Capa: Anta Centro-Americana (Tapirus bairdii). Mike Melton, 2023. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Floresta Maia: quando uma Anta olha pra você (The Mayan Forest: When A Tapir Gazes Upon You)
O documentário foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025 !
SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.
O filme no Youtube (em espanhol)
O filme pode ser solicitado para exibição (dublado em português) ao SCIENCE FILM FESTIVAL pelo Formulário de inscrição.
Transcrição do vídeo
Dizem que, quando não havia nada que se movesse,
Ou nada que se agitasse, e só havia o vazio,
Os deuses, escondidos em plumas verdes e azuis,
Reuniram suas palavras e pensamentos, e cantaram.
E entre as folhas e a água, uma grande criatura apareceu.
E atravessou a superfície da terra.
A pele, grossa e marrom,
O sangue quente e o coração forte.
Eles a chamaram de Anta.
Por milhões e milhões de anos,
a anta percorreu o planeta Terra,
fazendo florestas crescerem sob seus passos.
E cruzando caminhos entre sonhos e o mundo exterior.

Anta Centro-Americana (Tapirus bairdii). Mike Melton, 2025. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
E quando o amanhecer chegou,
com o sangue da anta,
o milho branco e amarelo,
os primeiros seres, feitos de milho, foram criados.
Eles pensavam e sentiam.
Falavam e sonhavam.
E, acima de tudo, brincavam.
E se perguntavam:
Por quê? O que há além?
[crianças observando lagos e perguntando]
“Ah, ela é maravilhosa”.
“Ah, eu quero saber”.
Quando chegou o dia mais triste da história, a água secou.
A anta chorou, e foi embora para longe.
E os descendentes dos primeiros seres feitos de milho
ouviram o silêncio e perguntaram:
[sussurro] “Onde está a Anta?”
Então, para vê-la novamente,
decidiram reunir suas memórias
e segredos numa mensagem
que cruzaria as estrelas e o horizonte distante.

Anta Centro-Americana (Tapirus bairdii). Oliver Autrei, 2020. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Nos arredores da floresta,
No sul do México e norte de Belize,
Os descendentes dos seres feitos de milho
escreveram:
“Oi, estamos escrevendo da Igreja New Chapel on the Hill,
localizada em Mahogany Heights, em Belize”.
“Amamos a natureza porque nos sentimos livres.
Na natureza, você tem tempo para relaxar.
É um lugar livre que te faz pensar com clareza”.
“A Floresta Maia é a maior floresta tropical da América,
onde vive o maior número de antas centro-americanas.
(Tapirus bairdii)
E elas passam por países,
caminhando pelo corredor da Floresta Maia”.
“O corredor da Floresta Maia
é a única passagem para os animais cruzarem”.
“Oi, amigos, que estão abaixo do México,
somos crianças de Nuevo Becal e vamos falar sobre a Anta”.

Anta Centro-Americana (Tapirus bairdii). Neil TsuTsui, 2020. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
[crianças sussurrando entre si]
“A Anta come folhagem verde e come sapoti”.
“A Anta é muito bonita e tem um nariz grande”.
“A Anta se banha em poças e é marrom”.

Anta Centro-Americana (Tapirus bairdii). Lorenzo D’Alessio, 2022. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
“Elas têm a habilidade de se adaptar a condições difíceis,
muito parecido com o povo de Belize.
Os belizenhos escolheram a anta como animal nacional
porque ela nos representa como uma nação forte e é muito resistente”.
A cada passo que a anta dava,
para logo desaparecer,
o silêncio no mundo, aumentava.
E os descendentes dos seres feitos de milho
escreveram em suas mensagens:
“Anta, Anta,
quando eu não puder mais te ver,
meu coração estará perdido na terra.”
“Mas o silêncio continuou e continuou.
Então, os descendentes dos seres feitos de milho
saíram em busca pelo corredor, profundamente verde”.
[na floresta]
“Nenhuma Anta…” “Eu tô vendo… um pássaro…”

Anta Centro-Americana (Tapirus bairdii). Lorenzo D’Alessio, 2022. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
“Eles procuraram e procuraram,
e lembraram de todas as vezes
que a Anta tinha olhado para eles
e se perguntaram novamente:
[sussurrando]
Onde está a Anta?
No mesmo lugar de antes?”
“Outro dia, eu fui com meu pai e o Eric, e nós vimos uma pegada de Anta”.
“E é isso?”
“É…”
“Se o bumbum dela é assim, ela vai se virar, vai te ver e vai correr”.
“Por isso eu disse que ela foi para a montanha”.
“Isso se chama Annona, e as antas adoram comer”.
“Uma vez, eu e meu pai fomos para a montanha,
E encontramos ela tomando banho na lagoa…”
“Na lagoa? E o que mais?”
“E é isso.”
“É só isso?”
“Sim, é isso.”
“Tá bom, então.”
Juntos, eles procuraram
entre os campos de milho e abóbora.
E se moveram pelas profundezas dos cursos d’água,
além das plantas, e além das ondulações.
Olhando embaixo de pedras,
e através dos raios de luz.
Os descendentes dos primeiros seres feitos de milho
se perguntaram:
[sussurrando]
“Onde está a Anta?
Por que não conseguimos encontrá-la?”
“A gente tem que proteger as antas porque tem predadores”.
“Predadores!”
“Predadores selvagens!”
“Se todas forem mortas, não vai sobrar nenhuma”.
As pessoas passam por pobreza
e, provavelmente, não tem nada para comer.
Então, qualquer animal,
qualquer coisa comestível, que apareça,
elas provavelmente matam.
“Meu primo comeu anta um dia,
mas eu disse para ele então comer as antas
porque, se comermos elas, então,
não teremos mais antas no planeta”.
“Eu acho que as antas são uma espécie em perigo
por causa do desenvolvimento humano.
Quando constroem estradas,
E carros podem simplesmente vir e atropelar elas”.
“Uma anta tava atravessando a lombada
e, de repente, um veículo veio e bateu nela.
Ela rodou.
As pessoas ligaram pro zoológico
e, daí, o zoológico veio, pegou ela
e levou ela embora”.
[sussurrando]
Onde está a Anta?
Está perto das ruínas.
Mas apesar da busca,
nenhuma anta foi encontrada.
Ainda assim, os descendentes
dos primeiros seres feitos de milho pensaram, e perceberam algo.

