Capa: Peixe-Papagaio-de-Recife (Sparisoma amplum). © William R S Maciel, 2023. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
O documentário foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025 !
SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.
O filme pode ser solicitado para exibição (dublado em português) ao SCIENCE FILM FESTIVAL pelo Formulário de inscrição. Ou ser visto diretamente no site do Projeto DARWIN 200.
Série DARWIN 200, Episódio Rodolitos: As Pedras Rolantes do Oceano
DARWIN200 é uma iniciativa de conservação planetária que visa mudar o mundo para melhor. Uma jornada de descoberta para refazer a viagem de Charles Darwin ao redor do globo. Retornamos recentemente de nossa épica viagem global de 2023-2025, que seguiu os passos de Charles Darwin a bordo do HMS Beagle, dois séculos atrás. Utilizamos nosso navio como um laboratório flutuante e plataforma de mídia para aproveitar o legado da paixão de Charles Darwin pela história natural, a fim de envolver o público mundial e promover a conservação global.
Fonte: https://darwin200.com/
Nesse episódio, vamos acompanhar a Lider Darwin 200, Heather O’Keefe em sua pesquisa sobre rodolitos em Fernando de Noronha, com a participação especial da pesquisadora brasileira Marina Nasri Sissini.
Heather, uma bióloga dedicada e graduada em Oceanografia, dá vida à conservação marinha por meio de seu trabalho no Aquário Marinho Nacional e de pesquisas inovadoras sobre corais. Sua jornada inspiradora é impulsionada por encontros com conservacionistas apaixonados e experiências imersivas na natureza.
O vibrante compromisso de Heather com a conservação marinha se manifesta em suas funções dinâmicas como bióloga de apoio e em sua recente conquista de um bacharelado em Oceanografia e Conservação Marinha.
Trabalhando no Aquário Marinho Nacional, ela se destaca na manutenção de sistemas de suporte à vida marinha, na condução de pesquisas pioneiras sobre corais e na educação dos visitantes sobre as maravilhas do mundo marinho.
O ponto alto de sua trajetória acadêmica foi seu projeto de pesquisa, no qual ela elaborou meticulosamente um experimento para descobrir as dietas ideais para os corais Acropora microclados. Essas valiosas descobertas foram publicadas em um periódico científico, marcando sua contribuição para o avanço do conhecimento sobre conservação marinha.
Área de estudo: Rodolitos
Nesta cativante série documental em três partes, a líder da Darwin, Heather O’Keefe, leva os espectadores a uma jornada para explorar um dos ecossistemas mais impressionantes e pouco conhecidos do oceano: os bancos de rodolitos.
Essas “pedras rolantes” do mar, compostas por algas coralinas soltas, formam habitats subaquáticos complexos, vitais para a biodiversidade marinha e que atuam como importantes sumidouros de carbono azul. Apesar de seu papel ecológico crucial, os bancos de rodolitos permanecem em grande parte desconhecidos e enfrentam inúmeras ameaças decorrentes da atividade humana, das mudanças climáticas e da poluição.
UMA VISÃO HISTÓRICA
O primeiro episódio apresenta os bancos de rodolitos e destaca seu papel fundamental na sustentação da vida marinha. Discute as ameaças que enfrentam, incluindo a acidificação dos oceanos, a pesca de arrasto e o devastador derramamento de petróleo de 2019 que afetou a região.
A série também destaca a pesquisa inovadora liderada por Marina Nasri Sissini e sua equipe, cujo trabalho está revelando a incrível biodiversidade dentro desses habitats e sua importância para a saúde dos ecossistemas marinhos.
AMEAÇAS E DESAFIOS ATUAIS
No segundo episódio, o documentário aprofunda-se nos desafios enfrentados por esses bancos de rodolitos e nas pesquisas inovadoras que estão sendo conduzidas. Por meio de mergulho e sequenciamento de DNA, Marina e sua equipe estudam os rodolitos e as espécies que eles sustentam, revelando a extensão da biodiversidade dentro desses ecossistemas vibrantes. O episódio enfatiza a urgência de proteger os bancos de rodolitos e demonstra sua resiliência apesar das crescentes pressões ambientais.
