Imagem de capa: A especialista de missão Mae Jemison nas escotilhas de popa (001-003) do ônibus espacial Endeavour durante a missão STS-47 em 1992. Flickr NASA no The Commons.
Em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (Brasil) vai celebrar o tema Mulheres na Ciência. Vamos aproveitar para divulgar ações voltadas para Mulheres e Diversidade na Ciência.
Iniciaremos, com os posteres educativos do Programa Woman in STEM, Diversity in STEM, uma iniciativa canadense da Ingenium que visa engajar, promover e manter o interesse de jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Essas pessoas sempre fizeram contribuições importantes para as áreas de STEM ao longo da história, mas a desigualdade persiste, especialmente nos mais altos escalões da academia e da indústria.
Sua missão é contribuir para os esforços internacionais em prol da equidade em STEM, celebrando conquistas e defensores, e lançando luz sobre preconceitos persistentes, muitas vezes implícitos. Existem múltiplas barreiras estruturais e culturais que contribuem para essa situação, e as causas são complexas. A Ingenium reconhece isso e desenvolve diversas estratégias sustentáveis e de longo prazo para engajar jovens mulheres, pessoas não binárias e outras pessoas diversas em STEM.
O objetivo da iniciativa é combater a sub-representação em STEM e contribuir para os esforços em prol da equidade nessas áreas.
Apresentamos aqui a série de pôsteres educativos criados pela Ingenium, com cada semana, um pôster da série, usado com permissão.
Mae Carol Jemison: dançando no espaço
Ela não é apenas engenheira, empreendedora, médica e palestrante, Mae Carol Jemison é também a primeira mulher afro-americana a viajar para o espaço. Ela ficou em órbita por 190 horas a bordo do ônibus espacial Endeavor (Empenho) em 1992.

Para me Conhecer Melhor
Olá, meninas incríveis, quero começar pelo começo.
Eu nasci em 17 de outubro de 1956, na cidade de Decatur, Alabama, nos Estados Unidos.
Minha mãe, Dorothy Green Jemison, era professora e meu pai, Charlie Jemison era trabalhador da construção civil. Eles me ensinaram duas coisas muito importantes desde cedo:
o valor do conhecimento e
a força da persistência.
Ainda pequena, minha família se mudou para Chicago, onde cresci cercada por livros, perguntas e muita imaginação. Minha mãe sempre dizia que eu podia ser o que quisesse. E meu pai me ensinou que trabalho duro também é uma forma de sonho.
Quando eu assistia à televisão, adorava ver a série Star Trek. Havia uma personagem chamada Uhura, uma mulher negra forte e inteligente, interpretada por Nichelle Nichols. Pela primeira vez, eu me vi ali — não como ajudante, mas como parte da exploração do futuro.
Também fui inspirada pelas missões Apollo, pelos professores de ciência que acreditaram em mim e pela dança, que sempre me ensinou disciplina, expressão e equilíbrio.
Entrei muito jovem na Universidade de Stanford, onde me formei em Engenharia Química e também estudei Estudos Africanos e Afro-Americanos. Eu queria entender o mundo não só pelas equações, mas também pelas pessoas e suas histórias.
Depois, cursei Medicina na Universidade Cornell, porque acreditava que a ciência deveria servir à vida. Mais tarde, trabalhei como médica no Corpo da Paz, na África Ocidental, cuidando de comunidades na Libéria e em Serra Leoa. Ali, aprendi que tecnologia e empatia precisam caminhar juntas.
O caminho não foi fácil. Muitas vezes, eu era a única mulher — e a única mulher negra — nas salas de aula, nos laboratórios e nos espaços científicos. Ouvi que meus sonhos eram grandes demais, que eu devia escolher apenas uma coisa, que o espaço “não era lugar para mim”.
Mas eu segui em frente. Porque aprendi que desafios não são sinais para parar, mas convites para continuar.
Em órbita da Terra!
