Mulheres Oceânicas (Brasil): Marta Vannucci

Capa: Dra. Marta Vannucci em 2019.

A matéria é extraída do artigo de Heitor Shimizu  |  Agência FAPESP, 18 janeiro 2021. Agência FAPESP, sob a licença CC-BY-NC-ND.

Na primeira temporada Mulheres Oceânicas (Mundiais) apresentamos a Coleção Oceânicas Pioneiras, traduzida para português do Projeto Oceánicas que desenvolve várias atividades para celebrar e preservar o Oceano.

Nessa segunda temporada, Mulheres Oceânicas (Brasil), vamos conhecer a paixão e o trabalho científico de pesquisadoras brasileiras.

Além das Mulheres Oceânicas Internacionais, vamos acrescentar algumas oceanógrafas brasileiras.

Nesta aventura, vamos conhecer Marta Vannucci, uma das fundadoras do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), que morreu em 15/1/2021, em São Paulo, aos 99 anos.

Marta foi a primeira mulher membro titular da Academia Brasileira de Ciências.

“A professora Marta teve um papel fundamental na formação do Instituto Oceanográfico da USP e na conquista do nosso primeiro navio científico, o oceanográfico Professor W. Besnard. Foi também a primeira mulher a dirigir o nosso instituto”, disse Elisabete de Santis Braga da Graça Saraiva, diretora do IOUSP, à Agência FAPESP.

Nascida em Florença, em 10 de maio de 1921, emigrou para o Brasil em 1927 com a ascensão do fascismo na Itália. Opositor de Benito Mussolini, o pai de Vannucci era médico e livre-docente nas universidades de Pádua e de Florença. No Brasil, foi cirurgião no Hospital Matarazzo e faleceu em 1937 devido a uma infecção contraída em uma cirurgia.

“Se meu pai tivesse vivido, eu provavelmente teria feito medicina e trabalhado com ele. Quem realmente formou minha alma de cientista foi meu pai”, disse Vannucci em entrevista a Academia Brasileira de Letras, em 1993 (leia mais aqui).

Cursou o ensino fundamental no Colégio Dante Alighieri e ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Em 1944, defendeu o doutorado com orientação de Ernest Marcus, professor do Departamento de Zoologia, tendo sido sua assistente de 1944 a 1950.

Foi convidada a fazer parte do Instituto Paulista de Oceanografia, ligado à Secretaria de Agricultura e fundado em 1946. Com o professor Wladimir Besnard e outros pesquisadores, conseguiu que o instituto fosse integrado pela USP como unidade de pesquisa, o que ocorreu em 1951.

“Ela teve um papel fundamental nas discussões políticas e em fazer com que as autoridades reconhecessem a importância da oceanografia para o Brasil”, disse Saraiva.

No IOUSP, Besnard, então diretor, concentrava seus estudos na região de Cananeia, rica em mangues, o que deu a Vannucci a oportunidade de se especializar em ecossistema de mangues. Publicou mais de 100 trabalhos científicos sobre mangues.

Em 1956, recebeu uma bolsa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para conduzir pesquisas na Estação de Biologia Marinha de Millport, na Escócia.

Vannucci dirigiu o IOUSP de 1964 a 1969, tendo negociado a compra e acompanhado a construção do navio de pesquisas Professor Wladimir Besnard.

Na Unesco, implantou um programa de bolsas de estudo para estudantes latino-americanos. Morou na Índia, onde colaborou como coordenadora técnica para um programa de desenvolvimento e atuou na inspeção de ecossistemas costeiros e ricos de mangues.

Recebeu em 1996 a Ordem Nacional do Mérito Científico na classe Grã-Cruz. “Em 2019, tivemos a oportunidade de homenageá-la em uma cerimônia, quando ela lembrou de suas pesquisas e de seu trabalho incansável pela oceanografia brasileira”, disse Saraiva.

Marta Vannucci teve dois filhos, Érico e Dino. O Prêmio Érico Vannucci Mendes foi instituído por ela com o objetivo de reverenciar a memória do filho, estudioso da cultura brasileira, falecido em 1986. Concedido pelo CNPq, o prêmio tem como objetivo a preservação da memória nacional.

Para mergulhar mais na vida e obra dessa Argonauta:

  • Entrevista de Marta Vannucci à Comissão de Memória do IOUSP, em 2004.

Marta foi homenageada pela Turma da Mônica no projeto Donas da Rua.

Marta Vannucci em Poesia

Marta, Voz do Oceano

No azul que guarda histórias antigas,
ergue-se Marta, traçando caminhos.
Entre marés e sonhos, lançou sementes,
fez do Brasil herdeiro de águas presentes.

Fundou saber, ergueu um farol,
o Instituto Oceanográfico nasceu sob o sol.
Ali, ciência ganhou porto seguro,
abrindo ao país horizontes do futuro.

Cada corrente que ela estudou,
foi verso de um livro que o mar lhe entregou.
E sua coragem, firme e serena,
fez da pesquisa uma obra suprema.

Hoje, nas páginas da história marinha,
vive a mulher que fez da água a linha
que une ciência, esperança e paixão,
Marta Vannucci, guardiã do oceano.

Criado por IA (Microsoft Copilot, 2025)

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