Capa: Salicórnia (Salicornia ambigua). © Jakob Mueller, 2022. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Na primeira temporada Mulheres Oceânicas (Mundiais) apresentamos a Coleção Oceânicas Pioneiras, traduzida para português do Projeto Oceánicas que desenvolve várias atividades para celebrar e preservar o Oceano.
Nessa segunda temporada, Mulheres Oceânicas (Brasil), vamos conhecer a paixão e o trabalho científico de pesquisadoras brasileiras.
Além das Mulheres Oceânicas Internacionais, vamos acrescentar algumas oceanógrafas brasileiras.
Nesta aventura, vamos conhecer a oceanógrafa Camila Reveles.

Arte digital criada por IA (Microsoft Copilot) inspirada em uma pesquisadora investigando aspargos do mar, 2025.
Camila Reveles: Cultivo de Aspargos do Mar
Camila de Araujo Reveles Barreira é uma oceanógrafa brasileira apaixonada pelo mar desde criança. Nascida em uma cidade litorânea, ela cresceu observando as ondas, os peixes e os mistérios do oceano. Ainda pequena, sonhava em entender como funcionava aquele mundo azul tão vasto e cheio de vida.
Camila Reveles nasceu e foi criada mais especificamente na região de Praia Seca, em Araruama, no estado do Rio de Janeiro.

Foto de Camila em seu site https://www.saltyagriculturasalina.com/.
Com dedicação e curiosidade, Camila estudou Oceanografia, onde aprendeu sobre correntes marinhas, ecossistemas costeiros, clima e biodiversidade. Camila Reveles cursou Oceanografia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), entre os anos de 2010 e 2016.
Durante sua graduação, ela participou de expedições científicas, mergulhou em áreas protegidas e coletou dados sobre a saúde dos mares brasileiros.
Ela também participou do programa Ciência sem Fronteiras, realizando um intercâmbio acadêmico na University of New South Wales (UNSW), na Austrália, em 2014.
Na UNSW, Camila teve contato com tecnologias avançadas de pesquisa marinha, participou de aulas práticas em laboratórios costeiros e mergulhou em projetos voltados à conservação dos ecossistemas marinhos australianos. Essa vivência internacional ampliou sua visão sobre os desafios globais enfrentados pelos oceanos e fortaleceu seu compromisso com a ciência e a sustentabilidade.
Ela também destacou que a experiência na Austrália foi transformadora: além de aprimorar seu inglês e conhecer novas culturas, Camila teve a oportunidade de trabalhar com pesquisadores renomados e explorar ambientes marinhos únicos, como a Grande Barreira de Corais. Essa fase foi essencial para sua formação como cientista e para o desenvolvimento de sua sensibilidade ambiental.
Hoje, Camila trabalha como pesquisadora, estudando os impactos das mudanças climáticas nos oceanos e lutando pela conservação da vida marinha. Ela desenvolve projetos com comunidades costeiras, ensina jovens sobre a importância dos oceanos e colabora com cientistas de todo o mundo para proteger os mares.
Salty, Agricultura Salina
Atualmente, Camila Reveles trabalha como fundadora e pesquisadora na startup Salty Agricultura Salina, localizada em Praia Seca, Araruama (RJ).
A empresa nasceu do desejo de unir ciência, sustentabilidade e tradição familiar, transformando antigas salinas em um espaço de cultivo de plantas halófitas, como a salicórnia (também conhecida como aspargo do mar).

Salicórnia (Salicornia ambigua). © Jakob Mueller, 2022. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Camila pesquisa o potencial biotecnológico de organismos marinhos que vivem em ambientes hipersalinos, como cianobactérias e microalgas, e busca alternativas sustentáveis para o uso da biodiversidade marinha. Seu trabalho une ciência e empreendedorismo, com foco na produção de alimentos com água salgada, sem uso de água doce — uma solução inovadora diante dos desafios ambientais atuais.

Matérias publicadas no site https://www.saltyagriculturasalina.com/.
Em um futuro onde a oferta de água doce será cada vez menor, não seria genial poder obter alimentos sem a utilização dessa fonte tão preciosa?
É exatamente isso que fazemos!
Aqui na Salty Agricultura Salina, cultivamos plantas halófitas – que são plantas que precisam da água do mar para crescer e se desenvolver – o que dá a elas um sabor incrivelmente salgado, sem conter tanto sódio como o sal comum!
As plantas dos gêneros Salicórnia e Sarcocornia estão presentes em diversos ambientes hipersalinos do mundo. Apesar de ainda serem pouco conhecidas no Brasil, elas tem sido bastante cultivadas e utilizadas na Europa e em países como EUA, México e Israel.
Nós cultivamos a espécie Sarcocornia ambigua, planta nativa das salinas.
Como os dois gêneros são muito similares, popularizou-se o nome Salicórnia também para se referir as plantas do gênero Sarcocornia. Portanto, é mais comum vermos o pessoal chamando essas verdinhas de “Salicórnia” por aí, e é como chamamos por aqui também.

Salicórnia (Salicornia ambigua). © aleduarte, 2021. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Camila também foi vencedora do prêmio internacional Top Ten Innovators 2022, promovido pela Shell LiveWIRE, na categoria Sustentabilidade Ambiental, reconhecendo o impacto positivo de sua iniciativa no Brasil e no mundo.

Anuncio do Prêmio Shell liveWIRE, online no site https://www.iniciativajovem.org.br/site/brasil-conquista-dois-premios-no-top-ten-innovators-2022/.
O oceano é incrível, vivo e essencial para a vida na Terra.
Cada gota de água carrega histórias de milhares de anos.
Se você ama o mar, proteja-o.
Estude, pergunte, mergulhe, explore.
O futuro dos oceanos depende de nós — e começa com você.
Camila Reveles em Poesia
Entre Marés e Raízes
Criado por IA (Microsoft Copilot, 2025).
No sopro salgado da brisa marinha,
brotam verdes lanças, frágeis e firmes,
aspargos do mar, guardiões da linha
onde a terra e o oceano trocam seus timbres.
Camila escreve com mãos pacientes,
decifra dados que a água murmura,
cada folha é um código, entre correntes,
cada raiz, uma ponte para a cura.
Salty Agriculture, ciência e esperança,
cultivar no sal, reinventar o chão,
onde antes só havia maré e mudança,
nasce alimento, futuro e canção.
E assim, no azul que nunca se cansa,
ela semeia saber com devoção,
faz do oceano um jardim de confiança,
faz da pesquisa um ato de paixão.

