Science Film Festival: Te Moana Ora, Oceano Vivo

Capa: Ilha Salas y Gómez. The TerraMar Project. Flickr. Licença CC-BY-NC-2.0.

SCIENCE FILM FESTIVAL 2025

O documentário “Te Moana Ora, O Oceano Vivo”, foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025!

SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.

O filme pode ser solicitado para exibição (dublado em português) ao SCIENCE FILM FESTIVAL pelo Formulário de inscrição.

Teaser TE MOANA ORA

Com a participação especial da educadora Rapa Nui, Sera Moulton.

Uma produção de Cabra en el Monte Producciones @cabraenelmonte e de El Plan Producciones @elplanproducciones em colaboração com Schmidt Ocean Institute @schmidtocean

Com o generoso apoio do Conservation International, Blue Nature Alliance, Coral Reefs of the High Seas Coalition, Corporación Cultural de Rapa Nui. E o apoio estratégico de Koro Nui O Te Vaikava, Centro Científico Esmoi, e a Dirección de Medio Ambiente de la Municipalidad de Rapa Nui.

Direção: Claudia Berardi e Coca Sepúlveda

Produção executiva: Claudia Berardi

Edição: Coca Sepúlveda

Câmara: Claudia Berardi, Coca Sepúlveda

Câmara subaquática: Cristian Rapu @cristian.rapu_photo

Imagens submarinas de mar profundo: ROV SuBastian, Schmidt Ocean Institute.

Canal Youtube com registros filmográficos durante toda a expedição, com centenas de horas de filmagens e entrevistas durante a expedição.

ENTREVISTADOS

SERAFINA HEIRANGI MOULTON TEPANO – artista e educadora Rapa Nui. O que significa para você ser Rapa Nui? Canção Moana, parte do documentário Te Moana Ora

TAUROA MATAU AGUILERA HEY, artista e ilustrador Rapa Nui.

Dra. Erin E. Easton, Oceanógrafa em Biologia Marinha, The University of Texas Rio Grande Valley.

Dra. María de los Ángeles Gallardo, Bióloga marinha, ESMOI Scientific Center.

Dr. Javier Sellanes, Oceanógrafo, ESMOI Scientific Center.

Dr. Luca Fallati, Geomorfologista Marinho, University of Milano-Bicocca.

Rosanne Dodde, Mestranda em Ecologia, Wageningen University & Reseach.

Bastian Riveros, Estudante de Biologia Marinha, Universidad Católica del Norte.

Dr(C). Jan Maximiliano Tapia, Biólogo Marinho, ESMOI Scientific Center.

TRANSCRIÇÃO

Canto (Canção Te Moana): https://www.instagram.com/reel/DHj6MxdpPn3/?igsh=eThid21pcjg0eDA1

Sera Moulton

Eu sempre estive conectada com o mar. Mesmo, antes de eu existir neste mundo terreno.

Canto (Canção Te Moana)

Sera Moulton

Meus túpunas, meus ancestrais, eles foram pessoas que conviveram com o mar.

Navegaram o Oceano para buscar lugares de onde assentar-se.

Tūpuna. Ancestrais, avós – variação dialetal ocidental de tīpuna.

Ilha Rapa Nui. The TerraMar Project. Flickr. Licença CC-BY-NC-2.0.

Canto (Canção Te Moana)

Sera Moulton

Desde pequena sempre me encantava ir ao mar,

e passar tempo no mar, desfrutar o mar.

Quando eu tinha pena, eu ia pro mar,

Quando eu tinha raiva, eu ia pro mar,

Quando estranhava minha mama, ou meu papai,

O mar se aproximava, me abraçava,

Ele me abraça e me acompanha,

e sempre tive essa conexão mais que física, era uma conexão mais espiritual.

Som de equipamentos e tripulantes na embarcação.

Sera Moulton

E eu, como pessoa, como uma rapanui, vou já viajar aquela profundidade, para a escuridão, para o Pó Uru, assim para o Pó Kere Kere, onde vivem outro tipo de criaturas, de animais onde o olho humano jamais alcançou.

