Capa: Microplásticos no solo, composição criada por IA, Microsoft Copilot.
A série de Divulgação Científica alemã, NEUNEINHALB (NOVEeMEIO) apresenta vídeos educativos, todos em 9 minutos e meio (nome da série). É apresentada por jovens jornalistas e comunicadores da República Federal da Alemanha, trazendo questões, soluções e desafios de vários campos da ciência.
O episódio “NEUNEINHALB: Mikroplastik im Boden – Eine unsichtbare Gefahr“, NOVE1/2: MICROPLÁSTICOS NO SOLO – UM PERIGO INVISÍVEL traz a discussão do grave problema ambiental: a poluição plástica no solo e, consequentemente, nos alimentos.
O documentário foi selecionado para exibição pública e gratuita em mais de 120 países na sétima edição do festival de filmes científicos SCIENCE FILM FESTIVAL 2025 !
SCIENCE FILM FESTIVAL 2025: Conheça todos os filmes selecionados e como exibir em sua escola, museu ou instituição em https://www.goethe.de/prj/sff/pt/lae/sak/bra.cfm.
Jovem e divertida, a divulgadora cientifica Tessniem Kadiri (TESS), acompanha o dia a dia de um geólogo pesquisador no campo e no laboratório e uma solução inovadora de duas estudantes para minimizar o problema de plástico no solo.
NOVE1/2: MICROPLÁSTICOS NO SOLO – UM PERIGO INVISÍVEL
O filme pode ser solicitado para exibição (dublado em português) ao SCIENCE FILM FESTIVAL pelo Formulário de inscrição.
Transcrição
TESS: Aparentemente, cada um de nós consome plástico suficiente por semana para fazer um cartão de crédito! Não inteiro, é claro, mas na forma de microplásticos. Pequenas partículas de plástico que agora podem ser encontradas em quase toda a natureza – até mesmo no solo. Mas como elas chegam lá? E quais as consequências disso para nós e para o meio ambiente? Você descobrirá tudo isso e muito mais neste episódio de “nove e meio”!
TESS: Olá, bem-vindos ao “9 AND HALF” e bom apetite.
O prato de hoje é um cartão de crédito.
Recentemente, toda semana nós ingerimos plástico suficiente para fazer um cartão de crédito inteiro. São os chamados microplásticos.
Essas partículas minúsculas estão agora em todos os lugares do nosso meio ambiente, até mesmo no nosso solo.
Como eles chegam lá?
E são um problema para a natureza e para nós humanos?
É isso que eu vou descobrir hoje. Para responder essas perguntas, me encontrarei com o doutor Colin Weber. Ele é geólogo, estuda a poluição plástica no solo.
COLIN: Olá, tudo bem?
TESS: Então, o que exatamente faremos hoje?
COLIN: Vamos coletar amostras de solo para verificar se há microplásticos.
TESS: E funciona assim, com esta espátula pequena, vamos pegar terra de diferentes pontos e encher este vidro. Vamos levar para o laboratório daqui a pouco, onde examinaremos nossa amostra. Você não consegue ver microplásticos facilmente a olho nu.
TESS: Microplásticos são pedacinhos minúsculos de plástico de 5 mm ou menores. Frequentemente, eles vêm de lixo plástico. Por exemplo, se uma garrafa plástica for deixada jogada por aí, ela não vai simplesmente desaparecer. Em vez disso, ela lentamente se quebra em pedaços cada vez menores até ficarem quase invisíveis.
Mas microplásticos podem ser criados de outras formas também.
Muitas roupas, por exemplo, liberam fibras plásticas minúsculas na água, toda vez que são lavadas. Essas fibras também contam como microplásticos.
Outro grande contribuinte é o tráfego rodoviário. Quando os carros andam, seus pneus se esgaçam e liberam quantidades enormes de microplásticos no meio ambiente.
E há até microplásticos produzidos deliberadamente e usados em certos produtos.
