Mulheres STEM: Katie Mack

Imagem de capa: Katie Mack, na entrevista “Liderança em Ciência Pública: Conheça Katie Mack“, Matt Shipman, 2017.

Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.

Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.

Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.

O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.

Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.

Katie Mack: Os Vários Fins do Universo

Fascinada pela ciência desde a infância, o trabalho de Mack foca no papel da matéria escura no universo, desde suas origens até seu fim. Ela escreveu para muitos periódicos e revistas científicas, além de realizar palestras ao redor do mundo. Katie Mack usa os pronomes ela/dela.

Pôster Ingenium

Para me Conhecer Melhor

Olá, eu sou Katherine (Katie) J. Mack.

Quando olho para vocês, vejo a mim mesma anos atrás — curiosa, cheia de perguntas e, às vezes, insegura se o mundo teria espaço para alguém como eu.

Por isso, quero contar minha história, não como um manual de sucesso, mas como um convite para acreditar em si mesmas.

SemprePor quê?

Eu nasci em uma família comum, que talvez não entendesse exatamente todas as minhas perguntas, mas que sempre valorizou a curiosidade. Desde pequena, eu queria saber por quê.

Por que o céu é escuro à noite?

Por que as estrelas não caem?

Por que o universo existe?

Meus pais não eram cientistas, mas me deram algo essencial: liberdade para perguntar. Eles nunca me disseram que ciência “não era coisa de menina”. Isso fez toda a diferença.

Minha mãe era entusiasta de ficção científica, e me incentivou a assistir e me interessar por obras como Star Trek e Star Wars, o que teve papel importante em despertar minha curiosidade científica desde a infância.

E meu avô foi estudante do California Institute of Technology (Caltech) e atuou como integrante de equipes técnicas envolvidas no Programa Apollo, especificamente na missão Apollo 11, a primeira a levar seres humanos à Lua em 1969.

A Gigantesca História do Cosmos

Assim, quando era criança, me encantei por livros, documentários e professores que falavam do cosmos com paixão. Percebi cedo que a ciência não era apenas números e fórmulas — era uma história gigantesca sobre tudo o que existe.

A escola nem sempre foi fácil. Em alguns momentos, eu era a única menina interessada em Física. Às vezes me sentia deslocada. Mas descobri algo importante: não precisar se encaixar pode ser exatamente o seu ponto forte.

Decidi seguir meu fascínio pelo universo e entrei na universidade para estudar física.

Não foi simples. Houve matérias difíceis, noites de dúvida e momentos em que pensei em desistir.

Mas segui adiante, fiz meu doutorado em cosmologia teórica e mergulhei profundamente em perguntas sobre a origem, a evolução e o possível fim do universo. Aprendi que errar faz parte da ciência — e da vida.

Mais do que títulos, a formação acadêmica me ensinou persistência, pensamento crítico e humildade diante do desconhecido.

Representatividade Importa

Fui inspirada por cientistas do passado e do presente, mas também por mulheres que ousaram ocupar espaços onde diziam que elas não pertenciam.

Percebi que representatividade importa.

Quando você vê alguém “parecido com você” em um lugar,

passa a acreditar que também pode estar ali.

Passei a me inspirar, inclusive, em alunas e jovens curiosas — como vocês.

E me tornei uma defensora ativa de diversidade e inclusão na Ciência, especialmente para mulheres e pessoas LGBTQIA+.

Por isso, participo de iniciativas de visibilidade científica como o 500 Queer Scientists (500 QS) e procuro ser muito cuidadosa com o uso correto de linguagem inclusiva em divulgação científica.

Comunicar Ciência: Os 5 Fins do Universo

Além da pesquisa, descobri outra paixão: comunicar ciência.

Traduzir ideias complexas em linguagem acessível é uma forma de construir pontes entre o conhecimento e as pessoas.

Escrevi livros com amigos, dei palestras e usei as redes sociais para mostrar que cientistas são humanas, falham, riem e têm medo.

A ciência não precisa ser fria ou distante.

Meu livro mais famoso é O Fim de Tudo (Falando Astrofisicamente) publicado em 2020. Nele, eu explico de forma acessível e bem-humorada, cinco possíveis cenários científicos para o fim do Universo, incluindo:

a Morte térmica, o Universo se expande, fica frio, escuro e parado.

o Grande Colapso gravitacional (Big Crunch), a expansão do Universo se inverte.

a Grande Ruptura (Big Rip), a energia escura rompe todas as estruturas do Universo.

o Decaimento do vácuo, o Universo muda de estado de uma vez, como um estalo, e deixa de ser estável (hipotético e extremamente improvável).

o Colapso por instabilidades quânticas. Em escalas muito pequenas, o Universo é governado pelo acaso quântico e pequenas flutuações podem crescer e destruir tudo.

Eu tentei combinar o rigor científico com uma linguagem clara, para apresentar e tornar conceitos complexos da Cosmologia compreensíveis para o público leigo, jovens leitores e estudantes.

Ser Cientista Queer

Ser mulher na ciência ainda significa enfrentar dúvidas sobre sua competência, interrupções e, às vezes, solidão. Houve momentos em que precisei ser mais forte do que gostaria.

Aprendi, porém, que pedir ajuda não é fraqueza.

Que criar comunidades de apoio é essencial.

E que nunca devemos diminuir nossa luz para caber em expectativas alheias.

Minhas maiores conquistas não são apenas títulos ou cargos, mas cada pessoa que me diz:

“Depois de te ouvir, percebi que também posso estudar ciência.”

Contribuir para o conhecimento humano e inspirar outras meninas a sonharem com o impossível é algo que considero profundamente valioso.

Se eu pudesse deixar uma mensagem, seria esta:

O universo é imenso, estranho e maravilhoso

 — e há espaço nele para você.

Não deixem que digam que vocês são “demais” ou “de menos”.

Façam perguntas. Errem. Tentem de novo.

A ciência, a tecnologia, a arte e qualquer outro campo precisam da visão única que só vocês podem oferecer.

Olhem para as estrelas — e lembrem-se de que

vocês também são feitas da mesma matéria delas.

Você pode me conhecer mais ainda!

Coleção Mulheres STEM

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