Pó Uru e Pó kere kere fazem parte da cosmologia e da tradição oral Rapa Nui, relacionada à divisão do tempo e à origem do mundo.
Pó Uru refere-se a uma das fases primordiais do universo na mitologia Rapa Nui. A palavra “Pó” significa “noite” ou “escuridão”, e é usada para designar estados anteriores à criação. Pó Uru é associado ao momento inicial, uma etapa de gestação ou origem, ligada à fertilidade e ao surgimento da vida. É como um “útero cósmico”, onde tudo estava em potencial antes de se manifestar.
Pó kere kere também faz parte dessas fases cosmogônicas. Kere kere significa “muito escuro” ou “completamente escuro”. Pó kere kere representa a escuridão absoluta, um estado anterior à luz e à ordem, simbolizando o caos primordial ou a noite profunda antes da criação.
Esses conceitos aparecem em cânticos, genealogias e narrativas que descrevem como o mundo passou de um estado de escuridão para a luz, marcando a transição do caos para a ordem. São ideias semelhantes às encontradas em outras culturas polinésias, que também usam “Po” para designar o tempo mítico anterior à existência.

Equipe embarcando em Valparaíso, V Region, Chile.

Dra. Erin E. Easton

Welcome, everybody, to the Smith Ocean Institute Expedition to the unexplored seamounts of the Salos Gomez Ridge. On this expedition, we will be exploring the Oceanic Islands of Rapa Nui (Ilha de Páscoa) and Motu Motiro Hiva (Ilha Salas e Gómez), and ten seamounts, many of which are unmapped and unexplored.

Motu Motiro Hiva” significa “ilhote do sonho distante” e evoca Hiva, a terra de origem dos ancestrais do povo rapanui.

Tripulante recebendo a equipe de pesquisadores

Sera Moulton

Olá a todos, eu sou Serafina Heirani Moulton Tepano. Eu nasci em Rapa Nui. Eu estou aqui convidada como artista principalmente.

O objetivo, meu objetivo, como seria, é mostrar-minha cultura, ensinar minha cultura, criar arte que eu tenho que realizar para deixar como oferenda e, à parte, já que sou educadora tradicional, me dedico a ensinar a Língua Rapa Nui a crianças da Educação Infantil, nos Jardins de Infâncias e em Colégios.

Além disso, estou trabalhando num Departamento de Meio Ambiente da municipalidade de Rapa Nui, onde, principalmente, ensinamos a Los Niños de todas as coisas, um pouquinho.

E, principalmente, meu objetivo aqui é aprender, sugar, escutar tudo o que puder, tudo o que me rodeia aqui e tudo o que eu vou adquirir, vou aprender aqui é para eles, com o objetivo de que eles também possam viver e sentir o que eu estou sentindo neste momento.

Sons de Máquinas e Equipamentos do Navio

Dra. María Gallardo

Esta zona da Dorsal de Salas y Gomez, que está fora da jurisdição chilena, está em mar aberto e precisa de proteção. Então, para esta zona ser reconhecida e elevada como uma zona de proteção, a principal zona que quer ser potencialmente transformada em área protegida marinha em mar aberto. E isso é o primeiro passo para que isso aconteça, mas para isso, precisamos de informação.

Este cruzeiro, essa expedição, busca fornecer informação. Então, encontrar registros novos, de espécies novos, que forneçam uma ideia da conectividade com o Pacífico, dos processos de geração e aumentar os níveis de endemismo, essas descobertas reforçam e dão maior poder à nossa petição, junto ao Governo do Chile, para designar esta área como uma área de proteção em mar aberto – o que seria a primeira.

Contar com o apoio do povo de Rapa Nui, para poder sustentar esta predição, é de muito valor também.

Reunião de Equipe de Coleta

Dra. María Gallardo

A equipe responsável para a coleta de amostras será: a Fafa, a Mari, a Emi.

Tau, tu poderia ajudar em um dos turnos?

Tauroa Aguilera Hey

Sim.

Dra. María Gallardo

E aí eu acomodo, mas por enquanto, esse é o plano.

Então, teríamos cerca de 2h30min para classificar as amostras.

Falkor (too) é um navio de pesquisa oceanográfica operado pelo Schmidt Ocean Institute (SOI), uma organização sem fins lucrativos dedicada à exploração e estudo dos oceanos. Ele foi construído em 2011 como navio de apoio chamado Polar Queen. Foi adquirido pelo SOI em 2021 e passou por uma grande reforma para se tornar um laboratório científico flutuante de última geração. Entrou em operação como navio de pesquisa em 2023.
Ele tem e110 metros de comprimento e 20 metros de largura. E tem capacidade paraaté 70 pessoas a bordo.
Possui 8 laboratórios (biologia, robótica, eletrônica, água do mar, etc.). E está equipado com Sonar multifeixe para mapeamento do fundo oceânico, Sistemas para análise de microplásticos e Plataformas para lançamento de veículos subaquáticos e robôs. Possui heliporto e sistemas avançados de posicionamento dinâmico para manter estabilidade em operações científicas.
Ele foi projetado para pesquisa científica, como estudos de biodiversidade marinha, geologia submarina, impactos de terremotos e mudanças climáticas.
O Falkor (too) é um dos navios de pesquisa mais avançados do mundo, com infraestrutura para cientistas internacionais desenvolverem projetos inovadores sobre oceanografia, conservação marinha e tecnologia subaquática.

