Capa: Macaco-aranha peruano (Ateles chamek). © Jaime Robles, 2011. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
O documentário foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025 !
SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.
O filme no Youtube (em espanhol)
O filme pode ser solicitado para exibição (dublado em português) ao SCIENCE FILM FESTIVAL pelo Formulário de inscrição.
Transcrição do Vídeo
Reserva Natural do Rio Nuevo, Península de Osa, Costa Rica.
A Costa Rica abriga algumas das florestas e ecossistemas mais importantes do mundo. E não há nada como a península de Osa, lar de mais de dois por cento da biodiversidade mundial.
Suas florestas tropicais abrigam inúmeras plantas e animais, cada um com um papel importante a desempenhar.
Osa é o refúgio de algumas das espécies mais ameaçadas do planeta, incluindo o macaco-aranha de Geoffroy (Ateles geoffroyi).

Macaco-aranha peruano (Ateles chamek) jovem. © Raphael D. Mazor, 2019. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Kalu, uma infância na floresta

Macaco-Aranha-de-Geoffroy (Ateles geoffroyi). © Michael Leidel, 2022. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-4.0.
Conheça Kalu.
Com apenas dez meses de idade, ele é um dos membros mais novos de sua família de quinze macacos aranha.

Macaco-Aranha-de-Geoffroy (Ateles geoffroyi). © Irena aparrot1, 2025. Acervo iNaturalist. Licença CC0.
Até agora, ele esteve grudado na sua mãe, 24 horas por dia.

Macaco-Aranha-de-Geoffroy (Ateles geoffroyi). © Michael Leidel, 2022. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-4.0.
Seus primos, agora grandes o suficiente para brincarem juntos, parecem estar se divertindo muito. Mas o pequeno Kalu ainda está grudado na mãe.
Talvez agora, seja a hora de começar a fazer amigos.
Seus primos, no entanto, não querem uma criança estragando a brincadeira deles.
Talvez um rosto mais amigável para começar seja mais fácil ,que tal a vovó?
Não, ela não está interessada!
Os macacos-aranha estão equipados para a vida no topo das árvores. Eles têm um membro extra.
Solta como os braços, suas caudas permitem que eles vão aonde outros macacos não conseguem.
Mas usar a cauda para se equilibrar é bem mais fácil do que parece.
Toda essa brincadeira parece divertida, mas consome muita energia. É hora do almoço.

Macaco-Aranha-de-Geoffroy (Ateles geoffroyi). © rowan_m, 2025. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-4.0.
E nessa família onde cada um aprende por si só, ninguém vai compartilhar ou mostrar a ele onde conseguir comida.
Kalu tem que descobrir isso sozinho, mas ele não tem ideia do que é bom no cardápio.
“Não, isso também não é bom”.
Felizmente, sua tia tá aqui para ajudar. Mesmo cuidando do próprio bebê, ela ensina a Kalu como fazer.
Hora de tentar. Alguns figos maduros devem resolver.

Figueira da Costa Rica (Ficus costaricana). © Randall Jiménez, cicciocostarica, 2025. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Como os jardineiros da floresta, os macacos aranha desempenham um papel importante na dispersão de sementes, mas Kalu ainda não dominou completamente a arte da boa alimentação.
Quando as árvores produzem frutos, isso é um ímã para as criaturas da floresta e elas, por sua vez, enquanto se alimentam, criam oportunidades para aqueles que estão no chão.
Um bando de quatis. Eles viajaram longe para conseguir essas frutas caídas.

Quati de nariz branco (Nasua narica ssp. narica). © Maks Syratt, 2025. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Isso tudo faz parte do plano intrincado da árvore. Os quatis vão depositar as sementes bem longe da árvore mãe, permitindo que a floresta se regenere eficientemente, e possibilitando que as plantas menores cresçam em novas áreas por toda a Osa.
De volta com sua família de macacos-aranha, Kalu fez muito progresso. Faz alguns dias, desde que ele deixou a segurança do lado da mãe. E ele já fez alguns novos amigos. Também dominou a arte de coletar frutas, tanto que ele não percebe os problemas que estão por vir.
O macaco prego de cara branca. Três deles.

