Mulheres STEM: Stephanie von Willigenburg

Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.

Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.

Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.

O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.

Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.

Resolvedora de Problemas Matemáticos

Poster Ingenium

Para Saber Mais

Antes de obter suas bolsas de pós-doutorado na York University e na Cornell University, Stephanie van Willigenburg obteve seu doutorado na University of St. Andrews, na Escócia. Atualmente, ela é Professora Titular de Matemática na Universidade da Colúmbia Britânica.

Como matemática, seu trabalho é resolver problemas ainda não resolvidos.

Sendo uma matemática teórica, os problemas que ela resolve são frequentemente abstratos, exigindo que ela pense em infinitas dimensões. Sua área de especialização é combinatória algébrica e ela tem paixão por descobrir maneiras concretas de modelar objetos abstratos.

A Dra. van Willigenburg é mais conhecida por descobrir as Funções Quasimétricas de Schur, que muitos matemáticos acreditavam não existirem. São fórmulas matemáticas usadas em álgebra abstrata, teoria dos grupos e teoria da representação. Ela também descobriu que elas podem ser modeladas colocando números em caixas sujeitas a certas regras – um pouco como combinar um desafio de Palavras Cruzadas com um Quebra-Cabeças de Sudoku.

Sudoku, ou Su Doku é um jogo baseado no posicionameto lógico de números. O objetivo do jogo é colocar números de 1 a 9 em cada uma das células vazias numa grade de 9×9, constituída por 3×3 subgrades chamadas regiões. O quebra-cabeça contém algumas pistas iniciais, que são números inseridos em algumas células, de maneira a permitir uma indução ou dedução dos números em células que estejam vazias. Cada coluna, linha e região só pode ter um número de cada um dos 1 a 9. 

O que são as Funções Quasimétricas de Schur?

Vamos descreve-las usando três metáforas para entender o seu processo, sem precisar entrar nos detalhes formais da linguagem matemática. E apresentar exemplos onde podem ser aplicadas.

A metáfora da “Receita de Bolo com Ordem Importante”

Imagine que você tem uma receita de bolo. Nas receitas comuns (funções simétricas, como as de Schur), não importa se você mistura o açúcar antes da farinha, ou se troca a ordem dos ingredientes secos – o resultado continua o mesmo.  É isso que acontece nas funções simétricas: trocar a ordem das variáveis não altera o resultado final.

Agora imagine receitas em que a ordem importa, por exemplo: bater ovos antes de misturar a farinha, colocar o fermento por último, aquecer antes de misturar, etc. Nesse caso, você até segue um padrão, mas nem todas as permutações são permitidas. Isso é exatamente o que acontece nas funções quasimétricas de Schur: elas respeitam um padrão, mas a ordem das coisas muda o resultado. É como uma receita estruturada, mas sensível à ordem.

Metáfora do “Mapa de Cidade com Ruas de Mão Única”

Pense em uma cidade com ruas de mão dupla (você pode trafegar nos dois sentidos) e ruas de mão única (você pode ir, mas não pode voltar da mesma forma).

As Funções simétricas de Schur são uma cidade toda de mão dupla. Você troca caminhos (ordens) e sempre chega ao mesmo destino.

Nas Funções quasimétricas de Schur, algumas ruas são de mão única. E a ordem do percurso importa, mas ainda existe um traçado organizado e regras claras. Assim, as funções quasimétricas de Schur são como caminhos permitidos seguindo regras combinatórias.

Metáfora do “Coral onde as Vozes Entram em Ordem”

Imagine um coral cantando.

Em uma música simétrica, tanto faz se o soprano entra antes do tenor — a harmonia é a mesma. No caso quasimétrico, a ordem das entradas muda o resultado, mas existe uma partitura (padrão) dizendo quando cada voz deve entrar.

As funções quasimétricas de Schur são como partituras onde a ordem da entrada das vozes importa, mas ainda há uma harmonia estrutural.

Aplicações das Funções Quasimétricas de Schur

Uma aplicação compreensível seria a organização eficiente de tarefas com ordem parcial. Imagine que você trabalha organizando processos: algumas tarefas podem ser feitas em qualquer ordem; outras precisam de uma sequência obrigatória (antes/depois), mas você ainda tem flexibilidade em parte da estrutura.

Por exemplo: você pode planejar o evento e comprar materiais em qualquer ordem, mas não pode convidar as pessoas antes de definir a data. E só pode imprimir certificados depois do evento.

As funções quasimétricas de Schur servem exatamente para modelar matematicamente situações em que a ordem de algumas partes importa e de outras não. Elas aparecem em: agendamento de tarefas, otimização de rotas, análise de processos e sistemas com dependências parciais.

São usadas por computadores para entender: quantas sequências possíveis existem, quais sequências são válidas e como calcular “pesos” ou “custos”.

Seu trabalho fundamental em matemática lhe permitiu também ser beneficiária de uma Bolsa de Pesquisa Humboldt, da Fundação Alexander von Humboldt, em 2008-9.

A pesquisa de Stephanie van Willigenburg em matemática foi parcialmente financiada pelo NSERC.

Coleção Mulheres STEM

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