Tauroa Aguilera Hey

Olá, eu sou Tauroa Aguilera Hey, artista Rapa Nui. Minha função, a bordo do Falkor 2 é que eu fui convidado como artista por parte de “Koro Nui o Te Vaikava”.

“Koro Nui o Te Vaikava” é uma expressão em Rapa Nui, e está ligada à gestão e conservação do mar da região. Koro Nui: literalmente “grande conselho” ou “conselho principal”. Vaikava: significa “mar” em Rapa Nui. Portanto, Koro Nui o Te Vaikava pode ser traduzido como “Grande Conselho do Mar”. Nome do Conselho do Mar de Rapa Nui, uma instância comunitária e institucional que administra as Áreas Marinas Protegidas da ilha. E une tradição e ciência para proteger o oceano em torno da Ilha Rapa Nui.

Tauroa Aguilera Hey

Eles me selecionaram, como artista rapanui, pertence à etnia rapanui, para participar do programa Artista No Mar.

Como Artist At Sea, como eles chamam aqui a bordo, é um pouco para que um artista convidado a bordo possa retratar tudo o que acontece durante a expedição. Então, minha obra aqui, é simplesmente criar, e sinceramente, ao final, deixar uma obra de arte, que vai ficar aqui no navio.

Veja a galeria do programa Artistas no Mar em https://schmidtocean.org/collection/artist-at-sea/
E os materiais educativos do Instituto Schmidt Ocean Institut: https://schmidtocean.org/education/ocean-education-resources/

Tauroa Aguilera Hey

Embora os artistas não sejam normalmente associados a este tipo de coisa, como expedições científicas. Historicamente, principalmente antigamente, quando europeus costumavam trazer artistas para documentar e criar gravuras e, depois, litografias das expedições europeias em Ilhas do Pacífico.

Foi o que me disseram, antes de vir para cá, que eu seria como um desses europeus, documentando e representando.

Tripulantes operando o navio, testando equipamentos e falando sobre segurança.

Dr. Javier Sellanes

Bem, as expectativas que nós temos para esta expedição, são obviamente, sempre muito grandes. Sabemos que estas zonas, ainda em grande parte, inexploradas, nós vamos sempre nos deparar com surpresas pois o ambiente é um pouco distinto. O ambiente obviamente muda à medida que nos afastamos da costa, os fatores ambientais mudam fazendo com que essas montanhas submarinhas assim precisamente sejam muito distintas das que temos próximas da costa. E também sempre as expectativas são muito altas quando nos aventuramos em áreas tão inexploradas amos encontrar novas espécies, novas comunidades para descrever não apenas a parte biológica, mas também em termos da morfologia submarina desses montes submarinos.

Equipe lançando a sonda submarina

Sera Moulton

Então, isso, para nós, vai ser uma experiência inesquecível, porque vai ser a primeira vez que é um rapanui e todos nós vamos sair aí para conhecer, escutar e sentir. E, nós queremos agradecer que o que vemos aqui em cima, o Azul, o Vaikava, porém abaixo, é outro mundo. Há outra vida, outros seres.

E isso me deixa muito ansiosa.

Canto Rapa Nui com cenas da biodiversidade submarina

Sera Moulton

É muito lindo de ver, desde que começou a descer, tudo vai ficando mais escuro, conforme a luz do Sol vai desaparecendo e entra na obscuridade. Então, aparece um sem fim de animais, de criaturas que eu jamais havia visto. E, talvez, muito de meus companheiros tampouco haviam vistos e, provavelmente, também seja algo novo para vocês que estão em Rapa Nui e no mundo ao seu redor, para ver esses animais pela primeira vez, isso é algo realmente maravilhoso!

Canto com cenas da biodiversidade vista pelos tripulantes e pesquisadores nas telas.

