Missão Artemis II: Dia 7

Imagem de capa: A tripulação da Artemis II – (no sentido horário, a partir da esquerda) Christina Koch, Jeremy Hansen, o comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover – em um abraço coletivo dentro da espaçonave Orion a caminho de casa. Após contornar o lado oculto da Lua em 6 de abril de 2026, a tripulação saiu da esfera de influência lunar (o ponto em que a gravidade da Lua exerce uma força maior sobre a Orion do que a da Terra) em 7 de abril e está retornando à Terra para um pouso no Oceano Pacífico em 10 de abril. Crédito da imagem: NASA.

Esse foi o primeiro dia completo após o sobrevoo lunar.

A nave Orion já estava em trajetória firme de retorno livre para a Terra, afastando‑se gradualmente da Lua e reduzindo a influência do seu campo gravitacional. Depois do impulso da Lua, a Física faz o resto.

A gravidade cuidou do caminho de volta.

Eu, como comandante, confirmei oficialmente o sucesso do sobrevoo lunar. E também:

  • Confirmei, junto ao controle da missão, a estabilidade da trajetória de retorno, ou seja, se a trajetória de retorno estava correta.
  • Supervisionei checklists de sistemas após o período sem comunicação.
  • Liderei a reorganização do cronograma do restante da missão.
  • E gravei mensagens institucionais e fiz os registros de bordo.

Foi um dia do “ponto de transição” da missão — encerrando a fase de exploração e abrindo a fase de retorno. A Lua já não está mais à nossa frente. Agora, tudo o que fazemos é para voltar.

A espaçonave Orion da NASA é mostrada aqui por uma das câmeras montadas em suas asas de painéis solares. Nesse momento (8h33 , do leste dos EUA), a tripulação estava em período de repouso antes de iniciar o sétimo dia da missão. Crédito : JSL/NASA.

Nosso piloto Victor Glover passou a fazer o monitoramento constante de comportamento da nave, da velocidade relativa e da orientação dos painéis solares.

A espaçonave Orion da NASA vista por uma das câmeras montadas em suas asas de painéis solares.

O módulo de serviço é o destaque desta imagem, mostrando uma parte do motor do sistema de manobra orbital e três dos oito propulsores auxiliares. Também é possível ver uma das quatro asas de painéis solares. Cada uma das quatro asas de painéis solares da Orion é composta por três painéis que fornecem energia suficiente para abastecer duas casas de três quartos. Crédito da imagem: NASA.

E preparou possíveis pequenas correções de trajetória de volta, pois mesmo numa trajetória de retorno livre, pequenos desvios precisam ser detectados imediatamente.

Ele também realizou a verificação dos limites de combustível após o sobrevoo, avaliou o comportamento térmico da nave durante o afastamento lunar e esteve sempre me apoiando em decisões técnicas.

Nossa especialista Christina Koch fez a avaliação fisiológica da tripulação após o sobrevoo, verificando a fadiga, o estresse e a qualidade do sono. Ela aplicou questionários cognitivos e emocionais à equipe e fez o monitoramento da adaptação do corpo após a maior distância da Terra e ao maior isolamento humano já vivido. E deu continuidade ao acompanhamento da exposição à radiação acumulada.

A pergunta do dia que ela pesquisou era:

O ser humano consegue voltar ao normal depois de um evento tão extremo?

Esses dados são fundamentais para missões mais longas no futuro.

Créditos: NASA.

Nossa tripulação (no sentido horário, a partir da esquerda) Christina Koch, Jeremy Hansen, o comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover) pousou para uma foto em grupo com o nosso indicador de gravidade zero “Rise“, dentro da espaçonave Orion, a caminho de casa.

RISE é um boneco de pelúcia oficial da missão, levado a bordo da cápsula Orion para indicar o momento em que a espaçonave entra em microgravidade. Quando o RISE começa a flutuar, isso confirma que a nave saiu da influência gravitacional dominante da Terra.

A função do RISE é:

  • Indicar gravidade zero de forma simples e visível.
  • Auxiliar transmissões públicas e educativas.
  • Manter uma tradição das missões tripuladas.
  • Não substitui instrumentos científicos, apenas complementa.

A NASA usa indicadores assim desde as missões Apollo, passando por Space Shuttle, Crew Dragon e Artemis I (Snoopy).

RISE foi criado por Lucas Ye, estudante do ensino fundamental (Califórnia, EUA), selecionado por um concurso internacional da NASA (com mais de 2.600 propostas). A seleção final foi feita pela tripulação. Ele foi inspirado na famosa foto “Earthrise” da missão Apollo 8 (1968). Ele tem um corpo circular branco (Lua), um boné com a Terra (nascer da Terra visto do espaço), uma pegada humanae a Constelação de Orion, nome da nave.

Após uma órbita ao redor do lado oculto da Lua em 6 de abril de 2026, a tripulação saiu da esfera de influência lunar (o ponto em que a gravidade da Lua exerce uma força maior sobre a Orion do que a da Terra) em 7 de abril e está retornando à Terra para um pouso no Oceano Pacífico em 10 de abril.

E nosso especialista Jeremy Hansen trabalhou na organização e catalogação das imagens do sobrevoo lunar, fez uma revisão dos registros científicos feitos durante o dia 6, com anotações detalhadas para equipes de ciência lunar. Tudo isso para preparar pacotes de dados para análise após o pouso na Terra.

E deu continuidade ao acompanhamento do experimento AVATAR.

Jeremy é nosso guardião da memória científica da missão, garantindo que nada do que foi visto, sentido ou registrado se perdesse no retorno.

Os experimentos seguiram operando de forma passiva, agora em ambiente progressivamente menos extremo. Isso permitirá a comparação direta dos 3 momentos de espaço profundo (pré‑Lua), do pico de distância (Dia 6) e do retorno ao ambiente terrestre.

No Dia 7, todos participamos de exercícios físicos regulares e da organização da cabine após dias intensos pois a microgravidade bagunça tudo.

Realizamos refeições mais tranquilas e tivemos conversas internas e comunicações mais longas com a Terra, com registros pessoais em áudio e texto.

Nesse dia, tivemos uma conversa com amigos astronautas na Estação Espacial Internacional. A primeira chamada telefônica totalmente no espaço.

Para acompanhar os momentos marcantes desse dia, veja o vídeo abaixo.

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