Imagem de capa: Da esquerda para direita: Stephen S. Oswald, Roberta L. Bondar, Norman E. Thagard, Ronald J. Grabe, David C. Hilmers, Ulf D. Merbold e William F. Readdy. Crédito NASA.
Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.
Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.
Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.
O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.
Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.
Roberta Bondar: Neurocientista no Espaço!
Embora mais conhecida como astronauta, é neurologista e trabalha com neurociência visual e neurooftalmologia, especialmente no contexto dos efeitos do espaço sobre o sistema nervoso.

Para Me Conhecer Melhor!
(Narrativa ficcional da cientista falando de sua vida e de suas pesquisas a jovens )
Olá, eu sou Roberta Lynn Bondar, neurocientista e astronauta.
Eu nasci em Sault Sainte Marie (Cataratas de Santa Maria), Ontário, em 1945, e sempre teve interesse pelo mundo da ciência.
Meu pai, Edward Bondar, de origem ucraniana, era gerente na Comissão de Serviços Públicos da cidade. Ele construiu um laboratório no porão da nossa casa para mim e minha irmã quando eu tinha 7 anos, estimulando nossa curiosidade científica desde muito cedo.
Minha mãe, Mildred Bondar era professora de negócios e comércio. Ela sempre incentivou meus estudos, especialmente a dedicação, organização e disciplina.
Ambos estimulavam o meu envolvimento e de minha irmã Barbara em atividades acadêmicas e extracurriculares, como as atividades de escoteiras da “Girl Guides”, da Associação Cristã de Moços, de nossa igreja e também nos esportes.
Desde criança, eu participei de feiras de ciências, muitas vezes realizando experimentos no laboratório que meu pai construiu. Eu sempre fui fascinada por espaço e ciência; até montei modelos de foguetes espaciais.
Na escola, ganhei um prêmio por apresentação oral sobre energia hidráulica. Entretanto, sofri com um episódio marcante: eu fui preterida em uma oportunidade escolar em favor de um menino, mesmo tendo nota superior — experiência que me motivou a me dedicar e provar minha competência.
No Ensino Médio, frequentei a Sir James Dunn Collegiate & Vocational School, em Sault Ste. Marie. E me destaquei em ciências com um projeto sobre a biologia da lagarta do tentilhão da floresta (Malacosoma disstria), que ganhou a feira científica e me levou a Feira de Ciências do Canadá em 1963.
Antes de se tornar membra do Colégio Real de Médicos e Cirurgiões do Canadá em 1981, obtive o doutorado em Neurociência em 1974 pela Universidade de Toronto e o título de Doutora em Medicina em 1977 pela Universidade McMaster.
Eu fiz estágio no Hospital Geral de Toronto em medicina interna antes de me tornar professora assistente de medicina em neurobiologia, na Universidade McMaster de 1982 a 1984.
Indo para o Espaço
Em 1983, a Agência Espacial Canadense (CSA) colocou em operação o Programa Canadense de Astronautas com a tarefa de selecionar os primeiros astronautas do Canadá.
Após me candidatar, e passar por entrevistas e treinamentos por seis meses, eu fui selecionada para fazer parte da primeira Missão Internacional do Laboratório de Microgravidade (IML-1) em 1992.
O International Microgravity Laboratory‑1 (Primeiro Laboratório Internacional de Microgravidade) era um laboratório Spacelab dentro do ônibus espacial Discovery, na missão STS‑42 (1992). Foram realizadas pesquisas sobre biologia, fisiologia, materiais e processos físicos em microgravidade.
Após vários atrasos na missão, eu finalmente fui ao espaço em 22 de janeiro de 1992 a bordo do ônibus espacial Discovery por oito dias. Essa missão me tornou a primeira mulher canadense e a primeira neurologista a viajar para o espaço.

A bordo, eu e os membros do IML-1 começamos a trabalhar em experimentos e a tirar fotografias da Terra. No total, 40 experimentos foram realizados. Em 1994, eu ingressei na NASA e deixei a CSA para continuar minhas pesquisas sobre os efeitos das viagens espaciais no corpo humano. Eu permaneci na NASA por mais de dez anos.
Mas nem tudo era fácil, ao longo de minha carreira sempre enfrentei o desafio de ser uma mulher cientista (e astronauta) devido aos preconceitos de gênero.
Receber a mesma oportunidade e ser tratada com a mesma dignidade que os homens eram difíceis de obter e sempre demandaram coragem, paciencia e insistência. Desse modo, dediquei minha vida também a incentivar meninas a construírem um sistema de apoio tanto para mulheres quanto para homens. Ela não quer apenas que homens e meninos vejam as mulheres como iguais, mas também como modelos a serem seguidos.
Após meu tempo na NASA, usei minha experiência como neurologista e astronauta para me tornar palestrante pública no Canadá e compartilhar minha história e conhecimento.
A Fundação Roberta Bondar
Em 2003, me tornei Reitora da Trent University por seis anos antes de lançar a Roberta Bondar Foundation em 2009, uma organização beneficente dedicada ao apoio a causas ambientais. O logotipo da Fundação é bastante simbólico e representa a interconexão da natureza, simbolizada por um pássaro migratório, e a fronteira entre a Terra e o espaço, onde a Dra. Bondar passou 8 dias em 1992.
Devido ao meu amor pela natureza e pela fotografia, publiquei quatro livros de ensaios fotográficos dedicados a mostrar a beleza natural da Terra.
Eu recebi muitas recompensas ao longo de minha carreira, como a Ordem de Ontário e a Ordem do Canadá, fui incluída no Hall da Fama Médica Canadense e recebei uma estrela na Calçada da Fama do Canadá. Além desses prêmios, também recebi 28 Títulos Honorários por minhas experiências de vida.
A pesquisa de Roberta Bondar em neurociência foi parcialmente financiada pelo NSERC.