Dr. Luca Fallati

Choose where to dive, it’s really important to first have a good resolution map of the seafloor. And, so usually, when we arrive on the station, what we start to do is to use the multi-beam ecosounder, so that it’s a sonor that scan, using acoustic wave to reproduce the seafloor morphology. And, thanks to the map, we can describe some features. And these features can be useful to find the perfect dive spot.

Sera Moulton

Naquele momento, estávamos entrando alí na área de marinha protegida de Rapa Nui. E, entrar na área marinha protegida significa entrar neste mundo que não vemos, mas que está aqui conosco.

E, para mim, era super necessário ensinar a essas pessoas que elas poderiam se conectar com isso também através da Tacona, através da tatuagem com kiea, fazendo figuras diferentes, como o Ika e o Manu, que são animais, são seres que estão em nossa jornada, conosco.

É parte da minha cultura, é parte da minha história. É parte das raízes daqui de Rapa Nui. E, é importante, transmitir todas essas coisas.

Tacona (ou Takona) é uma arte ancestral da pintura corporal do povo Rapa Nui que continua viva, sendo ensinada e praticada por gerações para preservar o legado cultural da ilha.
É uma prática e expressão cultural que evoca experiências e cerimônias tradicionais. Baseia-se em traços e desenhos complexos no corpo que combinam formas, desenhos e cores.
As pinturas são feitas com um pigmento natural chamado kiea, uma terra vulcânica encontrada em diversas tonalidades na ilha. Para eventos não cerimoniais, por vezes são usadas tintas alternativas, pois o kiea é um recurso não renovável.
Cada desenho e símbolo possui um significado específico, contando histórias, representando status social, afiliação familiar ou características individuais, semelhante a uma tatuagem temporária.
Ika” significa peixe na língua Rapa Nui. Os peixes são associados à abundância, prosperidade e sustento, pois o mar é a principal fonte de alimento para os habitantes da ilha.
Manu” significa ave. As aves, como o Manutara (espécie de andorinha-do-mar), têm papel central no ritual sagrado Tangata Manu (Homem-Pássaro). Representam mensageiros entre o mundo espiritual e o mundo dos vivos, além de fertilidade e renovação.

Cena de Sena Moulton pintando os pesquisadores e tripulantes no convés, e depois ensinando danças correspondentes aos taconas desenhados (peixe e pássaro)

Sera Moulton

Quando você entra em uma área maninha protegida não é algo que você vê, é algo que você sente. E, para mim, isso foi superimportante.

É superimportante poder pedir permissão, quando alguém vai a um lugar, quando vai a um Ahú, você pede permissão aos Tupuna, aos Varua, aos Aku-Aku, a todos os seres que você não vê, mas estão ali.

Ahú se refere às plataformas cerimoniais de pedra sobre as quais são colocadas as famosas estátuas moai. Essas plataformas não são apenas estruturas físicas, mas possuem um profundo significado espiritual e social.
Varua (ou aku) tem um significado espiritual importante na cultura Rapa Nui. Refere-se aos espíritos dos falecidos. Acredita-se que esses espíritos persistem após a morte e podem assumir formas humanas ou animais.
Aku-Aku se refere a espíritos guardiões que habitam cavernas e lugares sagrados de Rapa Nui. São protetores, mas podem punir quem desrespeite tabus ou viole áreas proibidas. Não são representados por estátuas como os moai, os Aku-Aku aparecem em mitos e lendas.

Você pede permissão a eles para nos cuidar também e, sempre com respeito.

Você vai a esses lugares não para causar danos, mas para adquirir conhecimento para todos, não é só para nós, Rapanui.

Então, através do tatuagens com kiea, com as histórias, com os diferentes desenhos, senti super necessário poder compartilhar isso com estas pessoas, para que elas também tenham conhecimento, para que eles também sintam também.

Sera Moulton

Nossa chegada aqui a Rapa Nui foi super emocionante. Primeiro porque, antes de tudo, sentir a energia da ilha, sentir a acolhida das pessoas. Eu senti que os Tupuna estavam abrindo a sua casa com boa energia, com bons sentimentos e emoções, para que toda a expedição ao redor da ilha, pudesse ser realizada com respeito e o sentimento de que eles estão nos acompanhando, porque, afinal, o objetivo não é só para os cientistas do barco, mas para nós também, como comunidade, saber o que temos no fundo? o que está vivendo no Pó Uri? quais são os animais? Para que, assim, nós possamos saber o que fazer com eles e como cuidar deles.