O FUTURO DOS BANCOS DE RODOLITOS
O episódio final concentra-se no futuro dos bancos de rodolitos e nas estratégias necessárias para sua preservação. Especialistas, incluindo Marina, Fabio e Fernando, discutem ações essenciais de conservação, como mapeamento de habitats, monitoramento de espécies e educação do público sobre o valor dos ecossistemas de rodolitos. A série destaca como a compreensão do valor do carbono azul dos bancos de rodolitos pode defender políticas mais robustas para proteger esses habitats cruciais dos impactos humanos, como mineração e pesca de arrasto. Com cinematografia e edição impressionantes de Daniel Venturini, esta série dá vida à beleza e à importância dos bancos de rodolitos, ao mesmo tempo que celebra o trabalho pioneiro de Marina Sissini e a dedicação à conservação de Heather O’Keefe. Este projeto é um poderoso apelo à ação, que incentiva a conscientização global e os esforços para preservar esses extraordinários ecossistemas marinhos.
Rodolitos em Poesia
O Canto dos Rodolitos
No fundo do mar, onde a luz se desfaz,
Vivem seres de pedra, em silêncio e paz.
Não são corais, mas brilham em tons mil,
São os rodolitos, joias do Brasil.
Algas calcárias, de forma encantada,
Tecem no leito uma trama rosada.
Capturam carbono, purificam o mar,
Guardam histórias que vêm nos contar.
Na foz do Amazonas, um mundo escondido,
Com vida pulsante, ainda pouco entendido.
No Nordeste vibrante, em águas de sol,
Se estendem os bancos, do mar ao arrebol.
Bahia resplandece com Abrolhos no olhar,
A maior área do mundo a brilhar.
Vinte mil quilômetros de pura beleza,
Guardando a vida com rara leveza.
No Espírito Santo e no Rio a dançar,
Os rodolitos seguem a nos encantar.
E ao sul, em Santa Catarina a surgir,
Na Ilha do Campeche, começam a florir.
São berço de peixes, de algas, de cor,
De lagostas, de vida, de puro esplendor.
Mas sofrem calados, com óleo e calor,
Com a mão humana, que causa a dor.
Proteger esses bancos é mais que dever,
É garantir que a vida possa florescer.
Pois no silêncio do mar, em cada grão,
Pulsa a esperança de uma nova canção.
Poesia criada com IA Microsoft Copilot sobre a importância de rodolitos no Brasil.
Transcrição do vídeo
PARTE 1: UMA VISÃO HISTÓRICA
Você sabe o que é um rodolito?
Não!
O que é um rodolito? Eu não tenho a menor ideia!
Eu nunca ouvi falar sobre rodolitos antes.
Não, não vou nem arriscar.
HEATHER O’KEEFE
Então, o que é um rodólito?
É uma planta, ou um coral ou uma rocha?
Bem, é um pouco dos três.
Os rodolitos são um tipo de alga coralina.
Eles são compostos de uma camada de tecido vivo rosa brilhante em um esqueleto de carbonato de cálcio.
No entanto, ao contrário do coral, esse tecido é feito de células vegetais.
Os rodolitos vivem soltos do fundo do mar, o que significa que eles rolam como bolas de feno nas correntes oceânicas, eventualmente se reunindo para formar bancos rodolíticos.
Só recentemente foi descoberto que os bancos de rodolíticos são distribuídos de polo a polo em águas costeiras rasas de até 250 metros de profundidade.
Eles crescem muito lentamente, aumentando de tamanho apenas milímetros por ano e são tão antigos quanto os dinossauros.
250 Milhões de Anos
Apesar do fato de que esses leitos existem há milhões de anos, ainda não sabemos muito sobre eles.
Meu nome é Heather, e esta é minha equipe incrível.
DANIEL, nosso operador de câmera, cineasta e uma lenda brasileira.
E RANNVA JORMUNDSSON, nossa especialista em mergulho e anjo da guarda geral.
Para saber mais sobre os leitos de rodolitos, fomos para Fernando de Noronha, um pequeno arquipélago a 345 quilômetros da costa nordeste do Brasil.
Esta ilha incrivelmente biodiversa é o lar de mais de 1500 espécies de plantas e animais, com cerca de metade delas chamam as águas cristalinas ao redor da ilha, de seu lar.
Aqui conhecemos Marina Sissini, uma líder cientista, exploradora subaquática que estuda os leitos de rodolitos de Fernando de Noronha. E que é apaixonada por aprender mais e educar as pessoas sobre essas incríveis pedras vivas.
MARINA SISSINI
Sou fascinada pelas ilhas oceânicas.
Elas são verdadeiros laboratórios naturais.
Então, todas as nossas perguntas e hipóteses, elas são muito bem-vindas, e testadas aqui.
Depois que eu entrei no mundo dos rodolitos, eu me fascinei porque ninguém conhecia. E eu queria saber mais, e mais, e mais.
Em um dos meus primeiros trabalhos em Noronha, eu tive o prazer de sequenciar uma região do DNA de um rodolito coletado pelo próprio Darwin.
