Imagem de capa: Capa do vídeo NASA Hidden Figure Dorothy J. Vaughan, 2024.
Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.
Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.
Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.
O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.
Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.
Dorothy Vaughan: Um Programa de Sucesso

Para Saber Mais
Imagine uma mulher que, em vez de navegar por mares, navegava por números. Para muitos, equações parecem tempestades assustadoras; para Dorothy Vaughan, eram como estrelas formando caminhos no céu. E foi seguindo essas “estrelas matemáticas” que ela se tornou uma das mulheres mais importantes da história da tecnologia e da exploração espacial.
Infância e Primeiros Passos
Dorothy nasceu em 1910, nos Estados Unidos, em uma época em que o mundo ainda insistia em dizer às mulheres — e especialmente às mulheres negras — que havia portas fechadas para elas. Mas Dorothy cresceu como uma chave: pronta para abrir portas, mesmo quando ninguém acreditava que fosse possível.
Uma Universidade Libertadora
Com muito estudo e dedicação, ela se formou em Matemática pela Universidade de Wilberforce. Para ela, os números eram como um idioma secreto que explicava como o mundo funcionava — e ela queria dominá-lo.
A Universidade de Wilberforce foi fundada em 1856, no estado de Ohio, como um projeto conjunto entre a Igreja Metodista Episcopal (MEC) e a Igreja Metodista Episcopal Africana (AME). Desde o início, ela foi concebida com um propósito considerado radical para a época: oferecer educação superior a afro-americanos, muitos deles fugindo da escravidão ou impedidos de estudar pelas leis do Sul dos EUA.
Segundo registros históricos, seus fundadores eram movidos pelo compromisso com a causa abolicionista e viam a educação como caminho para emancipação social, intelectual e econômica da população negra. Por isso, Wilberforce se tornou a primeira universidade privada historicamente negra do país.
O Início na NACA
Durante a Segunda Guerra Mundial, Dorothy conseguiu um emprego na NACA, o órgão que mais tarde se tornaria a NASA. Lá, ela entrou para o grupo de mulheres matemáticas conhecido como “computadoras”, porque faziam à mão o que hoje deixamos para as máquinas: cálculos complicados, precisos, essenciais para voos e testes.
Pense nelas como calculadoras humanas com coração e coragem.
A Primeira Supervisora Negra
Dorothy trabalhou com tanto talento e responsabilidade que se tornou a primeira supervisora negra da instituição. Era como ser promovida de navegadora a capitã de um grande navio — com a diferença de que esse navio tinha asas e se preparava para conquistar o céu.
Ela passou a liderar uma equipe de mulheres igualmente brilhantes, abrindo caminhos que antes eram invisíveis. Seu estilo de liderança era como o de uma professora que ensina enquanto ilumina: firme, generosa e visionária.
A Virada para a Programação
Quando os primeiros computadores eletrônicos começaram a ser usados, muitos temiam que as máquinas substituíssem as pessoas. Dorothy fez diferente: ela viu esses computadores como novos instrumentos musicais e decidiu aprender a tocá-los.
Sozinha, estudou a Linguagem Fortran (IBM Mathematical FORmula TRANslation System), uma das primeiras linguagens de programação. Depois, ensinou tudo para sua equipe. Com isso, transformou suas colegas em especialistas que passaram a contribuir de forma decisiva para os cálculos das missões iniciais do programa espacial.
Ela criou os “primeiros passos” dos programas usados para fazer cálculos de voo em computadores grandes e barulhentos. Como se tivesse ensinado as máquinas a fazer aquilo que antes só humanos faziam.
Antes dos computadores, Dorothy e sua equipe eram “computadores humanos”, fazendo cálculos longos e exatos sobre: Força de sustentação; Arrasto (resistência do ar); Trajetórias e Análises de testes de túnel de vento. Esses cálculos eram essenciais para desenvolver aviões seguros e, mais tarde, foguetes e cápsulas espaciais.
Com a chegada dos computadores, Dorothy ajudou a traduzir esses cálculos para versões programáveis, criando rotinas que as novas máquinas conseguiam executar rapidamente.
Dorothy não apenas aprendeu o novo — ela fez o novo florescer ao seu redor.
Conquistas e Legado
Ela se tornou supervisora do grupo West Area Computing, um grupo de mulheres afro-americanas que trabalhavam como “computadoras humanas” no Centro de Pesquisa Langley da NACA de 1943 a 1958. A maior parte do seu trabalho envolvia a leitura, análise e plotagem de dados para testes de aeronaves, pesquisa de voos supersônicos e, mais tarde, para o programa espacial . Na era anterior
aos computadores digitais , elas trabalhavam manualmente, individualmente com engenheiros ou em seções de computação.
Como supervisora do grupo, Dorothy:
- Coordenou os cálculos de projetos em várias áreas de pesquisa.
- Organizou e distribuiu tarefas matemáticas complexas.
- Colaborou na produção de manuais e métodos numéricos para uso interno, como um manual de técnicas algébricas usando máquinas de calcular.
Ao longo de sua carreira, Dorothy Vaughan ajudou a construir a base matemática e computacional de projetos que, um dia, levariam astronautas ao espaço. Ela foi:
- Líder e mentora de mulheres talentosas.
- Especialista em programação pioneira na NASA.
- Exemplo de coragem em tempos de segregação racial.
- Ponte entre eras: dos cálculos manuais aos computadores modernos.
Seu legado não é apenas técnico. É também emocional, inspirador e profundamente humano. Dorothy mostrou que
Não há céu alto demais quando se tem coragem de construir as próprias asas.
Dorothy Vaughan transforma qualquer dúvida em convite. Ela é uma constelação criada por mãos humanas: ela brilha, guia e lembra que, mesmo em um céu escuro, sempre há novas estrelas esperando para ser descobertas.