Canto com cenas de coletas de amostras no fundo do mar e retorno à superfície

Canto com equipe coletando amostras e analisando no laboratório

Sera Moulton

Assim, nós vamos carregados com essa energia, de toda essa mana, porque para mim é mana, para os próximos lugares que visitaremos no fundo, por exemplo, Apolo, Pukao, Moai.

Cena do barco. Um arco íris duplo. Equipamentos e tripulantes operando o coletor de amostras

Canto com pesquisadores e equipe nos laboratórios com amostras

Dr. Javier Sellanes

Esta foi um uma imersão, um mergulho em um dos lados de Motu Motiro Hiva. Partimos de 800 metros de profundidade e alcançamos os 1200 metros. Eu creio que vimos distintos tipos de esponjas, coral, crutáceos e alguns moluscos.

Um dos mais interessantes, ao menos para mim, é este, que é uma espécie parecido ao molusco Pipi tomatō vahine de Rapa Nui, mas que é de maior tamanho, com podem ver aí (na filmagem) que estamos estudando. É uma espécie que acabamos de descrever como nova para a ciência. E, agora, também, estamos coletando amostras para ver suas características genéticas.

Coletor de amostras sendo içado do mar pelo barco

Rosanne Dodde

Squad lobsters in the Salas e Gomez Ridge have shown a very high emission. So, every single sediment we’ve seen has shown different species of composition, as well as, new species for science. So, the gift just keeps on giving. Every sediment has shown to be unique and show different results. Create different kinds of squad lobes or different colors, different shapes, different spines. It’s really amazing.

Bastian Riveros

Cada vez que ROB mergulhava, encontramos pelo menos um “squad”, um camarão. E a princípio era, “yeah, encontramos um, yeah, distinto”, “encontramos outro, distinto”. E a princípio, não sei, a primeira semana, era como, “Uau!” outro diferente, yeah, e outro novo, outro diferente, mas na segunda semana, yeah, outro mais, outro distinto. E isso foi complicado, porque, claro, são novos, e possivelmente novas espécies, mas nós precisávamos de pelo menos 2 exemplares, indivíduos da mesma espécie.

Rosanne Dodde

For our experiment, it actually is a really big problem that we are not able to have enough duplicates per species, because we just keep on finding new species. And once, we get something that looks similar, but under the microscope, some things seeing to be like, were so different that they actually were different species as well. So, we cannot find them or the experiment failed on the search for species because we just keep on finding new species, which is really, a really, a “funny problem”.

Tripulantes soltando o coletor submarino ROV Subastian no mar

Sera Moulton

O ROV Subastian me deixou impressionada, maravilhada em como a mente humana chegou a tal nível de inteligência para criar esse robô, esta embarcação e assim, um sem fim de coisas.

Cena da cabine de controle e do braço coletor do ROV Subastian

Sera Moulton

O ROV Subastian me deixou impressionada em sua capacidade de chegar a profundidade de quatro mil metros, a essa profundidade, isso é algo majestoso, incrível e com muitas câmeras 4K. Ele tem até um braço. O braço agarra o animal, os crustáceos, os moluscos e os coloca dentro de um tubo de PVC, abre a tampa… É como um humano, porém um robô.

Dr (C) Jan Maximiliano Tapia

Só nesta campanha, conseguimos registrar 237 espécies, das quais, 140 são novos registros para a zona. Isso significa que eles não haviam sido observadas aqui antes, eram descritas anteriormente, mas em uma nova distribuição tanto em termos de latitude, quanto de profundidade. Também pela primeira vez foi observado um organismo que só era conhecido em outra parte do mundo, precisamente no Atlântico – que é o “monstro espaguete” (Bathyphysa conifera). Isso é algo bastante curioso. Além disso, outros animais bastante bonitos, como o Chaunax, nudibranquios que são animais bastante carismáticos.

Outro evento bastante marcante, principalmente em ambientes saudáveis, encontrados nesta zona do Pacífico, principalmente ao redor de Salas e Gómez, áreas cercadas por “corais chicote”, campos extensos de esponjas de cristal, campos extensos de grande tamanho. Inclusive, encontramos e pudemos observar Colônias de Coral, que eram gigantescos, o que indica que são corais milenares, com milhares de anos vivendo nesta zona intocada, que nunca viram a presença humana no passado.

Cenas coletas de animais marinhos do ROV Subastian

Sera Moulton

Eu estou maravilhada, estou plena de amor, de carinho, de respeito. A gente aqui é muito aberta para ensinar tudo. Em nenhum momento, há um “não”.