Mas não importa como são formados. Esses pedacinhos minúsculos de plástico, agora são encontrados no oceano, nos rios, no ar e até no solo – basicamente em todo lugar. E isso é um problema para o meio ambiente.
Agora queremos descobrir quanto microplástico há na nossa amostra de solo.
Para começar, temos que secar o solo neste forno especial.
Como a secagem leva várias horas, Colin já preparou outra amostra do mesmo local.
Primeiro, peneiramos a terra seca para remover as pedras.
Em seguida, vamos separar o microplástico da matéria vegetal.
Usamos apenas 5 gramas da nossa amostra para isso.
Depois, adicionamos um líquido e misturamos bem.
Agora, nós esperamos até os restos de plantas se assentarem no fundo.
As partículas de plástico são muito mais leves, então elas vão flutuar até a superfície.
Finalmente, nós filtramos tudo.
TESS: Certo, tudo pronto. Agora é a hora da verdade. Vamos encontrar microplásticos aqui? E se sim, quanto? Vou passar isso para você.
COLIN: Obrigado. Vou colocar isso no microscópio e vamos dar uma olhada mais de perto.
TESS: Acho que tem algo aqui.
COLIN: Exato, você pode ver na tela.
TESS: Então é isso que tem aqui dentro? E tem algo azul bem ali.
COLIN: A parte azul é o plástico.
TESS: É realmente assim tão grande? Ah, agora eu estou vendo também.
COLIN: É bem grande.
TESS: Cadê o microplástico que eu normalmente não veria?
COLIN: Tem que olhar um pouco mais de perto. Bem aqui, por exemplo, você está vendo esse pontinho azul minúsculo? Ele é bem pequenininho, pequeno demais para ver a olho nu, por causa da cor. Isso provavelmente também deve ser microplástico.
TESS: E como esse plástico acaba no solo?
COLIN: Uma das formas mais comuns é simplesmente jogando fora lixo plástico ou itens de forma descuidada. Você vê frequentemente lixo ao longo das estradas quando está dirigindo ou caminhando. Outro fator importante especialmente para o solo é a agricultura.
TESS: Os agricultores, às vezes, usam folhas plásticas e redes quando cultivam plantas e eventualmente esses plásticos se quebram. Pedaços de plástico frequentemente ficam para trás, se quebrando em pedaços menores devido ao vento e ao tempo.
Os campos também são fertilizados regularmente, alguns fertilizantes contém microplásticos, tanto em fertilizante artificial quanto até em compostos feitos de lixeiras de resíduo orgânico. Isso porque plástico frequentemente acaba na lixeira de resíduo orgânico, mesmo não devendo estar lá.
Mas a maioria dos microplásticos no solo, na verdade, vem do lodo de esgoto. O lodo de esgoto se forma quando a água residual é limpa nas estações de tratamento de esgoto. Este material sólido filtrado da água residual contém nutrientes, razão pela qual costumava ser popular como fertilizante.
O problema é que o lodo de esgoto está carregado de microplásticos. Este plástico pode vir de lavagem de roupas. Mesmo que hoje o lodo de esgoto seja muito menos usado como fertilizante, partículas de plásticos de épocas anteriores ainda estão no solo.
TESS: Depois de filtrar nosso solo, é assim que fica a quantidade de plástico que acabamos de ver. Se você aumenta a escala, digamos, para um quilograma de solo, quanto plástico você encontraria?
COLIN: Bom, isso depende. Você não pode dar um número exato para todas as amostras de solo, mas falando de forma geral, pode ser tanto quanto uma uva passa em um quilograma de solo, se caso você juntar todo o plástico existente nela.
TESS: Tá legal, eu sei que isso não parece muito, mas o que isso significa para os animais e o meio ambiente?
