fez nascer em Maria uma ousada profecia:
“Vou estudar as doenças que matam,
Os mais pobres, e mais frágeis.”

Com quinze anos, rompeu o costume,
Entrou na Medicina com coragem e lume.
Conheceu Leônidas, parceiro e paixão,
Juntos, sonharam com transformação.

Pelos sertões do Norte e do Nordeste,
Maria buscava o que a Ciência persegue:
Leishmaniose, Chagas, Malária, Leptospirose,
Doenças cruéis, de nomes ferozes.

Queria saber como a doença se espalhava,
Que bicho a levava, quem ela matava.
Com bisturi e caderno, sem medo ou vaidade,
Fez da pesquisa, seu combate.

No exílio, cruzou fronteiras,
Na Venezuela, ergueu novas bandeiras.
Reestruturou saber, semeou esperança,
Com a força serena de quem nunca se cansa.

E no Brasil, fez história com precisão:
Mostrou que o cruzi, sem o barbeiro,
Completa seu ciclo no gambá, inteiro.
E revolucionou a Ciência, com dedicação.

Hoje, a doença está sob controle,
Graças a Maria, que fez da dor um farol.
Da pobreza à glória, sem perder o chão,
Provou que a Ciência é transformação.

Para Saber Mais

PAUMGARTTEN, F. J. Roma, & OLIVEIRA, Ana Cecilia A. X. de. (2025). Maria José von Paumgartten Deane (1916-1995): pioneira da Medicina Tropical e da Parasitologia na América Latina. Revista Pan-Amazônica de Saúde, 16, Epub 21 de agosto de 2025. Em https://dx.doi.org/10.5123/s2176-6223202501703.

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