Anta Centro-Americana (Tapirus bairdii). Mike Melton, 2025. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
“Algumas maneiras que pensamos
para protegê-las são:
parar de machucá-las
e parar de cortar árvores.
Outra maneira seria colocando placas
e lombadas de precaução também”.
“Olha isso… nossa…”
“Olha bem de perto”.
“Eu queria juntar todas as antas
para que ninguém pudesse machucá-las”.
“E para as antas terem comida,
podemos plantar árvores de sapoti
e colocar uma fonte d’água”.
“Olha isso, está verde”.
“Que legal, que legal!
Eu quero ver também… Olha!”
Para encontrar uma anta,
sabemos que elas lembram onde está a água.
Então, procure perto dos pântanos.
Elas são muito tímidas.
Você deve ficar em silêncio.
Se você ouviu o assobio, podem ser elas.
Siga o som.
A promessa entre
os descendentes dos seres feitos de milho
e a anta seria cumprida para sempre.
Eles enrolaram a longa folha de papel e enviaram.
Entre as cavernas e as montanhas,
Os descendentes dos seres feitos de milho
continuaram a espreitar,
esperando que o assobio
fosse ouvido novamente, algum dia.
Procurando,
sempre procurando,
por uma pegada,
ou talvez um olhar.

Anta Centro-Americana (Tapirus bairdii). Stella Tea, 2025. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
A Floresta Maia: Quando uma anta olha para você.
A Floresta Maia se estende pelo México, Belize e Guatemala. É o principal habitat da anta centro-americana, que por milhões de anos tem sido fundamental para a restauração das florestas. Atualmente, está em perigo de extinção devido aos desafios ambientais que a região enfrenta.
Floresta Maia: Quando a Anta Olha para Você (Poesia)
Criado por IA a partir da transcrição do filme.
ONDE ESTÁ A ANTA?
Dizem que, quando tudo era silêncio,
e o mundo ainda não sabia se mover,
os deuses, em plumas verdes e azuis,
cantaram a vida para florescer.
E da canção, nasceu Tapir,
pele marrom, coração ardente,
caminhando entre folhas e águas,
com passos que despertam sementes.
Por milhões de anos, ela andou,
tecendo florestas com seu andar,
ligando sonhos ao mundo real,
fazendo o verde respirar.
Com o sangue da Anta, e o milho,
branco, amarelo, cheio de luz.
Os primeiros seres, feitos de grãos,
ganharam alma e voz.
Eles brincavam, pensavam, sonhavam,
e perguntavam ao lago e ao céu:
“Ah, ela é maravilhosa!”
“Ah, eu quero saber como ela é!”
Mas veio o dia mais triste da história,
a água secou, e a Anta partiu.
E os filhos do milho, em silêncio,
sussurraram: “Onde está a Anta, ela sumiu?”
Então, reuniram lembranças e sonhos,
mensagens que cruzam estrelas e chão.
Escreveram nas margens da floresta:
“Amamos a natureza com o coração.”
A Floresta Maia, viva e profunda,
guarda o caminho da Anta ancestral.
Ela come sapoti e anonas,
e se banha em poças, em ritual.
As crianças de Nuevo Becal dizem:
“A Anta é bonita, tem nariz grande.”
“Ela é tímida, corre se te vê.”
“Ela lembra onde está a água, pode crer.”
Mas o mundo mudou, e a estrada cortou,
o carro passou, e a Anta rodou.
O zoológico veio, levou embora,
e o silêncio cresceu, hora após hora.
“Se todas forem mortas, não sobra nenhuma.”
“Meu primo comeu anta, mas eu disse: não!”
“Se comermos todas, o planeta perde razão.”
Então, os filhos do milho prometeram:
“Vamos plantar sapoti e proteger.”
“Vamos colocar placas, fazer lombadas,
para a Anta poder viver.”
E entre cavernas e montanhas,
eles ainda esperam o assobio soar.
Procurando pegadas, um olhar,
um sinal de que ela vai voltar.
Porque a Floresta Maia é mais que verde,
é memória, é promessa, é ancestralidade.
E quando a Anta olha para você,
ela vê o futuro da humanidade.

