Mulheres STEM: Ada Lovelace

Imagem de capa: Retrato de Ada King, Condessa de Lovelace (Ada Lovelace). Alfred Edward Chalon, cerca de 1840. Wikipedia. Licença de Domínio Público.

Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.

Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.

Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.

O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.

Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.

Ada Lovelace: Programadora Pioneira

Poster Ingenium

Para Saber Mais

Ada Lovelace: Visão, Coragem e a Origem da Programação

Ada King (1815–1852), Condessa de Lovelace, Matemática, Filha de Lord Byron. Margaret Sarah Carpenter, 1836.
Wikipedia. Licença de Domínio Público.

Augusta Ada King, Condessa de Lovelace — conhecida simplesmente como Ada Lovelace — nasceu em 1815 e se tornou uma das figuras mais emblemáticas e revolucionárias da história da tecnologia. Seu marido foi William King-Noel, 1º Conde (Earl) de Lovelace, anteriormente Barão King.

Embora tenha vivido no século XIX, em um contexto social restritivo para mulheres, Ada rompeu barreiras culturais, intelectuais e históricas para deixar um legado que só seria plenamente compreendido mais de um século após sua morte.

Filha do célebre poeta Lord Byron e de Annabella Milbanke, uma mulher com forte formação matemática, Ada cresceu em um ambiente singular, onde imaginação e racionalidade se entrelaçavam.

Sua mãe, preocupada em evitar que Ada herdasse o temperamento considerado “excessivamente imaginativo” do pai, incentivou-a intensamente nos estudos formais de matemática e lógica. Porém, longe de anular sua criatividade, esse percurso permitiu que Ada desenvolvesse uma combinação rara: raciocínio matemático profundo aliado a uma visão poética e imaginativa da ciência.

Essa fusão se tornaria um dos traços mais marcantes de seu pensamento científico.

Ada acreditava que a matemática não era apenas um conjunto de números e operações, mas uma linguagem capaz de descrever padrões, ideias e até emoções. Ela cunhou o termo “ciência poética” para expressar como imaginava seu trabalho: uma forma de explorar tanto o que existe quanto o que é possível criar.

Segundo o registro na Encyclopedia of Victorian Women’s Writing, Ada definia sua abordagem como:

“poetical science”, uma apreciação não apenas da complexidade do design mecânico, mas de suas aplicações ampliadas.

No artigo Poetical Science – The Art of the Polymath, ela afirma:

“A imaginação é a faculdade descobridora…

ela penetra nos mundos invisíveis ao nosso redor, os mundos da Ciência.”

Essa frase sintetiza sua visão:

  • A imaginação não é inimiga da matemática — é necessária para enxergar o que ainda não existe.
  • A ciência não é só cálculo — é um ato de criação intelectual.

Em 1833, Ada conheceu Charles Babbage, um matemático e inventor britânico, criador da Máquina Diferencial e da Máquina Analítica, projetos pioneiros que anteviam os computadores modernos. Impressionado pela inteligência e sensibilidade de Ada, Babbage a convidou a estudar seus esquemas e colaborar com suas ideias visionárias sobre computação mecânica.

Quando o matemático italiano Luigi Menabrea publicou um artigo descrevendo a Máquina Analítica, Ada foi convidada a traduzi-lo. No entanto, sua contribuição extrapolou em muito a simples tradução: ela acrescentou um conjunto de notas que acabaram sendo três vezes maiores que o texto original. Nessas notas, Ada descreveu não apenas o funcionamento da máquina, mas também seu potencial teórico e filosófico.

É nesse momento que Ada Lovelace deixa sua marca definitiva na história!

Na Nota G do artigo de 1843 sobre a Máquina Analítica de Charles Babbage, Ada Lovelace escreveu um algoritmo para calcular os números de Bernoulli, porque eles eram necessários para gerar tabelas matemáticas — aplicações práticas importantíssimas na época para navegação, engenharia e astronomia.

Mais do que uma instrução matemática, trata-se do primeiro programa de computador já concebido — décadas antes de qualquer computador real existir. Esse algoritmo é amplamente considerado o primeiro programa de computador já publicado.

Mas sua visão foi além da técnica. Ada antecipou que máquinas como a de Babbage poderiam um dia manipular símbolos, criar música, produzir gráficos e operar sobre qualquer tipo de dado representável matematicamente. Em outras palavras, ela imaginou a base dos computadores modernos, dos softwares, da multimídia e da inteligência artificial. Sua previsão era tão avançada para sua época que não seria compreendida em toda sua magnitude até o surgimento dos computadores eletrônicos no século XX.

Por tudo isso, Ada Lovelace é celebrada como a primeira programadora da história e como um símbolo da capacidade transformadora das mulheres na ciência e na tecnologia.

Em um século que negava às mulheres acesso à maior parte das esferas científicas, ela ousou aprender, pensar, criar e propor um futuro que nem mesmo seus contemporâneos conseguiam imaginar.

Hoje, Ada é uma inspiração global para meninas, mulheres, pessoas LGBTQIAP+ e todas as identidades que buscam seu lugar no universo STEM. Sua trajetória nos lembra que:

  • a Inovação nasce da diversidade de pensamentos e perspectivas,
  • a Ciência precisa tanto da Imaginação quanto da Lógica,
  • as Grandes Revoluções começam quando alguém ousa enxergar Além do Possível.

Ada Lovelace não apenas escreveu o primeiro algoritmo; ela nos ensinou que o futuro da tecnologia depende da coragem de imaginar — e da força de transformar essa imaginação em realidade.

Coleção Mulheres STEM

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