Imagem de capa: Postagem de Emily Choy, em seu canal Facebook.
Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.
Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.
Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.
O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.
Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.
Um Ártico em Mudança
Para estudar os efeitos das mudanças climáticas na vida selvagem, a pesquisa de Choy a leva a muitos locais remotos do Ártico canadense. Fellow da Fundação Weston, ela se juntou à expedição em busca dos navios da Expedição Franklin.

Emily Choy, apaixonada pelo Ártico
Olá! Meu nome é Emily Choy. Nasci em Vancouver, no Canadá, em uma manhã fria de outono.
Eu sou descendente de uma família asiático-canadense, com raízes principalmente na China. Meus pais imigraram para o Canadá antes de eu nascer, trazendo consigo não apenas sua formação profissional, mas também sua cultura, valores e tradições. Minha mãe era professora de matemática e meu pai engenheiro ambiental.
Crescer entre duas culturas — a herança chinesa em casa e a vivência canadense no dia a dia — foi algo muito rico. Aprendi desde cedo a valorizar o respeito pela educação e pelo esforço (muito presente na cultura dos meus pais), e a diversidade e inclusão que fazem parte da sociedade canadense. Essa combinação influenciou muito quem eu me tornei — como pessoa e como cientista.
Desde muito cedo, minha casa era cheia de perguntas. Minha mãe me desafiava com problemas lógicos, enquanto meu pai me levava para caminhadas em parques e florestas, me ensinando a observar a natureza.
Eu não era uma criança “gênio” — mas eu era curiosa.
Queria saber:
- Por que as folhas mudavam de cor?
- Como os rios se formavam?
- O que existia além das estrelas?
E meus pais nunca me davam respostas prontas. Eles diziam: “Emily, vamos descobrir juntos.”
Descobrindo o gosto pela ciência
Na escola primária, tive uma professora chamada Sra. Thompson que mudou minha vida. Ela não ensinava apenas conteúdos — ela ensinava como pensar.
Ela transformava nossas aulas em pequenas investigações:
- Plantávamos feijões para entender crescimento.
- Fazíamos experimentos com água e luz.
- Observávamos insetos no pátio da escola.
Foi nessa época que aprendi algo importante:
Ciência não é decorar respostas — é fazer perguntas melhores.
Mesmo assim, nem sempre foi fácil. Eu era tímida e às vezes duvidava de mim mesma. Mas cada pequena descoberta me fazia continuar.
Quando escolhi meu caminho
No ensino médio, comecei a entender o que realmente me fascinava: o meio ambiente e as mudanças climáticas.
Eu participava de clubes de ciência e feiras de projetos. Um dos meus primeiros trabalhos foi analisar a qualidade da água de um rio próximo à minha escola. Descobri níveis preocupantes de poluição — e aquilo me impactou profundamente. Foi aí que pensei:
“Eu não quero apenas entender o mundo. Quero ajudar a melhorá-lo.”
Também enfrentei desafios com matérias difíceis como química avançada e a falta de confiança ao competir com alunos muito talentosos
Mas aprendi algo essencial: Persistência é mais importante que perfeição.
Transformando curiosidade em carreira
Entrei na Universidade da Colúmbia Britânica (UBC) para estudar Ciências Ambientais. A universidade foi um mundo novo: laboratórios modernos, professores inspiradores e projetos reais com impacto no mundo.
No início, me senti perdida. Eu vinha de uma escola comum e agora estava cercada por alguns dos melhores estudantes do país. Mas, em vez de desistir, fiz algo simples: pedi ajuda e continuei tentando.
Durante minha graduação:
- Trabalhei em um laboratório estudando poluição de oceanos
- Participei de pesquisas sobre microplásticos
- Apresentei meus primeiros trabalhos científicos
Depois, segui para o mestrado e doutorado, estudando interações entre poluição química e vida marinha.
A Ilha mais parecida com Marte
Eu me apaixonei pelo Ártico ainda como estudante de mestrado, quando ajudei a pesquisar os efeitos da contaminação humana nas teias alimentares do Alto Ártico na Ilha Devon, uma grande ilha localizada no norte do Canadá, no território de Nunavut, dentro do Oceano Ártico. Ela faz parte do arquipélago ártico canadense, uma região cheia de ilhas geladas e quase inabitáveis.
