Missão Artemis II: Dia 1

Imagem de capa: Lançamento do Artemis II (NHQ202604010220). Crédito (NASA/Joel Kowsky). Acervo NASA-Flickr. Licença CC-BY-NC-SA-4.0.

Missão Artemis II: Diário de Bordo – Dia 1

(Narrativa ficcional pelo Comandante Reid Wiseman com base em dados reais da missão.)

Lançamento do Artemis II (NHQ202604010250). Crédito (NASA/Joel Kowsky). Acervo NASA-Flickr. Licença CC-BY-NC-SA-4.0.

Olá, hoje foi o dia em que a Terra literalmente tremeu sob nossos pés. Decolamos do Centro Espacial Kennedy, sentados no topo do foguete SLS (Space Launch System) — o foguete mais poderoso já feito pela humanidade.

Para vocês terem uma noção, o foguete tem:

  • cerca de 98 metros de altura, quase um prédio de 30 andares.
  • 2 propulsores laterais de combustível sólido (SRBs).
  • e 4 motores RS‑25, reaproveitados do ônibus espacial.

Isso gera um empuxo na decolagem de cerca de 8,8 milhões de libras de força (lbf). Uma lbf é a força necessária para segurar cerca de 0,45 kg (quase meio quilo) com a sua mão. O empuxo na decolagem equivale a  erguer cerca de 4 mil toneladas – ou 650 elefantes adultos, erguidos ao mesmo tempo.

Quando o foguete liga, não é só barulho — o ar vibra, o solo treme e o seu corpo sente que algo muito sério está acontecendo.

Nos primeiros segundos:

  • O som é tão forte que você não escuta, você sente.
  • A nave vibra como se estivesse viva.
  • A aceleração cresce rápido, empurrando nossos corpos contra os assentos.

O Combustível dos Foguetes

Visão da câmera Orion da ascensão da Artemis II à órbita.

Por volta de 2 minutos após a decolagem, ocorre a separação dos foguetes laterais (SRBs) após queimarem todo o combustível sólido.

O propelente sólido é um composto formado principalmente por:

  • Perclorato de amônio (AP) que fornece oxigênio para a queima. (70%)
  • Alumínio em pó (Al) que aumenta o empuxo, produz a chama branca brilhante. (16%).
  • PBAN (Polybutadiene Acrylonitrile) um ligante polimérico que mantém tudo sólido e coeso. (12%)
  • Aditivos/curadores que controlam a queima e a estabilidade. (2%)

Lançamento do Artemis II (NHQ202604010215). Crédito (NASA/Joel Kowsky). Acervo NASA-Flickr. Licença CC-BY-NC-SA-4.0.

Até 2 minutos, o foguete tem um ganho rápido de altura, com grande empuxo dos foguetes laterais (SRBs).

De 3 a 8 minutos, há um ganho dominante de velocidade horizontal. Daí, o foguete não “sobe reto”, ele começa a “cair ao redor” (girar) da Terra.

No minuto 8, o foguete atinge cerca de 28.000 km/h (≈ 7,7 km/seg), a velocidade típica de inserção orbital baixa. E o estágio principal termina seu trabalho e estamos oficialmente no espaço, com a nave em órbita baixa, a cerca de 180 a 200 km de altitude.

Esses primeiros 8 minutos são considerados os mais críticos de toda a missão. Depois deles, respiramos um pouco mais aliviados — mas só um pouco.

Lançamento do Artemis II (NHQ202604010102). Crédito (NASA/Joel Kowsky). Acervo NASA-Flickr. Licença CC-BY-NC-SA-4.0.

Para você comparar nossa altitude, um avião comercial chega a 10 ou 12 km de altitude e a Estação Espacial Internacional fica em uma órbita a 400 km. Depois da decolagem, nossa nave entra primeiro numa órbita a cerca de 200 km de altitude, dando voltas na Terra para verificar se tudo está funcionando antes de seguir viagem para a Lua. Observem que a nossa órbita é metade da órbita da Estação Espacial Internacional.

Nosso corpo na Força G

Nós precisamos nos nos preparar fisicamente para enfrentar o rápido aumento da força G sentida durante a decolagem.

Tempo (min)Força G aproximadaO que está acontecendo
01,0 gDecolagem: empuxo ≈ peso
11,3 gSubida inicial com SRBs
21,6 gPróximo da separação dos boosters.
32,0 gApenas estágio central
42,5 gMassa diminuindo rapidamente
53,0 gCorpo sente peso triplo
63,5 gEmpuxo / massa ↑
7~4,0 gMáximo próximo ao MECO
83,5–4,0 gMECO (corte dos motores)

E como isso é sentido no nosso corpo?

  • Até 2 g, temos a sensação de peso aumentado, a respiração permanece normal e a nossa cabeça e nossos braços ficam mais pesados.
  • Entre 3 e 4 g, o nosso corpo parece de 3 a 4 vezes mais pesado. A respiração exige um maior esforço consciente e falar fica mais difícil. O sangue tende a “descer” e, por isso, a nossa postura é reclinada ao decolar. Nós não desmaiamos porque a aceleração é ao longo do eixo peito–costas e não da “da cabeça aos pés”, como em manobras de caça.

Para você poder comparar, observe os valores da Força G nas seguintes situações:

SituaçãoForça G
Em pé na Terra1 g
Elevador rápido1,2 g
Decolagem comercial~1,3 g
Saturn V / SLS3,5–4 g
Um avião de caça em curva apertada7–9 g
Limite humano (por segundos)>10 g

O pico da Força G para a Artemis II é de cerca de 4 g, considerado confortável para astronautas treinados.

Entrando em Órbita Baixa da Terra

Assim que entramos em órbita baixa da Terra:

  • Abrimos os painéis solares da Orion.
  • Testamos os computadores de bordo.
  • Começamos a checar o sistema de suporte à vida.
  • Flutuamos pela primeira vez em microgravidade.

Olhar a Terra da janela já no primeiro dia fez todos ficarem em silêncio por alguns instantes.

Um problema quase engraçado…

Um dos problemas que identificamos no primeiro dia foi que o sistema responsável pelo descarte de resíduos líquidos (a privada espacial) não estava funcionando de forma totalmente automática.

Nossa equipe percebeu dificuldades no processo de descarga correta para o espaço, que é essencial em microgravidade. O sistema estava funcionando, mas não do jeito ideal e isso exigiu ajustes operacionais, novos procedimentos de uso e monitoramento contínuo nos dias seguintes.

Precisamos estar preparados e nos adaptar a qualquer problema no espaço!

Mais fotos

Veja mais fotos do lançamento no Flickr Oficial da Nasa: Lançamento da Artemis II.

Veja os melhores momentos do primeiro dia da Missão Artemis II no vídeo abaixo transmitido pela NASA.

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