Mulheres Oceânicas (Brasil) Carmen Lucia Wongtschowski

Capa: Camila Sgnori, Carmen Lúcia Wongtschowski. Elisabete Braga, Instituto Oceanográfico USP, 2019.

Na primeira temporada Mulheres Oceânicas (Mundiais) apresentamos a Coleção Oceânicas Pioneiras, traduzida para português do Projeto Oceánicas que desenvolve várias atividades para celebrar e preservar o Oceano.

Nessa segunda temporada, Mulheres Oceânicas (Brasil), vamos conhecer a paixão e o trabalho científico de pesquisadoras brasileiras.

Mulheres Oceânicas (Brasil)

Nesta aventura, vamos conhecer a Biológa Marinha brasileira Carmen Lúcia Del Bianco Rossi Wongtschowski, especialista em ecologia de peixes marinhos e avaliação de estoques pesqueiros, com uma carreira acadêmica e científica de destaque na Universidade de São Paulo.

Conservar o oceano é conservar a vida, a economia e a cultura que dele dependem.

Carmen Lucia se graduou em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP), em 1970. Em seguida, concluiu o mestrado em Ciências Biológicas (Zoologia) também pela USP, em 1974.

Carmen Lúcia Del Bianco Rossi Wongtschowski, Instituto Oceanográfico USP 1974.

E concluiu seu doutorado em Ciências Biológicas (Zoologia) ainda pela USP em 1978, com tese sobre a sardinha brasileira (Sardinella brasiliensis).

Sua tese foi orientada por Anna Emília Amato de Moras Vazzoler, uma referência em ictiologia e dinâmica populacional de peixes, o que indica uma forte influência científica nessa área.

Conheça outras ICTIÓLOGAS do passado e do presente no livro da Sociedade Brasileia de Ictiologia, ICTIÓLOGAS: Mulheres que Inspiram na Ictiologia Brasileira, baixando o livro nesse link https://www.sbi.bio.br/livro-ictiologas-mulheres-que-inspiram-na-ictiologia-brasileira/

Após o doutorado, passou a atuar no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) como professora colaboradora, com envolvimento em pesquisa e orientação acadêmica.

No Instituto Oceanográfico, atuou principalmente em Oceanografia biológica, com ênfase em: Ecologia de peixes marinhos, Estrutura de comunidades, Dinâmica de populações e Avaliação de estoques pesqueiros.

O oceano não é um recurso inesgotável; é um sistema vivo que exige respeito e gestão consciente.

Uma espécie de peixe barbudo brasileiro, Polymixia carmenae, foi nomeada em sua homenagem, reconhecendo sua contribuição à oceanografia e gestão pesqueira.

Peixe barbudo brasileiro (Gênero Polymixia). Acervo Wikipedia.

Cada peixe retirado do mar é parte de uma rede complexa — entender essa rede é garantir o futuro da pesca.

Carmen Lucia participou do Programa REVIZEE de 1996 a 2006, como Coordenadora do Score-Sul, um dos segmentos do programa voltado à avaliação do potencial sustentável dos recursos vivos da Zona Econômica Exclusiva brasileira.

O Programa REVIZEE (Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva) foi uma iniciativa do governo brasileiro, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e com participação de diversas instituições, incluindo o Instituto Oceanográfico da USP, para avaliar o potencial sustentável de exploração dos recursos vivos (peixes, invertebrados, algas) na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil, que se estende por cerca de 3,5 milhões de km².

Dentre as principais realizações do Programa REVIZEE, temos:

Inventário da biodiversidade marinha na ZEE brasileira.

Estimativas de biomassa e estoques pesqueiros para espécies comerciais.

Mapeamento de áreas prioritárias para conservação e pesca sustentável.

Produção de modelos de manejo pesqueiro baseados em dados científicos.

Formação de uma rede nacional de pesquisadores em oceanografia, biologia marinha e pesca.

Publicação de relatórios e livros técnicos que serviram de base para políticas públicas.

O REVIZEE foi o maior levantamento oceanográfico já realizado no Brasil. Fundamentou políticas de gestão pesqueira e conservação marinha. E contribuiu para a criação de Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e para a discussão sobre pesca sustentável.

Carmen liderou equipes de pesquisa em diversos estados do sul e sudeste do Brasil.

Camila Sgnori, Carmen Lúcia Wongtschowski. Elisabete Braga, Instituto Oceanográfico USP, 2019.

Carmen Lucia publicou diversos artigos e relatórios técnicos sobre ecologia marinha, com foco em espécies comerciais e conservação. E participou de comissões científicas e colaborou com instituições nacionais e internacionais voltadas à gestão pesqueira e sustentabilidade dos oceanos.

O manejo pesqueiro é ciência aplicada à sobrevivência: sem dados, não há futuro para o mar.

Como destaque em suas produções, temos:

“Dinâmica das frotas pesqueiras: análise das principais pescarias comerciais do sudeste-sul do Brasil” (2003), onde ela discute sustentabilidade e impactos da pesca industrial.

Trabalhos no Programa REVIZEE, que abordam a importância da avaliação dos estoques pesqueiros e das interações tróficas nos ecossistemas marinhos.

Participação em estudos sobre biodiversidade bentônica e aves oceânicas e suas interações com a pesca.

A saúde dos estoques pesqueiros reflete a saúde do ecossistema marinho; não há abundância sem equilíbrio.

Esses materiais trazem reflexões sobre:

A necessidade de integrar interesses econômicos, sociais e ambientais no gerenciamento costeiro.

Como a pressão sobre ecossistemas marinhos compromete serviços ambientais e qualidade de vida.

A importância da identificação do papel trófico das espécies para compreender a estrutura e funcionamento dos ecossistemas.

Sustentabilidade não é limitar a pesca, é garantir que ela continue existindo para as próximas gerações.

Carmen Wongtschowski é reconhecida por sua contribuição à ciência brasileira, especialmente no campo da oceanografia aplicada à pesca. Seu trabalho influenciou políticas públicas e estratégias de manejo sustentável dos recursos marinhos. É referência na formação de novos pesquisadores e na promoção da ciência voltada à conservação dos ecossistemas costeiros e oceânicos.

O oceano nos ensina que tudo está interligado — ignorar essa lição é comprometer a própria existência humana.
Pescar com responsabilidade é reconhecer que o mar é parceiro, não propriedade.

Deixe um comentário