COLIN: Você está certa, mas a questão é mais complexa. Cada partícula individual, por menor que seja, já é completamente estranha ao solo. Algo não natural que não deveria estar presente nesse ambiente. E essa presença artificial pode ter muitos efeitos diferentes e preocupantes. Ela pode prejudicar várias criaturas que vivem no solo, como as minhocas, que são fundamentais para o equilíbrio. Por exemplo, a atividade biológica delas diminui quando expostas aos microplásticos. E isso é ruim porque elas ajudam a manter nosso solo saudável, arejado e fértil. Mas não para por aí, as plantas também podem absorver essas partículas microplásticas através de suas raízes e como nós comemos plantas que crescem nesse solo contaminado ou consumimos animais que se alimentaram dessas plantas, o plástico entra na cadeia alimentar e acaba se acumulando no organismo.
TESS: Agora que sabemos que microplásticos não são bons para nós, podemos simplesmente removê-los novamente?
COLIN: Isso é extremamente difícil, você já quanto tempo levamos só para tirar um pouquinho de plástico daquela pequena amostra de solo?
TESS: Limpar tudo do solo não é uma opção. Mas o que podemos fazer para prevenir que microplásticos entrem no meio ambiente em primeiro lugar?
Lembrem-se, um problema importante é que microplásticos entram na natureza através de água residual e lodo de esgoto. Duas jovens pesquisadoras tiveram uma ideia de como resolver esse problema.
TESS: Conheçam as irmãs Leonie e Zoe. Elas têm trabalhado com microplásticos há cerca de quatro anos. Olha só como elas começaram.
LEONIE: Primeiramente, nós aprendemos um pouco sobre os microplásticos na escola.
ZOE: E também vimos o problema durante umas férias. Depois de uma tempestade, o mundo subaquático parecia que estava “celebrando o carnaval” pois havia tantos pedaços de plástico flutuando. E foi quando a gente decidiu que tinha que fazer alguma coisa.
TESS: Tá bom, mas como, exatamente? Leonie e Zoe decidiram criar um filtro de microplásticos para máquinas de lavar. Elas criaram um modelo no computador e depois na vida real. Depois disso, instalaram um acessório especial na máquina de lavar delas. Esta caixa é onde o filtro vai.
LEONIE: O filtro da máquina de lavar é bem simples. Ele tem três estágios, cada um com filtros organizados do tecido mais grosso ao tecido mais fino. A água residual da máquina de lavar entra pelo topo, passa pelos filtros, depois sai mais limpa pela parte de baixo. Quando você esvazia o filtro, fica assim.
TESS: Quando você esvazia o filtro depois de fazer uma lavagem completa, você pode ver o resultado. A sujeira e as fibras de microplástico se acumulam e ficam retidas na filtragem. Em vez de serem despejadas no esgoto, esses microplásticos não chegam ao ambiente. É uma solução bem inteligente.
LEONIE: É claro, seria melhor se nós não precisássemos de filtros como estes. Mas, as coisas continuando do jeito que estão agora, definitivamente continuaremos trabalhando para tornar nossos filtros disponíveis para venda.
TESS: Um filtro como esse é uma ideia incrível, mas todos nós podemos fazer alguma coisa sobre microplásticos usando menos plástico em geral. Afinal, a garrafa plástica de hoje pode ser o microplástico de amanhã.
SOLO SEM PLÁSTICO EM POESIA
Cartão de Crédito no Prato
No prato do dia, sem que se veja,
vem plástico em forma de centelha.
Não inteiro, mas em fragmentos mil,
microplásticos, o novo perfil.
Do lixo jogado, da roupa lavada,
dos pneus na estrada, da rede rasgada.
Do esgoto, do lodo, do vento que espalha,
o solo recebe o que a pressa não falha.
Minhocas se calam, o chão já não respira,
raízes se confundem, a vida se retira.
E nós, sem saber, comemos também,
o que a terra absorve, vai além.
Não há lupa que revele o estrago,
mas há ciência que aponta o afago.
Filtrar, repensar, reduzir o consumo,
é hora de agir, sair do resumo.
Pois cada gesto, cada escolha nossa,
pode limpar o mundo, devolver-lhe a bossa.
Que o futuro não seja de plástico e dor,
mas de respeito, cuidado e sabor.