Capuchinho-de-Cabeça-Branca (Macaco-prego, Cebus capucinus). © Cesar Ernesto Becerra Acosta, 2025. Acerco iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Eles podem ser menores em tamanho, mas podem, facilmente, se unir contra o pequeno Kalu.
Felizmente, ele não está sozinho. Seus novos amigos dão alarme e toda a família se reúne para protegê-lo.
A união faz a força, mas os invasores também não estão sozinhos e eles também querem comer as frutas deliciosas que esta árvore tem a oferecer.
Todo o bando está se aproximando rapidamente.
Em grande desvantagem numérica, a fêmea mais velha dá a ordem para recuar.
Usando suas incríveis habilidades, os macacos-aranha conseguem navegar pelas árvores e pular. Mas, pular para outra árvore não é uma tarefa fácil, e Kalu nunca fez isso antes.
Enquanto o resto da família pula para um lugar seguro, é agora ou nunca.
Segurança!
Reunido com a mãe, é hora de um cochilo bem-merecido.
Foi um dia cansativo. Mas na natureza, você nunca pode baixar a guarda.
[Sons de serras elétricas na floresta / desmatamento].
A cada hora mais um campo de futebol de floresta é desmatado. E muito disso ilegalmente.
Nenhum ecossistema, por maior que seja, está seguro.
Mais de 10% das árvores na Terra estão ameaçadas de extinção.
E ainda assim, nisso é o que transformamos nossas florestas: uma monocultura de dendê.
Um habitat sem vida.
[Sons de serras elétricas na floresta / desmatamento].
Uma única estrada asfaltada pode levar à extinção da família de Kalu.
Estamos transformando nossas florestas numa paisagem agrícola.
Estamos substituindo o selvagem pelo domesticado.
A caça ilegal também desempenha um papel importante no declínio do macaco aranha. E aqueles que escapam ficam desamparados para se virar sozinhos.
Só agora, estamos começando a valorizar nosso mundo natural. Mas nesse ritmo, estamos entrando numa espiral de declínio e Kalu não terá para onde ir.
Mas ainda há uma chance de fazer reparações.
Para garantir a sobrevivência da floresta tropical:
Precisamos pressionar por agricultura sustentável, preservação de terras e reflorestamento.
Precisamos envolver as comunidades locais.
E nos educar.
Reconectar habitats fragmentados criando corredores de vida selvagem vai permitir que os macacos aranha se movam pela floresta tropical em busca de comida, novos parceiros e permitirá que se adaptem ao nosso clima em mudança.

Macaco-Aranha-de-Geoffroy (Ateles geoffroyi). © Ricard Busquets Reverte, 2023. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-4.0.
Podemos fazer a diferença.
A floresta tropical pode ser nosso legado para que Kalu possa ter um futuro na natureza.
Desde 1980 perdemos 50% de todos os macacos aranha e sua população ainda está em declínio.
O mundo já perdeu mais de um terço de suas florestas.
Você pode ajudar a proteger a floresta tropical.
Vídeo em PoesIA
Criado por IA, Microsoft Copilot, transformando o texto em poesia.
Kalu, o macaco-aranha na floresta
Na Osa, onde a vida floresce sem fim,
Costa Rica guarda um jardim sutil.
Dois por cento do mundo ali respira,
Na dança da selva, onde tudo nos inspira.
Entre folhas e galhos, o tempo desliza,
Kalu nasceu onde a luz suaviza.
Dez meses de vida, colado à mãe,
Enquanto os primos brincam além.
Mas fazer amigos não é tão fácil,
A vovó recusa, o olhar é frágil.
Com cauda que voa como um braço a mais,
Kalu tenta, mas ainda não é capaz.
Brincar consome, é hora de comer,
Mas ninguém ensina, é preciso aprender.
A tia, gentil, entre o seu cuidar,
Mostra a Kalu o que deve buscar.
Figos maduros, sabor da missão,
Mas a arte de comer exige atenção.
Na floresta, cada ato tem razão,
Quatis chegam, seguem a estação.
Eles levam sementes para longe dali,
A árvore agradece, deixa o ciclo seguir.
Kalu aprende, cresce, se lança ao ar,
Mas o perigo começa a se aproximar.
Macacos-prego, três rostos atentos,
Querem as frutas, causam tormentos.
Mas Kalu tem amigos, a família se une,
Na selva, a força é quem se reúne.
A matriarca ordena: é hora de fugir,
Pular entre árvores, sem nunca cair.
Kalu hesita, nunca pulou,
Mas salta no tempo, e enfim se salvou.
Reencontra a mãe, cochilo merecido,
Mas na floresta, o perigo é contido.
Serras rugem, o verde se vai,
A cada hora, um campo se desfaz.
Monocultura invade, sem vida, sem cor,
O lar de Kalu vira dor.
Estradas cortam, caçadores vêm,
E os que escapam, vagam sem ninguém.
Mas ainda há tempo, ainda há chão,
Para reflorestar com o coração.
Corredores de vida, saber e ação,
Podem dar a Kalu nova direção.
Desde 1980, metade se perdeu,
E o mundo, em silêncio, apenas esqueceu.
Mas você pode ajudar, pode proteger,
Para que Kalu tenha onde viver.