Ela é a maior ilha desabitada do mundo, com cerca d cerca de 55 mil km² (quase o tamanho de um estado pequeno). Ela não possui habitantes permanentes.
E tem um clima extremamente frio e seco – é um deserto polar. No inverno, as temperaturas podem cair abaixo de -50 °C, e no verão raramente passam de 10 °C.
A Ilha Devon é conhecida como o lugar mais parecido com Marte na Terra”. Por causa disso, cientistas (inclusive da NASA) usam a ilha para: testar equipamentos espaciais, simular missões para Marte e estudar como humanos poderiam viver em outros planetas.
A Vida na Ilha Devon
Apesar de parecer totalmente “morta”, ainda existe vida lá: bois almiscarados, aves árticas e pequenos animais adaptados ao frio. Mas a biodiversidade é bem limitada por causa do clima extremo.
Desde então, eu continuo pesquisando no Ártico, focando seus estudos no impacto das mudanças climáticas em predadores marinhos, como belugas (Delphinapterus leucas), murres (Fratercula arctica) e gaivotas-tridátilas (Rissa tridactyla).
Eu fiz meu doutorado na Universidade de Manitoba na cidade de Winnipeg, província de Manitoba e e no Fisheries and Oceans Canada, departamento do governo federal canadense responsável por oceanos, pesca e ecossistemas aquáticos na cidade de Ottawa, província de Ontario.
No doutorado, eu estudei o papel das baleias-beluga como espécie “sentinela” do ambiente – uma bioindicadora do ambiente – uma baleia dentada que pode ser usada para monitorar mudanças ambientais nos ecossistemas marinhos do Ártico.

Beluga (Delphinapterus leucas). © Tom Clenche, Canadá, 2021. Acervo iNaturalist. Licença CC-BY-NC-4.0.
Trabalhando em parceria com comunidades na Região de Assentamento Inuvialuit, nos Territórios do Noroeste, minhas pesquisas me levaram a regiões remotas ao redor do ecossistema do Mar de Beaufort.
Minha carreira científica
Hoje, sou pesquisadora e trabalho investigando como poluentes afetam ecossistemas aquáticos — especialmente peixes e organismos costeiros.
Minhas pesquisas incluem:
- Como substâncias químicas se acumulam nos organismos
- Impactos da atividade humana nos oceanos
- Estratégias para preservar ecossistemas
Já tive a oportunidade de:
- Publicar artigos científicos
- Colaborar com equipes internacionais
- Ajudar na formulação de políticas ambientais
Em 2014, foi nomeada Fellow do Grupo de Trabalho Marinho do Comitê Internacional de Ciência do Ártico. E Fellow da Royal Canadian Geographical Society.
Em 2020, recebi a Bolsa de Excelência em Pesquisa L’Oréal Canada para Mulheres em Ciência de 2020, por meus estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas nas murres-de-bico-grosso, uma ave marinha ártica em Coat Island, no norte da Baía de Hudson, província de Nunavut.
Meu trabalho não foca apenas no mundo natural. Em 2014, participei da Expedição do Estreito de Victoria para buscar os navios perdidos da expedição Franklin.
E, apaixonada por divulgação científica e mentoria, fiz parceria com a Earth Rangers para ensinar crianças sobre a conservação da vida selvagem.
Recebi bolsas, prêmios e convites para palestras. Mas quero contar um segredo:
O maior sucesso não são os prêmios. É continuar aprendendo e contribuindo e saber que meu trabalho pode ajudar a proteger o planeta.
Se você está me lendo agora, talvez esteja se perguntando:
“Será que eu poderia ser cientista também?” Minha resposta é simples: Sim.
Você não precisa ser perfeito.
Você precisa ser: Curioso, Persistente e Aberto a aprender com erros.
E lembre-se: Toda grande descoberta começa com uma pergunta simples.
Quando eu era criança, eu apenas queria entender o mundo ao meu redor. Hoje, ainda quero — mas também quero protegê-lo.
Talvez você se torne cientista… ou talvez não. Mas nunca perca isso: a vontade de perguntar, explorar e cuidar do mundo.
Porque foi assim que minha história começou — e é assim que outras histórias incríveis, como a sua, também começam.

