Imagem de capa: Linda B. Buck, 2015. Acervo Royal Society. Licença CC-BY-SA-4.0.
Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.
Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.
Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.
O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.
Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.
Linda B. Buck: Os Neurônios do Olfato
Ao estudar o DNA de ratos, Buck descobriu que os mamíferos possuem cerca de 1000 genes diferentes responsáveis por receptores que permitem o olfato.
Isso permitiu pesquisas adicionais sobre a análise molecular de como os mamíferos cheiram.

Para Me Conhecer Melhor
Narrativa ficcional da cientista falando de sua vida e de suas pesquisas a jovens.
Olá, meu nome é Linda Brown Buck, e quero contar para vocês como uma garota curiosa que cresceu em Seattle se tornou uma cientista capaz de ajudar o mundo a entender como sentimos os cheiros.
Esta é a minha história — e ela também pode ser a sua.
Eu nasci em Seattle, em1947, cercada por montanhas, florestas e mar, um cenário que alimentou minha imaginação desde cedo. Meu pai era engenheiro elétrico, e passava o tempo inventando e construindo coisas no porão de nossa casa. Minha mãe era dona de casa, muito inteligente, com um humor afiado, e adorava resolver palavras cruzadas e quebra-cabeças.
Eu era a segunda de três meninas — sim, três irmãs! Mamãe e papai sempre disseram que podíamos fazer qualquer coisa, e isso fez toda a diferença. Eles me ensinaram a pensar de forma independente, a ter curiosidade e a nunca aceitar respostas superficiais. Isso plantou em mim o espírito científico antes mesmo de eu saber o que era ser cientista.
Quando criança, eu gostava de coisas comuns para meninas da época, como brincar com bonecas. Mas eu também me entediava facilmente — então adorava explorar e enfrentar novos desafios. Minha mãe me ensinou a amar a beleza e a música, e meu pai me ensinou a usar ferramentas e construir coisas. Também passei muito tempo com minha avó materna, que me contava histórias mágicas sobre sua infância na Suécia e me ensinou a costurar roupas para minhas bonecas. Mas, mesmo assim, eu não sabia que queria ser cientista. Cresci sem imaginar essa possibilidade para mim — apesar de meus pais terem semeado essa curiosidade dentro de mim.
Quero ser Bióloga
Quando fui para a universidade, achei que trabalharia ajudando pessoas diretamente e comecei estudando psicologia. Depois, meu interesse cresceu para outras áreas, até que um dia me deparei com um curso de imunologia… e me apaixonei! Decidi: “Quero ser bióloga!”
Estudei na Universidade de Washington, onde me formei em psicologia e microbiologia em 1975. Depois fiz meu doutorado em imunologia na University of Texas Southwestern Medical Center, concluído em 1980.
Meus primeiros passos como cientista
Meu primeiro grande desafio científico começou quando fui para Nova Iorque fazer meu pós-doutorado. Lá, trabalhei com Richard Axel, e juntos decidimos desvendar uma curiosidade: Como funciona o olfato?
Como o nariz reconhece milhares de cheiros diferentes?
Naquela época, ninguém sabia. Era como um quebra-cabeça gigante. Mas vocês lembram de como minha mãe amava quebra-cabeças e meu pai adorava invenções? Pois bem, tudo aquilo que aprendi com eles se juntou ali — e fez sentido.
Com Axel, descobrimos que:
Existem genes que codificam receptores olfativos.
Quando comecei a estudar o olfato, quase ninguém sabia como ele funcionava. Os cientistas imaginavam que deviam existir “sensores” no nariz, mas não sabiam quantos eram, como trabalhavam ou como o cérebro entendia os cheiros.
Com meu colega Richard Axel, comecei a investigar os genes dos ratos — porque eles têm um olfato muito apurado. Depois de muitos testes e tentativas, tivemos uma descoberta impressionante:
O nariz tem uma família enorme de genes dedicados ao olfato.
Encontramos cerca de 1.000 genes que produzem receptores olfativos — pequenas “portas” que reconhecem moléculas de cheiro no ar.
Imagine só: É como se o nariz tivesse um catálogo gigante com 1.000 tipos diferentes de sensores, cada um capaz de detectar certas moléculas.
Essa descoberta mudou completamente nossa compreensão do olfato.
Outra coisa importante que descobrimos foi que cada célula olfativa usa apenas um tipo de receptor.
Pense assim: Cada célula do seu nariz escolhe um único sensor para carregar. Mas o truque não está em um sensor sozinho — e sim na combinação deles.
Revelamos a Lógica do Sistema Olfativo
Mas se temos tantos receptores, como eles trabalham juntos?
Quando você sente o cheiro de uma flor, por exemplo, várias moléculas dela entram no nariz e ativam diferentes receptores ao mesmo tempo.
Esses receptores mandam sinais para o cérebro, que combina essas informações como se fosse um quebra-cabeça.
O cérebro lê esse padrão e diz: “Ah, isso é cheiro de rosa!”
Cada cheiro tem uma espécie de assinatura própria, feita pela combinação de vários receptores.
Mostramos como o nariz envia sinais ao cérebro e como diferentes cheiros se tornam “padrões” reconhecíveis na mente. Isso abriu caminho para entender como cheiros influenciam emoções, memória e comportamento.
Por que isso é importante?
Antes dessas descobertas, o olfato era o sentido desconhecido — ninguém entendia bem como ele funcionava. Nossos estudos abriram portas para:
entender como o cérebro interpreta sinais sensoriais
investigar como cheiros influenciam emoções, memórias e comportamentos
explorar como outros animais usam o olfato para sobreviver
estudar doenças que afetam o olfato
Foi por essa pesquisa que recebi o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 2004.
Desafios no caminho
Nem tudo foi fácil. Houve momentos de dúvida, de longos experimentos que não funcionavam, de teorias que tive que abandonar. A ciência exige paciência, coragem e persistência.
E, sendo mulher na ciência, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, enfrentei ambientes dominados por homens. Mas sempre voltei à força que aprendi em casa: não desistir, pensar por mim mesma e confiar na minha curiosidade.
O olfato parece simples, mas é uma maravilha da biologia.
Minha maior lição
Nunca ignore uma pergunta só porque ela parece pequena. Às vezes, são as perguntas simples que revelam os maiores segredos da natureza.
Se você é curiosa, gosta de entender como as coisas funcionam e não tem medo de explorar o desconhecido…
O que vocês precisam é:
Curiosidade,
Coragem para fazer perguntas,
Vontade de entender como o mundo funciona,
Determinação para seguir mesmo quando é difícil.
Sejam independentes, pensem criticamente, explorem, escolham algo que realmente as fascine. Como eu sempre digo:
“Escolha algo que te fascine. Seja valente e não tenha medo de fazer algo difícil.”
E lembrem-se:
Assim como meus pais me ensinaram, vocês podem fazer qualquer coisa.
Eu acredito em vocês — e o mundo precisa das descobertas que só vocês poderão fazer.

