2026: Nova Tripulação na Estação Espacial

Capa: Os quatro membros da missão Crew-12 da SpaceX, da NASA, para a Estação Espacial Internacional posam juntos para um retrato oficial da tripulação. Da esquerda para a direita: o cosmonauta da Roscosmos e especialista de missão Andrey Fedyaev; os astronautas da NASA Jessica Meir e Jack Hathaway, comandante e piloto, respectivamente; e a astronauta da ESA (Agência Espacial Europeia) e especialista de missão Sophie Adenot. Crédito: NASA. Licença CC0-Domínio Público.

Um texto ficcional, mas verdadeiro, na voz da própria comandante!

Olá, eu sou Jessica Meir, a comandante da missão Crew‑12, e é com enorme orgulho que apresento a vocês a equipe que lidero rumo à Estação Espacial Internacional.

Nossa jornada não é apenas um deslocamento pelo espaço, é a continuidade de mais de 25 anos de presença humana continuada na ISS, um laboratório orbital que já recebeu mais de 258 pessoas de 20 países ao longo das décadas.

Ao meu lado, seguem três profissionais excepcionais:

Jack Hathaway — Piloto (NASA). Jack é responsável pelo controle da cápsula espacial Crew Dragon Freedom. Esta é sua primeira viagem ao espaço, mas seu desempenho e precisão como piloto o tornaram peça fundamental da Crew‑12.

Sophie Adenot — Especialista de Missão (ESA). Nascida na França, Sophie integra a missão como especialista em experimentos científicos e operações técnicas. Também vivencia seu primeiro voo espacial e representa brilhantemente a Europa em nossa tripulação.

Andrey Fedyaev — Especialista de Missão (Roscosmos). Veterano em voos espaciais, Andrey realiza seu segundo voo, trazendo a expertise russa em operações orbitais e pesquisa em microgravidade.

Nossas pesquisas na ISS

Durante os oito meses de missão, conduziremos estudos essenciais para o futuro da exploração espacial, incluindo:

  • Bactérias causadoras de pneumonia e seus efeitos de longo prazo no organismo.
  • Geração de fluidos intravenosos no espaço, um passo vital para autonomia médica em missões distantes.
  • Monitoramento automatizado da saúde de plantas, permitindo sistemas agrícolas sustentáveis fora da Terra.
  • Interações entre plantas e microrganismos fixadores de nitrogênio, para melhorar produção de alimentos em ambientes de microgravidade.
  • Fisiologia humana em microgravidade, especialmente o impacto da circulação sanguínea no espaço.

Essas pesquisas são feitas no espaço porque a microgravidade, a radiação espacial e o isolamento extremo criam condições impossíveis de reproduzir plenamente na Terra. Esses ambientes revelam comportamentos biológicos, químicos e fisiológicos que só aparecem quando a gravidade quase não atua.

Bactérias na Microgravidade:

  • Bactérias podem ficar mais agressivas ou mudar sua forma e resistência.
  • O sistema imunológico humano funciona de maneira diferente, ficando enfraquecido.

É possível observar a evolução dessas bactérias sem a interferência da gravidade, o que ajuda a:

  • desenvolver tratamentos melhores,
  • entender como infecções evoluem em ambientes extremos,
  • proteger astronautas e pacientes na Terra.

O espaço acelera e amplifica mudanças microbianas, permitindo estudos que levariam muito mais tempo na Terra.

Geração de fluidos intravenosos no espaço

Em futuras missões à Lua e Marte, não será possível depender de estoques ilimitados de fluidos médicos vindos da Terra.

Na microgravidade, os desafios incluem:

  • Como misturar componentes sem que eles se separem?
  • Como esterilizar, purificar e armazenar fluidos longe da Terra?
  • Como evitar que bolhas se formem, já que a gravidade não as faz subir e separar?

A missão é garantir autonomia médica em missões de longa duração, onde levar suprimentos extras não é viável.

Monitoramento automatizado da saúde de plantas

O cultivo de plantas no espaço enfrenta desafios únicos:

  • Raízes crescem sem direção definida quando não há gravidade.
  • Água não se distribui naturalmente pelo solo.
  • Plantas sofrem com radiação e estresse biológico.

A automação permite:

  • Analisar crescimento sem intervenção humana constante,
  • Detectar doenças rapidamente,
  • Garantir colheitas mais estáveis para missões longas.

É importante no suporte à criação de sistemas agrícolas sustentáveis no espaço, essenciais para futuras bases lunares ou marcianas.

Interações entre plantas e microrganismos fixadores de nitrogênio

Na Terra, bactérias fixadoras de nitrogênio transformam nutrientes para tornar o solo fértil.

No espaço:

  • A microgravidade altera a forma como plantas e bactérias se comunicam.
  • Isso modifica como nutrientes são absorvidos e como as raízes se desenvolvem.

Entender essas mudanças permite produzir alimentos eficientemente sem depender de solo terrestre.

Criar sistemas de agricultura espacial que funcionem de forma estável e autossuficiente nessas condições.

Fisiologia humana em microgravidade (circulação sanguínea, etc.)

Sem gravidade, o corpo humano passa por mudanças profundas:

  • O sangue distribui-se de forma diferente (mais fluido na cabeça, menos nas pernas).
  • O coração não precisa bombear contra a gravidade, ele se enfraquece.
  • Veias, artérias e sistema linfático passam a funcionar de forma alterada.
  • Isso afeta: Pressão arterial, Função cerebral, Visão e Estrutura óssea e muscular.

Esses estudos ajudam a: proteger astronautas em missões longas, entender doenças cardiovasculares terrestres, e desenvolver novas estratégias de saúde.

A microgravidade é um “acelerador” de processos fisiológicos que normalmente levam anos na Terra.

A ISS orbita a cerca de 400 km acima da superfície da Terra, completando uma volta no planeta a cada 90 minutos.

Ela foi lançada em 20 de novembro de 1998 e permanece habitada continuamente desde 2 de novembro de 2000.

Isso significa que, quando chegamos, a Estação já acumulava 25 anos e 3 meses de ocupação humana contínua até fevereiro de 2026.

A importância da missão Crew‑12

A Crew‑12 representa:

A restauração da tripulação completa da ISS após a evacuação médica da Crew‑11.

A continuidade dos experimentos que sustentarão missões de longa duração para a Lua e Marte.

A presença de um time internacional altamente capacitado, mostrando que a ciência em órbita é um esforço conjunto das nações.

Como comandante, sinto o peso da responsabilidade — mas também o privilégio. Cada vez que olho pela janela da estação e vejo a Terra girando sob nós, lembro que estamos aqui para todos vocês, representando o que a humanidade tem de melhor: cooperação, curiosidade e coragem.

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