Imagem de capa: Reid Wiseman, comandante da missão Artemis II, aponta para o logotipo da NASA e a bandeira americana na parte externa da espaçonave Orion, no dique de carga do porta-aviões USS John P. Murtha, no sábado, 11 de abril de 2026, no Oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia. Wiseman. Eles amerissaram no Oceano Pacífico na sexta-feira, 10 de abril, às 17h07 PDT (20h07 EDT). Crédito da imagem: NASA/Bill Ingalls.
(Narrativa ficcional pelo Comandante Reid Wiseman com base em dados reais da missão.)
Amerissagem: bem-vindos à Terra!
Esse dia começou com a nave Orion sozinha, apenas o Módulo de Comando, após a separação do Módulo de Serviço no dia anterior.
Os objetivos do dia eram simples de dizer — e difíceis de executar:
- Entrar na atmosfera no ângulo exato.
- Sobreviver ao aquecimento extremo.
- Atravessar o blecaute de comunicações.
- Abrir os paraquedas.
- Atingir o splashdown (amerissagem) com segurança.
Não há ciência ativa neste dia. Não há novas decisões estratégicas. Há execução perfeita de procedimentos já definidos.
Nesse dia, mantenho o comando durante o momento irreversível da fase de reentrada. Para isso, conduzi os checklists finais minutos antes da Interface atmosférica e autorizei a entrada da nave no “corredor de reentrada”.
Mantive a liderança durante o blecaute, coordenei a tripulação até o splashdown até, finalmente, ser o primeiro a confirmar a segurança da cápsula após a amerissagem (queda no mar).
Durante a reentrada, não pilotamos o módulo manualmente, não corrigimos trajetória. Confirmo os estados, mantenho a disciplina e tomamos decisões se algo sair do nominal.
Desacelerar é preciso
Nosso piloto, Victor Glover faz o monitoramento dinâmico da reentrada.
Ele monitora em tempo real: a velocidade, o ângulo de ataque e a desaceleração (cargas g). E confere a estabilidade da cápsula durante o aquecimento hipersônico.
Ele faz todo o acompanhamento durante a transição violenta da velocidade hipersônica (mais de 6000 km/h) para a supersônica ( de 6000 a 1200 km/h) até a subsônica (menor que 1200 km/h).
Com isso, ele confirma o acionamento automático dos paraquedas piloto e dos paraquedas principais. E me auxilia nas confirmações pós-splashdown.
Se algo estivesse fora dos limites, Victor seria o primeiro a perceber antes mesmo dos sensores indicarem uma falha crítica.
Suportando a Gravidade 5g
Nossa especialista Christina Koch monitorou a condição física da tripulação durante as cargas g (4 a 5 g), ajudou a manter postura correta nos assentos, supervisionou a respiração e foco durante a fase mais intensa, verificou a integridade dos trajes pressurizados. E após o splashdown, ela avaliou o estado médico imediato e observou sinais de desorientação ou choque fisiológico da tripulação.
A reentrada é um choque brutal depois de dias em microgravidade. Christina garantiu que ninguém desmaiasse, se ferisse ou perdesse a consciência.
Disciplina e Controle Operacional
E nosso especialista Jeremy Hansen ajudou a manter a disciplina operacional e deu apoio pós‑impacto.
Ele auxiliou nas verificações cruzadas durante o blecaute, monitorou os sistemas secundários da cabine, ajudou a manter todos focados durante o silêncio de rádio.
E após o splashdown, auxiliou na estabilização da cápsula e ajudou a preparar a nave para o resgate, participando da confirmação visual e verbal de segurança.
Ele teve um papel essencial na transição do ambiente espacial para o ambiente marítimo, que não é trivial.
O blecaute de reentrada
Esse é o momento mais tenso, pois durante cerca de 15 a 16 minutos, não temos nenhuma comunicação com a Terra, nenhuma telemetria e nenhuma assistência externa.
A nave fica envolta em plasma incandescente, com o escudo térmico suportando temperaturas extremas.
Durante esse tempo, todos permaneceram em silêncio operacional e cada um acompanhava seus instrumentos.
O treinamento fala mais alto que a emoção.
O Splashdown (Amerissagem)

Crédito da imagem: NASA/Bill Ingalls.
Após a abertura dos paraquedas, chegamos à velocidade final de 30 km/h. Isso permitiu um impacto controlado no Oceano Pacífico e a cápsula permaneceu estável.
As 21h07min (Brasília), aterrissamos no Oceano Pacífico, a cerca de 60 km da costa de San Diego, Califórnia com um Splashdown perfeito!
Após a amerissagem, temos ainda que fazer uma checagem interna completa, confirmar a ausência de vazamentos, manter a comunicação com equipes de resgate e iniciar os procedimentos de recuperação.
As 22h34min, saímos da cápsula para o “front porch” (bote inflável).

As 22h56min, helicópteros nos levaram ao USS John P. Murtha. E as 23h05min, fizemos avaliações médicas iniciais realizadas a bordo.

E, assim, a missão terminou exatamente como planejado.


Nesse último dia, não foi só a coragem que nos trouxe de volta.
Foi método, treino e confiança na ciência.

Crédito da imagem: NASA/Bill Ingalls.
Espaço não é só foguete. É ciência, trabalho em equipe, paciência, curiosidade.
E principalmente: gente comum realizando coisas extraordinárias.
E, talvez, na Artemis III ou IV, quem esteja escrevendo esse diário… seja você.

Para ver os melhores momentos do dia, selecionados pela NASA, veja o vídeo abaixo.