Darwin coletou este exemplar há quase 200 anos atrás, para descobrir se os rodolitos do Atlântico representam espécies iguais ou completamente diferentes daquelas do Pacífico e de outras regiões do mundo, abrindo um horizonte completamente novo para a compreensão desses ecossistemas.
HEATHER O’KEEFE
Os leitos de rodolitos fornecem alimento e abrigo para uma vasta gama de flora e fauna, desde o menor verme até os predadores de ponta. Isso cria um oásis de biodiversidade no que de outra forma seria um fundo do mar arenoso e estéril.
Uma arraia e um peixe-porco viajam juntos sobre os bancos de rodolitos. Essa relação simbiótica entre a arraia e o peixe mostra a origem dos alimentos escondidos entre os rodólitos.

Raia de Pedra (Hypanus berthalutzae). © marieaurelia, 2023. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Em outra parte do leito, vemos um grande grupo de peixes-papagaio pastando as macroalgas que cobrem alguns dos rodolitos. O peixe-papagaio é uma espécie-chave nos recifes, mantendo o crescimento de algas sob controle e dispersando sementes de plantas e areia em seu cocô.

Peixe-Papagaio-de-Recife (Sparisoma amplum). © William R S Maciel, 2023. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Este simples ato continua o ciclo de vida de muitas plantas e animais, incluindo os próprios rodolítos.
Um dos comportamentos mais incríveis exibidos nos leitos é visto neste engenheiro despretensioso. O malacanto (Malacanthus plumieri), ou peixe de telha de areia, passa boa parte do dia coletando, reorganizando e adicionando aos seus montes de rodólitos espalhados pelos leitos. Foi demonstrado que esse comportamento aumenta o número de outras espécies de peixes que vivem entre os rodolitos, fornecendo abrigo adicional. Outro exemplo incrível de simbiose neste lugar.

Víbora (Malacanthus plumieri). © Neil DeMaster, 2025. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
MARINA SISSINI
Infelizmente, a gente estuda os organismos que o ser humano tem algum interesse.
Então, os rodolitos ficaram para trás por muito tempo.
Mas eu tenho certeza que, comunicando propriamente a riqueza e a importância dessas rochas vivas, a gente vai chamar a atenção das pessoas para a conservação desses ambientes.
PARTE 2: AS AMEAÇAS ATUAIS
NARRADOR
Assim como a triste maioria dos ecossistemas marinhos ao redor do mundo, os bancos de rodolito também são suscetíveis a diversos impactos humanos.
No primeiro episódio, a gente entendeu a importância dos rodolitos.
Agora, a gente vai explorar as principais ameaças desses ambientes, o que o futuro resguarda para eles e como que a gente pode agir para protegê-los.
Os bancos de rodolitos seguem sendo muito pouco estudados quando comparados a outros ambientes costeiros, o que acaba limitando o nosso conhecimento e comprometendo a tomada de decisões e o sucesso das ações de conservação.
Para ver de perto como que a ciência busca mudar esse panorama, a gente vai acompanhar a Marina em alguns mergulhos científicos num extenso banco de rodolitos.
MARINA SISSINI
Estamos partindo então para 2 pontos aqui em Fernando de Noronha, lá na ponta norte, que é a Cagarras, o segundo mergulho vai ser na Ressureta.
HEATHER O’KEEFE
Eu estou muito excitada.
E hoje podemos, ver alguns bancos de rodolitos e alguns recifes.
RANNVA JORMUNDSSON
Eu não sei, eu acho que estou mais excitada sobre os rodolitos, eu tenho que dizer. Não vejo a hora de ver algumas rochas rodolitos.
NARRADOR
Foi fácil, fácil se distrair com os moradores locais. Mas logo, logo, a gente começou a colocar a mão na massa.
Em 5 pontos aleatórios, a gente fotografou e coletou todos os rodolitos dentro de uma parcela de 25 x 25 centímetros. Uma coleta que vai ser fundamental para a gente identificar e quantificar os diminutos organismos que vivem dentro dos rodolitos.
As amostras parecem bem pequenas, mas a gente finalizou o mergulho com sacos surpreendentemente pesados.
Um mergulho desses me remete ao privilégio que a gente tem de estar em uma unidade de conservação que, aliada ao próprio isolamento do arquipélago de Fernando de Noronha, favorece a proteção dos bancos de rodolito contra atividades humanas diretas.
Acontece que, infelizmente, nem os limites do parque nacional e tampouco o isolamento geográfico resguarda esse ou outros ambientes dos desequilíbrios que afetam o planeta como um todo.
