Missão Artemis II: Dia 8

Imagem de capa: Uma transmissão ao vivo mostra a espaçonave Orion e seus painéis solares enquanto a tripulação da Artemis II completava a primeira queima de correção de retorno da missão no sétimo dia de voo. Crédito NASA.

(Narrativa ficcional pelo Comandante Reid Wiseman com base em dados reais da missão.)

Fazendo Ciência até o último minuto!

Esse dia  marcou o momento em que a missão entrou na fase de encerramento espacial. A nave Orion já estava em rota de retorno, agora sob influência crescente da gravidade da Terra.

Esse dia foi tecnicamente decisivo. Se o Dia 7 foi sobre confirmar que o caminho de volta estava correto, o Dia 8 foi sobre responder à pergunta mais séria da missão:

Estamos realmente prontos para atravessar a atmosfera da Terra com segurança?

Como comandante, minha maior missão era a preparação estratégica para a reentrada na atmosfera da Terra. Desse modo:

  • Liderei a revisão completa dos procedimentos de reentrada.
  • Conferi checklists do módulo de comando (escudo térmico, energia e comportamento da nave).
  • Coordenei simulações de tomada de decisão em caso de anomalias.
  • E validei as prioridades de sistemas para o dia da reentrada.

Além disso, representei a tripulação nas comunicações com Houston.

A reentrada não é apenas automática: há decisões humanas críticas antes e durante o processo. Eu precisava garantir que que todos sabiam exatamente o que fazer, e quando.

Daqui para frente, cada ação prepara o escudo térmico para fazer seu trabalho.

O Escudo Térmico

Uma transmissão ao vivo mostra a espaçonave Orion e seus painéis solares enquanto a tripulação da Artemis II completava a primeira queima de correção de retorno da missão no sétimo dia de voo.

O escudo térmico da Orion é um dos componentes mais críticos de todo o programa, pois é ele que nos protege durante o retorno da Lua à Terra, quando a nave atinge velocidades e temperaturas extremas.

Ele fica localizado na parte inferior da cápsula Orion (a “base” da nave).

Tem um diãmetro de cerca de 5 metros — o maior escudo térmico ablativo já voado.

Suporta temperaturas até 2.800 °C na reentrada, com a velocidade de reentrada de 40.000 km/h, típica de retorno lunar

Sua função é proteger a cápsula e a tripulação durante os 8 minutos mais críticos da missão.

Técnicos inspecionam o escudo térmico instalado na cápsula Orion para proteger a tripulação da Artemis II durante a reentrada, no Centro Espacial Kennedy da NASA, em Cabo Canaveral, Flórida em 2020. (Crédito: NASA )

O escudo térmico é feito de Avcoat, um material ablativo, herdado do programa Apollo, mas modernizado para a Orion.

Um material ablativo protege ao se destruir gradualmente, transformando calor extremo em desgaste controlado. Para isso, o Avcoat é um composto formado por:

  • Resina epóxi-novolaca (decompõe-se de forma controlada)
  • Fibras de sílica (resistência estrutural)
  • Microesferas fenólicas (isolamento térmico, aprisionam ar)

Durante a reentrada, o Avcoat carboniza e se desgasta. Esse desgaste leva o calor embora e forma-se uma crosta preta que protege as camadas internas. Ou seja, ele queima, mas de modo previsível.

Para saber mais sobre o escudo, visite o site da CollectSpace.

Nosso piloto Victor Glover foi fundamental, pois realizou a configuração dinâmica da nave para reentrada. Ele monitorou a atitude da nave em relação à Terra e verificou as margens de correção de trajetória. Essas avaliações determinam os parâmetros que definem o ângulo de entrada e a velocidade de encontro com a atmosfera.

E se preparou para possíveis manobras de ajuste fino e fez revisão dos controles manuais de emergência. Na reentrada, um ângulo muito fechado provoca superaquecimento e um ângulo muito aberto provoca ricochete e perda da nave. Victor cuidou para que a Orion estivesse no “corredor (ângulo) perfeito” de reentrada.

Os trajes de reentrada estão ok?

Trajes do Sistema de Sobrevivência usados pelos astronautas em testes antes da missão. Crédito: NASA/Joel Kowsky.

Nossa especialista, Christina Koch fez a preparação fisiológica com a avaliação física final e o monitoramento de hidratação, pressão e fadiga da tripulação.

Além disso, fez o planejamento do uso dos trajes de reentrada, verificando os ajustes dos sistemas de suporte dos trajes e deu orientação sobre a postura corporal durante a reentrada.

Diferente do espaço profundo, a reentrada impõe altas acelerações de até cerca de 4 a 5 g), vibração extrema e ruído intenso. Christina garantiu que nossos corpos estivessem tão prontos quanto a nave.

Experimentos científicos

Nosso especialista, Jeremy Hansen fez a documentação final em microgravidade e as experiências finais da missão. Ele fez a organização final dos registros científicos da missão, o encerramento operacional dos experimentos ativos. Deu continuidade do experimento AVATAR, agora em fase comparativa. E fez registros em vídeo e texto das rotinas finais em microgravidade.

Na preparação para a transição do “modo espacial” para o “modo terrestre”, Jeremy atuou como o cronista técnico do retorno, capturando dados que não podem ser simulados em Terra.

Os experimentos passaram da fase de maior exposição para a fase de “retorno”. Isso permitirá comparar tecidos expostos ao espaço profundo com tecidos após a reentrada – dados essenciais para futuras missões prolongadas.

Começando a despedida do espaço

Nesse dia, todos participaram:

  • De exercícios físicos focados na preparação para alta carga G(gravidade).
  • Da arrumação definitiva da cabine pois nada pode ficar solto.
  • Da revisão coletiva de emergências,

E tivemos conversas prolongadas com familiares (comunicações planejadas) e fizemos registros pessoais de encerramento da fase espacial.

Foi o dia em que começamos a nos despedir do espaço.

Para acompanhar os momentos marcantes do dia, selecionados pela NASA, veja o vídeo abaixo:

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