Mulheres STEM: Maria Gaetana Agnesi

Capa: Pintura de Maria Gaetana Agnesi, criada por IA Microsoft Copilot, a partir de uma ilustração da matemática.

Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.

Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.

Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.

O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.

Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.

Maria Gaetana Agnesi: Pioneira que desafiou sua época

Poster Ingenium

Para saber mais:

Maria Gaetana Agnesi (1718-1799), matemática, filantrópa, por Ernesta Bisi Legnani (1788-1859, litógrafa), Maria Longhi (artista), 1825. Wien Museum, Inventário W 8467.
Licença de Domínio Público.

Maria Gaetana Agnesi (1718–1799) foi uma das primeiras mulheres da história a conquistar reconhecimento internacional na Matemática — em uma época em que meninas raramente tinham acesso à educação formal.

Nascida na Itália, Agnesi demonstrou talento extraordinário desde cedo e, aos 20 anos, já dominava diversas línguas, além de matemática, filosofia e ciência.

Antes de completar 20 anos, Agnesi publicou suas Proposições de Filosofia (1738), com 191 ensaios sobre questões científicas de sua época, desde as teorias de Newton sobre gravitação e óptica até as origens das nascentes de água doce, temas sobre os quais ela havia debatido com estudiosos que frequentavam a casa de seu pai.

No entanto, foi o monge e matemático Ramiro Rampinelli, na década de 1740, quem a incentivou a aprimorar suas habilidades matemáticas e a escrever sua obra seminal sobre cálculo diferencial e integral, “Instituições Analíticas para Uso da Juventude Italiana” (Instituzioni Analitiche) que ela dedicou à Maria Thereza da Áustria, Arquiduquesa da Áustria, Rainha da Hungria e da Boêmia que governou um vasto império europeu entre 1740 e 1780. Em seu reinado, Maria Thereza instituiu a educação obrigatória para meninos e meninas, algo pioneiro na época.

Muitos são pouco familiarizados com a Aprendizagem Matemática, mas são sensatos de que o Estudo dos Analíticos é muito necessário, especialmente em nossos dias; Eles não podem deixar de saber quais melhorias já foram feitas por seus meios, o que ainda está sendo feito diariamente e o que ainda pode ser esperado no futuro. Por essa razão, não me entreterei fazendo elogios desnecessários a essa ciência, que não precisa de tais recomendações, e de muitas das minhas leituras.

Mas, apesar da necessidade dessa ciência parecer tão evidente que estimula nossa juventude ao estudo aprofundado dela; ainda são grandes as dificuldades a serem superadas para alcançá-la. Pois é muito conhecido que pessoas capazes e dispostas a ensiná-la não se encontram em todas as cidades, pelo menos não em nossa Itália; e todo mundo que gostaria de aprender não tem meios para viajar para países distantes, em busca de verdadeiros mestres.

Isso eu sei pela minha própria experiência, como devo confessar ingenuamente; pois, apesar da forte inclinação que tinha para essa ciência e da grande aplicação que usei para adquiri-la; Eu ainda poderia ter me perdido em um labirinto de dificuldades inextrincáveis, se não tivesse sido ajudada pela orientação segura e sábia do muito erudito Padre Don Ramiro Rampinelli, Monge da Ordem Olivetana e agora Professor de Matemática na Universidade Real de Pavia…

(Maria Agnesi, Introdução da Autora, Estudo dos Analíticos).

Acompanhando uma tendência crescente que rompia com a tradição, ela a escreveu em italiano em vez de latim, visando um livro didático acessível e educativo que, segundo seu prefácio, apresentaria aos jovens, com “clareza e simplicidade”, “a ordem natural” que a Matemática pode revelar.

… então pensei que poderia ser dispensada pelo trabalho de traduzi-lo para o latim (uma língua que alguns podem imaginar ser mais adequada para obras desse tipo), especialmente porque tive o exemplo de tantos matemáticos famosos, assim como italianos e outros, que publicaram suas Obras Matemáticas em suas próprias línguas maternas. Também não consegui facilmente superar minha indolência natural, ao me submeter à monotonia de traduzir para o latim aquilo que já havia composto em italiano. Portanto, estou longe de reivindicar o mínimo mérito decorrente dessa pureza e elegância de estilo, que em assuntos de natureza diferente podem ser louvavelmente tentadas; estarei plenamente satisfeita se sempre me expressei, como sinceramente me esforcei, de maneira simples, mas clara e inteligível.

(Maria Agnesi, Introdução da Autora, Estudo dos Analíticos).

O livro se tornou referência na Europa e abriu portas para que outras mulheres pudessem sonhar em contribuir para a ciência.

Na gestão de vários métodos, acho que arrisco dizer que fiz algumas melhorias em vários deles, que acredito não estarão totalmente desprovidas de novidade e invenção. A esses o Leitor judicioso pode dar o peso que quiser. Nunca foi minha intenção buscar aplausos, satisfeita por ter me entregado a um prazer real e inocente; e, ao mesmo tempo, por ter me esforçado para ser útil ao Público.

(Maria Agnesi, Introdução da Autora, Estudo dos Analíticos).

Agnesi também é conhecida pela curva matemática que hoje chamamos de “Curva de Agnesi”, um marco em geometria analítica.

Curvas de Agnesi para diferentes raios de círculo.

Em diversas línguas, a curva de Agnesi é chamada “Bruxa de Agnesi”, devido a um erro de tradução. John Colson, professor de matemática em Cambridge, que havia aprendido italiano apenas para traduzir a obra de Agnesi para o inglês, ao invés de ler “la versiera di Agnesi”, que significa curva de Agnesi, leu “l’avversiera di Agnesi”, onde l’avversiera significa bruxa. Deve ser a mania de associar mulheres inteligentes à bruxas… Desde então, em muitas línguas a curva recebeu esse nome.

Mas sua grandeza não estava apenas nos números: Maria dedicou boa parte da vida ao cuidado de pessoas em situação de vulnerabilidade, atuando em hospitais e obras sociais.

Ela provou que é possível unir o brilho intelectual ao compromisso humano — e que mulheres pertencem a todos os espaços, inclusive à ciência.

A história de Maria Agnesi nos lembra que talento não tem gênero e que, quando meninas têm oportunidades, podem transformar o mundo com suas ideias, sua curiosidade e seu olhar único.

Que a trajetória dela inspire você a ocupar seu lugar na STEM — porque a ciência precisa de todas vocês.

Coleção Mulheres STEM

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