MARINA SISSINI
Assim como os outros organismos marinhos, algas calcárias e rodolitos estão sob as ameaças das mudanças de extinções globais, como a acidificação dos oceanos, e o aumento da temperatura dos oceanos.
E como isso interfere nos rodolitos?
A mudança do PH promovida pela acidificação dos oceanos, ela faz com que o processo de descalcificação no oceano se altere. Isso faz com que o rodolito perca a sua reserva de carbonato de cálcio, se tornando mais sensível.
O aumento de temperatura, a gente já tem visto, alterar o metabolismo da alga. Então, ela torna a saúde do rodolito mais vulnerável a outros impactos, que não podendo recuperar.
NARRADOR
Projeções para 2100 estimam a perda de 26% a 44% da área total ocupada pelos rodolitos no planeta, devido aos efeitos das mudanças climáticas.
MARINA SISSINI
Quando a gente vai diminuindo a resolução, e vendo a perspectiva de Brasil, a gente tem alguns expressores, como a mineração, que explora os rodolitos e bancos de rodolitos.
E uma pauta que a gente tem vivenciado aqui muito no Brasil é o loteamento de blocos para a exploração de petróleo.
NARRADOR
Esses são os 92 blocos ofertados em 2021 pelo governo brasileiro para a exploração de petróleo e gás.
A implementação desses blocos multiplica por oito as emissões anuais de combustíveis fósseis do país.
Acelerando drasticamente os efeitos das mudanças climáticas e colocando em risco áreas prioritárias para a conservação, através dos impactos indiretos da extração desses recursos.
PARTE 3: PERSPECTIVAS FUTURAS
MARINA SISSINI
Para lidar com essas ameaças é muito urgente o esforço de mapear os bancos de rodolitos que a gente ainda não conhece, entender a biodiversidade deles e, mais do que isso, a gente elucidar qual é o papel dos rodolitos no ciclo biogeoquímico do carbono.
As amostras, que a gente coletou hoje aqui, representam parte dos nossos esforços em reconhecer os bancos dos rodolitos, como Blue Carbon Ecosystems. Valorar esse serviço ecossistêmico vem representar um grande passo rumo à conservação desses bancos.
E, a partir daí, a gente passa a enxergar os rodolitos como uma solução baseada na natureza, para a mitigação das mudanças climáticas e para a manutenção da saúde do oceano.
Uma visão bem mais alinhada com as metas globais de sustentabilidade.
NARRADOR
Enquanto a ciência busca as respostas que vão definir o futuro dos rodolitos, o nosso papel é seguir encantando as pessoas quanto à beleza, a importância e a singularidade desses ambientes.
Em Fernando de Noronha, essa já é a mentalidade dos guias de mergulho.
GUIAS DE MERGULHO
Fabio Borges: Olha, acho que o primeiro passo é essa conscientização. As pessoas têm que entender a importância deles.
Fernando Rodrigues: Isso também vai muito do jeito que a gente passa a informação. Então, se você direciona a atenção do mergulhador para esse lado, com certeza ele passa a enxergar de uma forma diferente.
Fabio Borges: Se simplesmente cair no banco de rodrigues e sair mergulhando, a pessoa não vai entender nada. Mas na hora que você explica, mostra, aí acho que as pessoas vão se interessar e até despertar, de uma maneira superpositiva, o interesse.
Fernando Rodrigues: Naquele momento, ele vai ter um entendimento do quanto é importante aquele banco de rodolito e mais as outras espécies que estão ali embaixo.
NARRADOR
Essa também é a mentalidade da Clara, bolsista do ICMBio em Fernando de Noronha e responsável pela capacitação dos condutores de mergulho na ilha.
CLARA BUCK
Eles são guias, eles são condutores de visitantes da parte marinha.
Eu sempre gostei dessa história dos rodolitos, porque elas são muito importantes para a formação geológica de Fernando de Noronha.
Então, quando o instrutor, agora capacitado, com mais informações sobre o ecossistema que ele está levando aquele visitante, quando ele passa essas informações para ele, muda. O visitante sai muito mais interessado e até consegue ver mais coisa no mergulho.
MARINA SISSINI
O quanto que os impactos globais estão afetando os benefícios que os bancos de rodolitos trazem para o nosso planeta, a gente não sabe.
A gente ainda tem muito chão pela frente para mapear os bancos de rodolitos, entender a biodiversidade deles, entender o papel deles no sequestro de carbono.
Vivenciar tudo isso durante essa expedição do Darwin 200, vendo as pessoas se encantando com os bancos de rodolitos, foi bem especial.
Certamente, são pequenos passos como esse que vão garantir a preservação desses ecossistemas.