Em 12 de setembro de 1992, vivi um momento histórico: embarquei no ônibus espacial Endeavor, na missão chamada STS‑47. Eu tinha 35 anos e ocupava a função de Especialista da Missão. Isso significa que eu não estava lá apenas como passageira — eu fui responsável por experimentos científicos muito importantes.
Passamos 190 horas em órbita da Terra. A missão STS‑47 fazia parte de um grande projeto entre NASA (Estados Unidos) e NASDA (Japão) chamado Spacelab‑J. O objetivo era estudar como o corpo humano e os materiais se comportam em microgravidade, ou seja, quase sem gravidade.
Essa pesquisa era fundamental para responder perguntas como:
- O que acontece com os ossos e músculos no espaço?
- Como o equilíbrio e o sistema nervoso reagem à ausência de gravidade?
- Como células, líquidos e estruturas físicas mudam fora da Terra?
Durante oito dias em órbita, trabalhei muito dentro do laboratório científico do ônibus espacial. Realizei e acompanhei experimentos em várias áreas, como:
- ciência da vida humana, observando como o corpo se adapta ao espaço
- biologia celular, analisando o comportamento das células em microgravidade
- ciência dos materiais, estudando como líquidos e substâncias se organizam sem peso
E também participei de experimentos que analisavam: a orientação espacial e movimento do corpo, as respostas do sistema nervoso e a adaptação física durante e após o voo. Cada experimento exigia precisão, atenção e trabalho em equipe. Segui protocolos rigorosos, registrei dados, ajustei equipamentos e conversava o tempo todo com cientistas na Terra.
A Beleza da Terra
Em órbita, passei cerca de 190 horas ao redor da Terra.
Vi continentes, oceanos, nuvens e fronteiras desaparecerem.
Do espaço, o nosso planeta não tem divisões — só beleza.
Levei comigo pequenos símbolos culturais e pessoais: um poster da bailarina negra Judith Jamison, uma estátua bundu e uma insígnia da primeira irmandade de universitárias afro-americanas, que representavam pessoas que nem sempre são incluídas.
A Ciência também carrega identidade, história e arte.
Ali, flutuando, entendi algo que quero que vocês guardem: o conhecimento humano é maior quando inclui todas as pessoas.

Ao completar a missão, tornei‑me a primeira mulher afro‑americana a viajar para o espaço. Mas, mais importante do que o título, foi abrir uma porta.
Uma porta para meninas negras, curiosas, criativas, que amam ciência, arte, dança e perguntas difíceis.
Projeto 100 Anos de Nave Estelar
Depois de ir ao espaço, muitas pessoas pensaram que a minha jornada tinha terminado. Mas, para mim, explorar o futuro nunca foi apenas viajar fisicamente — é também imaginar, planejar e criar possibilidades que ainda não existem.
Foi assim que nasceu um dos projetos mais importantes da minha vida: a 100 Year Starship.
A 100 Year Starship surgiu a partir de uma pergunta ousada:
“E se a humanidade se preparasse, a partir de agora, para viajar além do nosso sistema solar dentro de 100 anos?”
Em 2011, a agência DARPA, em parceria com a NASA, lançou um desafio para pensar o futuro das viagens interestelares. Eu liderei a proposta vencedora e me tornei diretora da iniciativa através da Dorothy Jemison Foundation for Excellence — uma organização que criei para unir ciência, cultura e educação.
A 100 Year Starship não é uma nave espacial. Ela é uma plataforma de pensamento, um laboratório vivo de ideias para criar pontes entre ciência, arte e imaginação que convida pessoas do mundo todo — cientistas, artistas, escritoras e sonhadoras — a imaginar viagens espaciais que acontecerão muito além do nosso tempo de vida.
Acredito profundamente que a ficção, a dança, o design e a ciência são ferramentas poderosas para transformar o mundo.
Se você ama
matemática e música,
ciência e arte,
tecnologia e dança
— não escolha apenas uma.
Você não é feita para
caber em uma caixa.
Olhe para o céu.
Olhe para dentro.
Há espaço para você no futuro.

