Imagem de capa: Pôr do sol da Terra capturado pela janela da espaçonave Orion às 18h41 (horário de Brasília), em 6 de abril de 2026, durante a passagem da tripulação da missão Artemis II pela Lua. Uma Terra azulada e discreta com nuvens brancas brilhantes se põe atrás da superfície lunar repleta de crateras. Crédito: NASA.
Na esfera de influência da Lua

Nesse dia, a nave Orion chegou ao ponto onde a gravidade da Lua passa a dominar. Nesse momento, a nave entra na “esfera de influência lunar” — a região em que a gravidade da Lua se torna mais forte que a da Terra ao longo da trajetória. Isso aconteceu entre 12h37min e 12h41 min do sexto dia da missão.
A partir desse momento:
- – A trajetória passa a ser governada principalmente pela Lua;
- – Pequenas correções têm efeito muito maior.
- – Astronautas e controladores costumam descrever esse momento como:
- “Agora estamos caindo para a Lua, não mais subindo a partir da Terra.”
A máxima distância da Terra

Esse dia entrou para a história, pois a nave Orion alcançou a máxima distância de 406.773 quilômetros do centro da Terra. Isso ultrapassou o recorde anterior da Apollo 13 (1970) de 400.171 km.

A Lua não gira a uma distância fixa da Terra: ela chega a ficar mais de 40.000 km mais perto ou mais longe ao longo de sua órbita.
- Na menor distância (o perigeu médio) ela está a 363.300 km. O menor perigeu já registrado da Lua é de 356.400 km.
- Na média simples, ela está a 384.400 km.
- Na maior distância (o apogeu médio), ela está a 405.500 km. O maior apogeu já registrado da Lua é de 406.700 km.
Isso significa que a Artemis II chegou muito próximo ao maior apogeu da Lua já registrado!
O silencioso lado oculto da Lua
Nesse dia, passamos pelo lado oculto da Lua e voamos a apenas 6.500 km da superfície do lado oculto da Lua, mais longe da Terra do que qualquer ser humano jamais esteve.

E ficamos durante 40 minutos sem comunicação com a Terra. Esse período de silêncio era planejado e inevitável, pois a Lua bloqueia completamente os sinais de rádio.
E durante várias horas, fotografamos regiões nunca vistas por humanos, observamos cores estranhas na superfície lunar.
E celebramos com um lanche simbólico: cookies canadenses.



Nesse dia, eu, como comandante, assumi o comando total da nave durante a perda de sinal e coordenei decisões em tempo real sem apoio de Houston. Nossa equipe, nesse instante, tornou-se a equipe mais distante da Terra já registrado, superando o recorde da Apollo 13.
E supervisionei a sequência automática do sobrevoo, validei a trajetória no momento de maior distância da Terra e fiz registros de áudio descrevendo o que a tripulação via.

Nosso piloto Victor Glover monitorou a velocidade e a orientação da Orion e acompanhou os parâmetros de navegação durante a passagem lunar. Ele estava preparado para assumir o controle manual, se fosse necessário.

Ele validou os sensores de altitude e de posição da nave e conferiu as margens de correção pós ‑ sobrevoo.

Durante o sobrevoo, não havia comunicação com a Terra e qualquer erro de trajetória iria afetar a viagem de volta.
Na volta, a gravidade da Lua é usada como um “estilingue” natural e Victor garantiu que a nave saísse do encontro lunar na rota correta de retorno.
Surpresa de Cores do Solo Lunar
A especialista Christina Koch fez observação direta da superfície lunar, identificou visualmente crateras e formações geológicas e fez registros de descrições científicas em áudio. Além disso, continuou o monitoramento fisiológico da tripulação, acompanhando os níveis de estresse e de carga cognitiva.
Christina observou variações inesperadas de cor na superfície lunar (tons amarronzados e esverdeados), especialmente em regiões como o Planalto de Aristarco, informação valiosa para cientistas lunares.

Apesar dos dados coletados ainda estarem sendo investigados, os cientistas apontam para a presença de Olivina (mineral verde, comum no manto lunar), de materiais ricos em titânio e depósitos ligados a antigo vulcanismo lunar. Regiões como a cratera Aristarco já eram conhecidas por imagens espectrais como quimicamente incomuns — a Artemis II revelou isso a olho nu, algo inédito.
Isso foi algo muito parecido ao que ocorreu na Apollo 17, quando o astronauta‑geólogo Jack Schmitt encontrou solo laranja — depois comprovado como vidro vulcânico antigo. A Artemis II pode estar repetindo esse padrão de descoberta: da observação visual e surpresa para uma análise científica que permite um avanço no modelo da Lua. A Artemis II mostrou que a Lua não é apenas acinzentada: suas cores refletem bilhões de anos de história geológica, mais visíveis quando humanos a observam de perto.

O especialista Jeremy Hansen fez a documentação histórica do lado oculto da Lua. Nesse dia, ele fez a operação principal das câmeras fotográficas, os registros em vídeo do lado oculto da Lua. Para isso, ele organizou as janelas (momentos) de observação. Fez também uma descrição visual das regiões iluminadas e um registro cronológico do período sem comunicação.
Jeremy Hansen tornou‑se o primeiro astronauta não americano a observar e documentar a face oculta da Lua em iluminação direta. As imagens captadas nesse dia não haviam sido vistas antes por olhos humanos dessa forma.
Experimento AVATAR
O experimento AVATAR continuou operando de forma passiva e esteve no ponto de maior exposição à radiação. Com tudo funcionando normalmente, não exigiu intervenção direta, apenas verificação de integridade.
Esses dados são considerados alguns dos mais valiosos da missão, pois representam o ambiente mais distante e menos protegido enfrentado por seres humanos desde a era Apollo.
Todos da tripulação tiveram momentos de observação silenciosa da Lua e fizeram registros pessoais em áudio e vídeo.
A equipe fez uma pequena pausa simbólica para refeição.
Quando o contato com a Terra foi restabelecido, o controle da missão recebeu: dados completos, imagens inéditas e relatos emocionados e técnicos.
Veja os melhores momentos do sexto dia da Missão Artemis II, conforme publicado pela NASA.