Se sente uma vibração aqui muito linda, muita gente muito positiva. Em nenhum momento eu me senti rejeitada ou indesejada. Maravilhoso, realmente maravilhoso.

Tauroa Aguilera Hey

Esperei praticamente a primeira metade do trabalho, da viagem para esperar e ver o que encontraríamos perto da Ilha, como passávamos, como a equipe trabalhava.

E assim, nasceu esta pintura com um mês de trabalho, com linhas de caneta sobre o papel para representar a navegação que nós fizemos juntos, tanto por parte de Rapa Nui quanto do Schdmit Ocean e que simboliza também todos os cientistas e todos os membros da tripulação e fala dessa viagem conjunta que realizamos nas profundezas de Rapa Nui. E toda a vida que nós não sabíamos que existia no fundo do oceano.

Dra. Erin E. Easton

It is my first time, as chief scientist, so that in itself is challenging. But at the same time, the people that I’m working with and that are part of the team have been amazing. They have gone beyond anything I could have expected in terms of their dedication and support and cooperation and collaboration during this expedition. And just the little moments that we’ve had all throughout the expedition have been wonderful, from one sarau Rapa Nui, with Sera spontaneously singing, teaching us to dance traditional Rapa Nui.

I’m reaching the furthest western point on our transact and realizing, okay, this is as far west as we’re going, this is our turning point. Because one of our goals was to collect samples, this particular marine mountain named Pukao, and to have accomplished that finally after working in this area for a decade.

It was very emotional to see the Rapanui community and Rapinuni was emotional as well. I spent a lot of my time working there and to be back and for such a short period of time, it was a little bit sad, but so excited. So, it’s really been an emotional roller coaster and just full of beautiful special moments.

Sera Moulton

Jamais havia tido uma experiencia assim de um nivel topíssimo. Eu creio que nós, adultos, temos a responsabilidade de todos nós, do Estado, do Município, do adulto, gerar espaço educacional para que a criança se motive.

Porque se mostramos à criança, o futebol, o rugby, e o mesmo de sempre, o futebol, o rugby, o futebol, o rugby, o celular, o celular, o celular, a criança vai se focar nisso. Mas, em vez disso, se em Rapa Nui geramos espaços educacionais que tenham a ver com o mar porque a criança de Rapa Nui nasce e vive ao redor do mar.

A criança de Rapa Nui sabe nadar, sabe mergulhar, mas além disso, na sala de aula, nos estudos, a profundidade, os peixes, as algas, a tartaruga, a vida em si do mar, não é de conhecimento. Então, é uma responsabilidade mostrar-lhe, ensinar à criança, gerar espaços, onde elas possam ir para ler livros, microscópios onde possam ver os animais, e etc.

Tauroa Aguilera Hey

Como artista ou como Rapanui, aprendi Arte aqui como pessoa.

E a convivência que isso gerou, a simpatia, e poder compartilhar com tantos profissionais que ao mesmo tempo foram gentis, simpáticos, e não somente profissionais.

Jovens estudantes, futuros estudantes, o que estão pensando, não importa se quiserem ser cientistas ou astronautas, vão em frente, vão em frente, porque a oportunidade vai chegar e vocês têm que aproveitar. Oportunidade de aproveitar.

Canto

Sera Moulton (em Rapa Nui)

Chegamos ao fim da jornada no Oceano Pacífico.
Cheguei na Ilha e comecei a pensar:
Quais são as coisas a trabalhar no futuro?
Desde pequena senti, que o mar cuidava de mim.
Agora, meu trabalho é cuidar dele.
Por que?
Por que eu tenho que cuidar dele?
Por que nós temos que cuidar dele?
Desde a antiguidade, esta foi uma rota para pássaros, peixes, polvos e outras espécies.
É por isso que o nosso trabalho, agora, é cuidar dessas coisas para nós
Para hoje, para ontem e para os tempos que virão no futuro.
Com amor, com respeito,
Envio essa mensagem dos pequenos aos mais velhos.
Vamos cuidar do nosso mar, das nossas riquezas herdadas desde tempos antigos.
Vamos cuidar dos nossos filhos,
Vamos fazer com que elas saibam o valor de todas essas riquezas que nos cercam.
Com respeito, amor e obediência à Natureza
Para que cuidemos dela e a respeitemos.
Vamos cuidar uns dos outros, com amor e união.

Canto

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